segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Chuvas e cheias dos rios causam pânico no Acre


As chuvas recorrentes não provocam apenas atrasos de voos, como o ocorrido com o voo 1938 da Gol, vindo de Cruzeiro do Sul, com destino a Fortaleza e escalas em Rio Branco, Porto Velho, Manaus e Belém, que, no dia 18 de fevereiro de 2012, demorou mais de duas horas para sair de Rio Branco. Naquele dia, desde a madrugada do dia 17, as chuvas caíram sobre Rio Branco, passando por Sena Madureira, e chegando a Cruzeiro do Sul. Na BR 364, no trecho que liga Sena Madureira a Rio Branco, o Rio Iaco já começa a transbordar e invadir as casas. No Segundo Distrito, como mostram as fotos tiradas no dia 18, o Rio já está muito próximo do nível das casas. No Rio Antimary, a ponte está quase submersa com riscos de que o leito da estrada seja atingido. Caso o leito da estrada seja atingido, Sena Madureira corre riscos de ficar isolada da capital, uma vez que toda a ligação entre Rio Branco e o município é feita por terras. A Defesa Civil, em Rio Branco e Sena Madureira, permanece em estado de alerta. A situação é das mais graves. Ontem, nova chuva desabou sobre Sena Madureira, o dia inteiro. A vazante do Iaco não chega e os moradores da cidade começam a ficar desesperados. Se subir mais que 2,80m, o rio ultrapassa o limite da maior enchente ocorrida em Sena Madureira, em 1997.








domingo, 19 de fevereiro de 2012

Gol: aventura diária nos ares do Acre


Definitivamente, os fatos parecem dar razão à Gol Linhas Áreas, quando decidiu suspender os voos noturnos para o Acre. Voar para aquelas bandas, a cada dia, torna-se uma aventura das mais perigosas. Ontem, quanto retornei para Manaus, cheguei ao Aeroporto de Rio Branco por volta das 13h40. O voo 1938 da Gol, vindo de Cruzeiro do Sul, com destino a Fortaleza e escalas em Rio Branco, Porto Velho, Manaus e Belém, estava com embarque previsto para às 15h e partida às 15h10. Previsão de chegada a Manaus? Às 18h32. Tudo isso se uma chuva torrencial que desabou sobre o Acre durante todo o dia de ontem não provocasse uma atraso substancial nos planos dos passageiros. Por não operar por aparelhos, ao chegar a Cruzeiro do Sul, a aeronave não teve teto, ou seja, não pode pousar. Após algumas tentativas, o piloto decidiu retornar para Rio Branco. Em terra, às 14h38, o funcionário da Gol avisou que “não houve teto em Cruzeiro do Sul, a aeronave estava pousando às 14h40 e, provavelmente, partiria para Porto Velho mais cedo. Deveríamos, porém, esperar as orientações da Central, em São Paulo”. Os passageiros que estavam na sala de embarque trocaram olhares de felicidade com a perspectiva de chegar mais cedo ao destino. Fiquei a matutar com meus botões: isso só poder ser alarma falso. A Gol teria de pagar hospedagem e alimentação para todos os passageiros que fiassem em Cruzeiro do Sul, à espera de um novo vol. Em Rio Branco, também teriam de ficar, com hospedagens e diárias, os passageiros que tinham Cruzeiro do Sul como destino. Afora que, até abrigar todos os passageiros em outros voos, raros agora em Rio Branco, provocaria prejuízos enormes às empresa. Conclui comigo mesmo: duvido que esse voo seja “adiantado”. Eles vão é mandar a aeronave de volta a Cruzeiro do Sul, pensei e decidi nem ligar para casa e dar a notícia da chegada antecipada. Minutos depois, uma nova funcionária da Gol aparece no saguão e anuncia: “o voo 1938, com destino a Fortaleza e escalas em Porto Velho, Manaus Belém está atrasado. A aeronave, que está no pátio, será abastecida e retornará a Cruzeiro do Sul.” Aproximadamente 20min depois, outra funcionária (creio que eles praticam o rodízio de anunciantes de más notícias para não provocar a revolta dos passageiros), ainda com a aeronave no pátio, anuncia: “Informamos que o voo 1938, com destino a Fortaleza, escalas em Porto Velho, Manaus e Belém, está atrasado e com pouso previsto neste aeroporto às 18h”. Então, distribuíram um folheto com informações sobre os direitos dos clientes em casos como aqueles. Cobre o direito ao acesso à Internet. Ela argumentou que não possuíam Internet, mas, apenas Intranet. “No caso só podemos oferecer telefone”, disse ela. E o lanche? Ela completou: “Daqui a 10min começaremos a servir”. Solícitos até então, não avisaram ninguém da entrega de um voucher de R$ 15,00 para os passageiros. Quem descobriu a novidade tratou de avisar os outros. Moral da história: eu que cheguei ao aeroporto às 13h30, com a sinusite atacada, febre, dores no corpo e ardência nos olhos, esperei até às 18h18 para embarcar, horário previsto para chegar em Manaus. Cada pouso, um em Porto Velho e outro em Manaus, era uma tortura. Consegui imaginar o que não passavam as pessoas torturadas na época da ditadura. Aquele som agudo provocava dores inimagináveis. Tecnicamente tranqüilo, tantos nos pousos quanto das decolagem, foi o pior voo da minha vida.




sábado, 18 de fevereiro de 2012

A iniciação sexual precoce das meninas no Acre


Depois da postagem que fiz ontem, aqui, neste mesmo espaço, denominada “Condenações, prisões, casamentos e pedofilia”, fui procurado por algumas pessoas para comentar o problema. Descobri que não foi só a mãe de Eloá que autorizou relacionamentos com meninas entre 12 e 13 anos. Em Sena Madureira, cidade localizada a 144 quilômetros de Rio Branco, a capital, é rotineiro e comum, apesar de o Conselho Tutelar tentar coibir firmemente, a iniciação sexual de meninas e meninos na faixa entre 10 e 13 anos. Chocado ou chocada, meu leitor, minha leitora? Pasmem! Com o consentimento dos pais. Talvez seja espantoso em se tratando de meninas, porque, pais machistas, levavam seus filhos, homens, aos “puteiros” a partir dessa faixa de idade. Permitir (certamente não com tanta tranqüilidade) que as filhas, mulheres, iniciem a vida sexual nessa idade, pode parecer chocante para alguns, mas, se trata de um avanço e tanto do ponto de vista cultural. Porém, do ponto de vista legal, é crime. Os pais das meninas e os namorados, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, podem ser condenados, ainda que não haja denúncia formal e que os namorados proponham casamento. Ao que tudo indica, esse tipo de comportamento mudou no Acre inteiro, quiçá, no Brasil. Então, o que fazer, quando a lei diz uma coisa, mas a prática cultural aponta para uma direção diametralmente oposta? Rediscutir urgentemente a lei. Porque da forma que está, os pais, ainda que forçosamente, porque se não autorizarem o namoro as meninas (e os meninos mais ainda) passam a namorar “escondidos”, cria-se um problema jurídico grave. Namorados pegos com essas meninas correm o risco de ser acusados de estupro ou de estupro presumido, dependendo da idade da garota. Os pais também podem sofrer sanções graves. Mais grave ainda, é que esses namorados se tornam reféns: arriscam-se a ser chantageados a qualquer momento pela família (ou pela própria namorada) se a “relação” não durar muito tempo. Há um problema, a meu ver, inevitável, uma questão jurídica grave e mal-resolvida, e uma sociedade que caminha a passos largos para encarar com a maior naturalidade do mundo a iniciação sexual das mulheres a partir dos 12, 13 anos. Enquanto não se muda a lei, o certo mesmo é quem se apaixonar por alguma criança de 12 ou 13 anos, segurar o facho, pois confusões inimagináveis o esperam. Legalmente, serão acusados de pedofilia. Culturalmente, ao que se vê, serão absolvidas pela história.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Condenações, prisões, casamento e pedofilia


Há coisas no Twitter que, às vezes, de tão “engraçadas” provocam reflexão. Uma delas foi a postagem do meu colega @RodrigoNaoSr. Ele disse ontem: “Engaçado! No Brasil o cara é condenado a 98 anos de prisão, vai ficar no máximo 16, mas, casou, tem de ser pra vida inteira”. Conheço o humor ferino do Rodrigo e usei a postagem dele para raciocinar: realmente, o casamento também é uma espécie de prisão domiciliar. Sem direito a sursis. O palco é muito semelhante: o fórum. Com direito a uma penca de testemunhas. Que é para nenhum dos dois se arrepender. Nesse campo, às vezes, homens e mulheres enganam-se redondamente. Como em alguns equívocos cometidos nos tribunais de júri. No júri, como no casamento, os protagonistas, em alguns casos, fingem tão bem que conseguem ludibriar os jurados e escapar ilesos. Ora, pela lei, se foram julgados e absolvidos, podem até ter cometido o delito, mas não são culpados. Rodrigo, no comentário engraçado, relacionou o casamento com o julgamento de Lindemberg, assassino na jovem Eloá, em São Paulo. O caso ganhou repercussão nacional. O que pouca gente tocou é no cerne da questão: a morte de Eloá foi apenas o ápice de uma tragédia. Que começou quando um jovem de 19 anos foi à casa da mãe de uma garota de 12 anos pedi-la em namoro. Se insistisse, e tanto o fez que terminou por matá-la, o rapaz deveria ter sido denunciado pela prática de pedofilia. Uma morte, talvez, tivesse sido evitada. Mas sabem por que o jovem não foi denunciado. Porque essa prática de iniciação da vida sexual das garotas de 11 ou 12 anos parece ter se tornado regra. Logo, nem provoca reação das famílias. Em alguns casos, a pedofilia é premiada. Transforma o pedófilo em vítima. As pessoas ficam “penalizadas” com uma vítima “tão inocente”. Esquecem que quem perde a inocência é uma criança de 12 anos que se transforma em “mulher” nas mãos de um rapaz de 19 anos. Pior ainda é quando, nessa idade, a criança é incentivada à prostituição pela própria família e se transforma em “caso” de algum homem público. Ou se encara o problema da pedofilia com seriedade ou se começa a rediscutir os limites legais para os crimes de iniciação sexual precoce. E tem mais: se as famílias não se responsabilizarem por cuidar dos seus filhos menores (meninos ou meninas), nenhum política pública será eficaz.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A esperteza das instituições financeiras


Ou se trata de ma tremenda esperteza das instituições financeira do País ou pensam que nós, os clientes (e usuários) somos imbecis. Só isso explica o fato de um pagamento realizado na boca do caixa de uma instituição demorar até 72 horas para ser processado, portanto, dando baixa, em outra. A não ser que estejamos lidando com um sistema de informação da idade da pedra, coisa que não acontece com o sistema dos bancos brasileiros, um dos mais avançados do mundo, trata-se mesmo de esperteza. Digamos que eu tenha feito um pagamento de R$ 5 mil em Sena Madureira, no interior do Acre, na Agência do Banco do Brasil, agência interligada, on-line, com todo o sistema do Banco. Qual a explicação para este valor só ser creditado na conta do Banco credor 72h depois, se é debitado na minha conta imediatamente? Será que ninguém ganha nenhum centavo durante esse período em que o valor pago fica “no limbo”, vagando como um fantasma, ser creditado a quem de direito? É mister que o Banco Central comece a observar esse tipo de operação. Aparentemente, trata-se de algum tipo de esperteza, lesivo a pelo menos uma das partes envolvidas nas transações. Ou há alguma explicação lógica para tanta lerdeza?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Defesa civil em alerta no Acre


As fortes chuvas, inclusive como a que ontem desabou sobre a capital, Rio Branco, deixaram a defesa civil em estado de alerta em todo o Acre. Não pelos estragos que temporais provocam nas comunidades mais carentes, mas, também, e principalmente, pela cheia dos rios. O Rio Acre, por exemplo, está com o nível bem acima do normal. Proporciona uma bela visão quando se atravessa as pontes. No entanto, está com “corredeira” e “descendo paus”; sinais claros para que vive na região de que ainda “vem cheia” por aí. Comunidades mais comunidades já estão atingidas pelas cheia do Rio, o que provoca necessidades de ações constantes da Secretaria de Ação Social para abrigar os atingidos. Em Sena Madureira, como conseqüência da cheia que atinge o Alto Purus, o Rio Yaco também apresenta os mesmos sinais do Rio Acre. Está com o nível acima do tradicional e já começa a atingir comunidades. O fenômeno da cheia é recorrente nos rios da região o que, por seu turno, facilita o planejamento para que os danos provocados nas comunidades sejam menores, caso as ações de prevenção e remoção das pessoas dos locais usualmente atingidos sejam levadas a cabo em tempo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A obesidade como fator de saúde pública


Impressiona-me, também, a clareza com que o Coordenador da Pastoral da Saúde da Arquidiocese de São Paulo, Padre Anísio Baldessin, trata o tema no Boletim O Domingo, o Semanário Litúrgico usado, aos domingos, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Sena Madureira, minha cidade natal, localizada a 174 quilômetros de Rio Branco, a capital do Estado do Acre. No texto intitulado “Saúde pública e obesidade” que faz parte da seção “Campanha da Fraternidade”, o padre registra: “Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o mundo experimenta atualmente sério desafio no âmbito alimentar. Além de preocupar-se com países onde a fome é problema endêmico, a OMS já demonstra séria preocupação com os riscos à saúde humana advindos de uma dieta rica em calorias, sódio, açúcar e gordura saturada. Com isso, explodem os casos de obesidade, diabetes, distúrbios cardíacos, entre outros”. O Padre Baldessin aborda, com uma clareza digna de deixar alguns céticos em relação aos benefícios da religião, um problema que, sem nenhuma dúvida, é de saúde pública. A própria OMS já não se preocupa apenas com os famélicos mundo afora, mas, com a tendência mundial ao ganho de peso. Os hábitos da vida pós-moderna, de passar o dia na frente de um computador ou a jogar videogames, por exemplo, transformam jovens em obesos, logo, propensos às doenças, às fezes fatais, provocadas pelo excesso de peso. Tratar o problema como uma questão de saúde pública é o primeiro passo para que o mundo consiga forjar uma geração com hábitos alimentares mais saudáveis futuramente.