segunda-feira, 27 de junho de 2016

O frio nosso de cada dia

Certa vez, na Rodoviária de Recife, um senhor me contou uma história tão dolorosa quanto convincente que tirei a grana do bolso e “o mandei para Garanhuns”, como ele quase chorou ao pedir. Não demorou, e antes que eu embarcasse, outro senhor apareceu e me contou história muito similar a ponto de um município para onde ele ia ser o mesmo. Fiquei a me perguntar se eu tinha “cara de leso” ou se fora atacado por uma “rede de pessoas” especializadas em tirar dinheiro de nós, os mais crentes na dor alheia. E não é que ontem a história se repetiu. Na fila para comprar os tíquetes do Metrô de São Paulo, estação Tatuapé, um senhor com apenas dois dentes iniciou uma “história de dor” para a senhora que se encontrava na minha frente. Há anos não dou nenhum trocado a ninguém. Fui embrutecido pela história que contei inicialmente e que se repetiu várias vezes comigo. Lá se foi a senhora, que deu uns trocados ao homem banguela. Com o R$ 1,00 que sobrou do troco do Metrô, passo por ele que insiste e, anos depois, quebro o gelo do meu coração e dou a moeda a ele. E não é que, na plataforma, antes de embarcar, outro senhor se aproxima e me vem com a mesma história? Será que essas pessoas se comunicam entre si? Será que atuam gerenciado por alguém. Se não for coincidência, são episódios estranhos como estes que nos tornam mais frios a cada dia diante da miséria coletiva e humana.


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domingo, 26 de junho de 2016

Os contrastes da grande São Paulo

Ao chegar em São Paulo hoje, a primeira coisa que notei foi o aumento do número de moradores de rua em bairros nos quais nas ruas eles já viviam, como é o caso do Campos Elíseos. Em alguns lugares os moradores não estavam, mas, a demarcação do local estava posta: os cobertores. Por outro lado, caminhei de ponta a ponta na Avenida Paulista, cruzando com todos os tipos possíveis de pessoas que transformavam a Paulista em uma espécie de “praia” de São Paulo. Cantores, cantoras, grupos de dança, comidas típicas, ciclistas. Uma São Paulo nitidamente humanizada em uma ponta e desumana em outra. Contrastes de uma cidade que provocam dor no coração.


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sábado, 25 de junho de 2016

A Oi tropeça nas dívidas

A Oi, antiga Telemar, do irmão do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), transformou-se em uma espécie de estatal da telefonia celular brasileira. Apresentada inicialmente como a joia da privatização do setor, anunciou recentemente uma recuperação judicial de mais de R$ 60 bilhões. O mercado entende que a dívida da empresa é impagável. Mesmo com a recuperação judicial, pelo jeito, a Oi não escapa. Trata-se de uma prova de que a questão não é simplesmente privatizar. Má-gestão existe no serviço público e na iniciativa privada. Esse sim é o grande problema das empresas brasileiras.


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