sábado, 9 de fevereiro de 2013

Um carro fantasmagórico na Avenida


Ontem, por uma daquelas obras do destino, todas as decisões que tomei no trânsito foram péssimas. E sempre quando estava com meus filhos no carro. Foram horas e horas de engarrafamento enfrentadas bravamente. Algumas a se lamentar, principalmente quando os peguei na escola e nos atrasamos para o almoço: quase morremos de fome, os três, dentro do veículo num pequeno trecho entre o Eldorado, a Darcy Vargas e a Avenida Ephigênio Sales. À noite, porém, após jantarmos juntos, "caímos" na Avenida Pedro Teixeira, ao lado do "Paneirão", logo, em frente ao Sambódromo. Expressei-me:"Ihhhh! Tem algo aqui no Sambódromo. Filho, é para coroar o dia: nos ferramos de novo!" Antes de cruzarmos o sambódromo minha filha diz:"Olha, é um carro alegórico das escolas de samba de Manaus". Pensei:"Isso não é carro alegórico coisa nenhuma. Mais parece um carro fantasmagórico!". Para não decepcionar a minha filha, que nunca tinha visto um carro alegórico ao vivo, falei:"Que carro feio, heim!". Depois do episódio e de, milagrosamente, ter cruzado em frente ao Sambódromo em minutos, descobri que se tratava do desfile das Escolas de Samba do Grupo C de Manaus. O "evento" é financiado com dinheiro público e, pelo menos ontem, foi um fracasso de público. A metáfora que criei e não expressei na hora talvez sintetize bem: um carro altamente fantasmagórico.

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A nova utilidade para os viadutos de Manaus


O temporal que desabou na tarde de ontem me fez ver um uso adicional para os viadutos da cidade: proteger, ainda que de forma não tão efetiva, pedestres e condutores de motocicletas da chuva. Por outro lado, a função original desses monstros de concreto, que é dar fluência ao trânsito, se já é prejudicada nos dias tradicionais, fica quase que inviável nos temporais. Aliás, não apenas nos viadutos, mas, no trânsito inteiro, quando de uma chuva torrencial, a fluência é quase zero. Ao que parece, quando o tempo começa a "fechar" todas as pessoas que estão fora de casa resolvem pegar seus veículos e voltar para a residência "voando". Como os temporais não provocam apenas verdadeiras quedas de água, mas também, de postes, árvores e da energia elétrica, o caos se instala em função de os semáforos deixarem de funcionar e os agentes de trânsito, evidentemente, também não poderem entra em ação, uma vez que precisam se proteger do aguaceiro. Ontem foi assim, novamente. E, pelo jeito, a história se repetirá a cada temporal.

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Um automóvel de vantagem


Hoje, pela manhã, demorei mais de uma hora em um engarrafamento provocado por um acidente em frente ao Condomínio Ephigênio Sales. A fila de automóveis era tão longa que muitos condutores faziam manobras irregulares e arriscadas, embora lentas, para "ganhar um automóvel de vantagem". Não digo que eu também não fiquei impaciente com a demora. Quem já dirigiu em São Paulo, porém, não tem mais o direito de se impacientar no trânsito. Manaus caminha na mesma direção. O que não parece ter nenhuma lógica é a pessoas subir a passagem de pedestres, arriscar-se em manobras irregulares para levar vantagem, ou seja, furar a fila na qual, calmamente (ou impacientemente) o outro motorista espera. Além de falta de respeito ao outro, trata-se de exemplo pouco louvável para as crianças que acompanhavam alguns dos condutores. É bem possível que a pressa fosse em função do atraso para a entrada na escola. No entanto, o trânsito inteiro estava completamente parado. Não havia nenhum necessidade de se fazer tais manobras. A prática é tão recorrente que ao chegar ao local do acidente, quando só uma das mãos da pista estava liberada, mesmo com a presença de um "marronzinho" a controlar o trânsito, ainda havia motoristas que mudavam de pista, inclusive, sem autorização do agente.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O poder público e o ajustamento de conduta


Por conta do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público e a Prefeitura Municipal de Manaus (PMM), vários "testes" serão feitos até que o Balneário de Ponta Negra seja novamente liberado para uso do público em geral. Sinal de que o Ministério Público, em nome do bem-comum, tenta minimizar os prejuízos. Sempre que se estabelece um PAC entre qualquer ente Público e o Ministério, fico, porém, a me perguntar: oras, se é um ajustamento de conduta, significa que a conduta anterior era "desajustada"? Ou será que não se tratava de uma conduta recomendada? Aí vem a contradição mais assustadora: o poder público não deveria ser o primeiro a dar exemplo, a ter uma conduta irretocável para cobrar comportamento (e conduta) do cidadão? Ter de assinar um TAC significa, no meu entendimento, que a conduta anterior, se não criminosa, reprovável. E me vem uma conclusão, talvez, óbvia. Ao propor um TAC, o próprio Ministério Público admite, publicamente, não ter fiscalizado corretamente ao longo da obra. Rigorosamente, a se confirmarem todos os problemas, o Balneário de Ponta Negra não deveria ter sido nem autorizado a funcionar. Um TAC, ao meu ver, é a própria confissão pública de que nem Ministério Público nem o ente público envolvido na assinatura cumpriram os deveres básicos. E isso é muito grave. O ideal é que não se chegue ao limite de um TAC, ou seja, que todos cumpram rigorosamente a parte que lhes cabe do latifúndio chamado sociedade.

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A política de resultados das centrais sindicais


Ainda são nítidas da minha cabeça as críticas vorazes feitas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) contra a Força Sindical e a Central Geral dos Trabalhadores (CGT) na época do Governo Fernando Henrique Cardoso. Antes as duas representavam o adesismo, o peleguismo e entreguismo do País, com as privatizações. A CUT representava tudo o que havia de mais avançado e progressista no sindicalismo brasileiro. Enfrentava ferozmente o Governo em defesa da "luta dos trabalhadores". E não é que a coisa mudou, como tudo muda na vida? Hoje, enquanto CGT e Força Sindical, principalmente a primeira, peitam o Governo Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), a CUT, ligada ao PT, por razões óbvias, fica quietinha como se fosse um cordeirinho de estimação. A esse tipo de comportamento, à época, os próprios petistas e cutistas denominaram de "política de resultados". Como os resultados são outros e a privatização também recebeu outro nome, os resultados também parecem ser outros. A política de resultados das centrais sindicais, porém, segue firme. Mudam apenas os lados.

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Dia de sair mais cedo de casa


Manaus, que já vive dias de "cidade grande" faz tempo, hoje terá de vivê-lo mais ainda. Com o retorno às aulas em grande parte das escolas da rede particular, mais veículos passaram a circular. Mais veículos na rua significa mais espera. Menos paciência de alguns e a necessidade de muita paciência e calma por parte de nós todos, os condutores de veículos. Porque, mais que veículos, conduzimos gente: nossos filhos, parentes, amigos, pessoas que gostamos. Só há uma receita infalível para evitar os aborrecimentos do trânsito em qualquer cidade: sair mais cedo de casa. É salutar, inclusive, para os filhos, que terão mais tempo, antes de entrar na sala de aula, de conversar com os amigos de turma, conhecer os novos colegas. Há que se ter cuidado em dobro não apenas pelo maior número de carros nas ruas, mas, com os buracos. Em tempos de chuvas intermitentes, eles (os buracos) multiplicam-se. Muitos são traiçoeiros e podem provocar acidentes, quando não, a destruição da suspensão e dos aros do veículo. Sair mais cedo para "rodar" com mais calma pode evitar inúmeros aborrecimentos.

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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Fiscalização não é cruzada moralista


Entendo perfeitamente que, em muitas cidades brasileiras, inclusive Manaus, tenha havido uma corrida para fiscalizar casas noturnas e bares. No entanto, essa "sanha" não pode se transformar em uma cruzada moralista. E não deveria se resumir Às casas noturnas e bares. Cinemas, por exemplo, também devem ser fiscalizados. São locais de muita aglomeração e que precisam de rapidez na saída das pessoas. Será que esses estabelecimentos, em Manaus, possuem todas as especificações de acordo com a Legislação vigente? Quando o poder público se antecipa e faz cumprir a lei, tragédias são evitadas. No entanto, não se pode descambar para questões moralistas ou exagerar nas "cobranças"  a ponto de inviabilizar o funcionamento desses locais. Seus proprietários nunca devem esquecer, porém, que lidam com vidas humanas e por elas são responsáveis. Ao decidirem por explorar esse ramo de negócio, certamente, sabem que itens de segurança são obrigatórios e, desrespeitá-los, é criar predisposição para as tragédias.

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sábado, 2 de fevereiro de 2013

O simbolismo da eleição de Renan Calheiros


A eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) e a insana reação de alguns tuiteiros (muito provavelmente a serviço do Partido dos Trabalhadores) contra o agora presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, só pode significar algo: o Brasil optou por assumir que a esculhambação generalizada e a falta de vergonha são os símbolos deste País. Para completar, o processo contra Calheiros será arquivado no Congresso. O desfecho para essa "pouca-vergonha" absoluta é a Presidente da República, Dilma Rousseff (PT) enviar mensagem de congratulações ao presidente eleito do Senado. Será que não temos mais um pingo de ética? Será que vamos aceitar a pouca-vergonha como regra no País? Por muito menos que isso, Fernando Collor de Mello foi arrancado da Presidência por força da pressão pública. E agora? Vamos deixar que Calheiros assuma essa Presidência do Senado e fica a flanar em Brasília como se nada tivesse ocorrido? Não é possível que estejamos anestesiados pelo vírus da corrupção e passemos a encarar a corrupção como parte dos símbolos nacionais. Temos de reagir!

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O escárnio da eleição de Renan Calheiros


Quando digo que o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e o Partido dos Trabalhadores (PT) são irmãos siameses, tucanos do bico-de-ouro e trabalhadores do colarinho branco ficam arrepiados de ódio. Alguns, dois times, param imediatamente de me seguir nas Mídias Digitais. A eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) para a presidência do Senado Federal, fato que o tornou o terceiro homem na linha de sucessão da Presidência da República, é um dos maiores escárnios da história política deste País. Revela, também, que PT e PSDB, quando é do interesse dos dois, sabe-se Deus o porquê (dizem as más línguas que Calheiros atua similarmente a um político de Manaus:possui dossiês contra todos os colegas e os mantém reféns), atuam até como comparsas (como agora). Até o PSDB funcionou como se fosse um partido da dita "base aliada". Calheiros dá a volta por cima depois de ter sido escorraçado em função de denúncias de corrupção e malversação do dinheiro público. As denúncias estão aí, vivinhas. Os homens (e mulheres) de bem, no entanto, pelo jeito, terão de enfiar a cabeça na terra feito avestruzes.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A esperteza das vendas casadas


Há empresas do setor de serviços que se aproveitam a ingenuidade de muitos consumidores para efetivar vendas não desejadas. Os vendedores do provedor de Internet Universo On Line (UOL), por exemplo, usam de artimanhas para enganar o consumidor. Quando uma pessoa fecha a contratação dos serviços do produto Oi Velox, da empresa telefônica Oi, não demora e recebe um telefonema dos vendedores do UOL. Eles dizem que possuem um acordo com a Oi e, todas as vezes que você compra um serviço de Banda Larga, tem de contratar os serviços de um provedor. Não alertam, porém, o descuidado comprador, que o sistema de banda larga não obrigatoriamente necessita da contratação dos serviços de um provedor pago. A própria Oi oferece esses serviços grátis. Sem saber dessa informação, que, em muitos casos, não é passada por nenhum dos atendentes da Oi, e ansioso para usar a Banda Larga, o consumidor cai no truque bem-bolado pelas duas empresas para praticarem a venda casada de serviços. Por mais que o consumidor resista, terminam por arrancar o número do cartão de crédito. Depois disso, as mensalidades são debitadas. De tudo, sobra o suplício para cancelar as duas coisas quando, irritado, o consumidor descobre que foi enganado. O melhor a fazer é ter muito cuidado!

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A crise entre os músicos provocada pela Prefeitura


Temos sempre a tendência a ver o mundo apenas pelo viés de apenas uma perspectiva do olhar. Mais ainda: o furor coletivo, aliado a algumas viseiras culturais que nos foram impostas pela formação agostiniana, nos impedem de ver que o mundo é um sistema. O mais complexo. E que todas as coisas se interconectam entre si para desaguar nessa ação mais simples do mundo que é viver e mais paradoxalmente complexa que é a vida. Pois bem! Empurrada pela fúria coletiva provocada pela tragédia ocorrida em Santa Maria, quando mais de 250 pessoas morreram em função da inoperância do poder público, a Prefeitura de Manaus desandou a fechar quase todas as casas noturnas da cidade, muitas delas que nunca deveriam ser autorizadas a funcionar. Foram tão rigorosos e vorazes que só ontem descobriram que um bar famoso da cidade, localizado à Praça 14 de Janeiro, cometeu "crime ambiental" por ter um pirarucu em um aquário. Apesar dos exageros da operação, necessária por sinal, uma crise se instalou no setor: músicos não sabem como fazer para pagar a feira do fim de semana. Grande parte deles tocava em casas noturnas, que pagam "no apurado", ou seja, a cada dia, a cada show. E agora? É preciso ter um olhar do todo para "sentir" o quanto vidas são afetadas quando medidas assim são tomadas. Caso o problema não seja solucionado rapidamente, a crise pode ser muito maior. Algo tem de ser feito. E logo!

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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A constatação do óbvio em Manaus


Há uma máxima popular de que "o brasileiro só fecha a porta depois de roubado". Essa máxima foi comprovada ontem, em Manaus, quando a Prefeitura Municipal resolveu fazer uma blitz minimamente séria nas casas noturnas da cidade. Se escapou uma foi muito! Grande parte dessas casas consideradas "da hora" (para o bem ou para o mal), foi lacrada por descumprir itens básicos de segurança necessários para que funcionassem. Se fossemos pegar o cutelo da "culpa" e desandar a "cortar cabeças" sobraria até para as empresas ditas jornalísticas. Se não, vejamos! É mais do que evidente que nos últimos 20 ou 30 anos, nenhum prefeito tomou a decisão de fechar casas noturnas, das mais simples às espeluncas, como deveria ter sido feito. Se a Prefeitura não faz a parte dela, não caberia ao jornalismo fazer a sua? Denunciar constantemente que vidas estão em jogo todas as vezes que se vai às boates, questionar o poder público por não tomar as medidas corretas de proteção às pessoas, levantar o nome dos proprietários (e sócios) dessas casas noturnas, mostrar, se mantém ou não, relações incestuosas com os poderes Executivo, Legislativo ou Judiciário. Quem isso não fizer é, no mínimo, omisso, quando uma tragédia como a de Santa Maria ocorre. Inclusive os jornalistas. Em tese, muito embora seja extremamente difícil exercer a profissão, nós, os jornalistas, não somos pagos para defender os interesses dos donos das empresas, mas, sim, da sociedade. Enquanto o "fazer jornal" for mais importante do que a prática do jornalismo, teremos sempre relações incestuosas entre os proprietários dos meios de produção (os donos de jornais, rádios ou televisões) e o Estado, em quaisquer dos níveis. E, enquanto isso ocorrer, teremos de chorar sobre o sangue derramado e tomar medidas paliativas enquanto as tragédias repercutem. Depois que o povo esquece (e os jornalistas misteriosamente também), as placas de interdição são retiradas e a vida seu o seu curso. Até que muitas vidas são novamente ceifadas e todos, governantes e jornalistas, fingem que abriram os olhos nessa cíclica tragédia que é a omissão coletiva.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Tragédias provocadas pelo poder público


Ontem comentei neste espaço que as tragédias, de acordo com os especialistas, não ocorrem em função de um único fator, mas, de uma cadeia de irresponsabilidades. Tragédias como as que mataram 250 pessoas em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, revelam-se, no entanto, irresponsabilidade primordial do poder público. Permitir o funcionamento de uma casa de shows sem que as condições de segurança sejam cumpridas é criminoso. Todas as autoridades que participaram dessa cadeia de irresponsabilidade deveriam ser punidas exemplarmente. O que ocorreu em Santa Maria, porém, deve servir de exemplo para todas as prefeituras do País. Que, a partir de hoje, sejam realizadas operações de fiscalização em todas as casas de shows e locais fechados que reúnam grande número de pessoas. Pode ser que a fiscalização resulte no fechamento de quase todos esses locais. Que sejam fechados e só reabram quando derem condições mínimas de proteção às pessoas. A vida humana tem de ser preservada. É preciso que o poder público deixe muito claro, nas atitudes, que "toma conta" da sociedade e não que preserva os interesses de meia dúzia de capitalistas que dela (a sociedade) fazem parte.

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domingo, 27 de janeiro de 2013

Da alegria à dor em segundos


Sempre que acontece uma tragédia na qual morrem muitas pessoas, como a queda de um avião, por exemplo, especialistas afirmam que elas (as tragédias) não ocorrem como decorrência de um único fator, mas, como decorrência de uma "cadeia de irresponsabilidades". O momento, antes de tudo, não é de se julgar ninguém e sim de prestar solidariedade às famílias dos que se foram. Há registro de 245 mortos até agora. Grande parte dos mortos são estudantes universitários da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É preciso respeitar a dor das famílias, mas, não se pode deixar que os responsáveis pela tragédia fiquem impunes. Que as autoridades investiguem e descubram os culpados. E que cada um deles pague pela falta de responsabilidade. Por enquanto nos resta respeitar a dor daqueles pais que deixaram os filhos na porta da boate para uma festa que se transformou, em segundos, em tragédia de dores intensas.

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sábado, 26 de janeiro de 2013

A pena de morte que já existe no Brasil


Li em um dos jornais que circulam hoje em Manaus que os três assassinos que promoveram a chacina de parte da família Belota foram "jurados" de morte pelos presidiários. Crimes violentos e de grande repercussão na mídia sempre são acompanhados de notícias como essas, quando não, viram comentários velados a respeito do que ocorrerá aos criminosos. Nessas horas concluo que a hipocrisia da vida em sociedade não tem limites. Nos discursos da vida pública somos terminantemente contra a pena de morte. Na vida privada, porém, ou seja, de forma velada, a aceitamos com toda tranquilidade. O que não queremos, como Estado (nem como sociedade), é sujar as mãos na execução de quem é sumariamente condenado pela mídia e pela opinião pública. Se não acreditamos no modelo de Justiça que aí está, como o defendemos? Se sabemos, antecipadamente, que ao entrar na cadeia, ainda que assassinos confessos, serão executados, alguma medida de proteção não deveria ser tomada? Caso não, que se institua logo a pena de morte e o estado seja o responsável pelas execuções. Lavar as mão e transferir aos presos a justiça que queremos fazer com as próprias mãos é um ato de extrema hipocrisia.

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O dom de iludir dos assassinos em série


Cada vez que há uma tragédia como a da família Belota, ficou meio recolhido, a tentar entender "Quem somos nós?". Na maioria das vezes, só refirmo uma convicção sobre a raça humana: somos os piores animais que habitam a face da Terra pelo simples fato de cometermos as maiores barbaridades e, depois do ato consumado, contratarmos um advogado para tentar provar que agimos sob o efeito de drogas, fortes emoções ou coisas do gênero. Especificamente no caso do massacre da família Belota, tive o cuidado de ler a entrevista exclusiva (que não foi exclusiva coisa nenhuma, pois ele falou para todos os jornais) que o mentor-confesso deu a um dos jornais da cidade. A mim me parece, que um traço primordial das pessoas, digamos, com "desvio de conduta", é a dissimulação, o dom de iludir. E esse "dom de iludir" é tão levado ao extremo que a própria pessoa passa a se enganar. A buscar explicações "consideradas lógicas" para seus atos. Como é que pode alguém falar aos jornalistas com tamanha tranquilidade sobre a matança do pai, da tia e da prima (além do cachorro de estimação da prima) sob a justificativa de que "queria testar", queria saber se o namorado o amava mesmo, iria ficar ao lado "segurar a barra juntos". Como o namorado não assumiu ter feito tudo "por amor", mas sim por uma suposta herança de "R$ 200 mil", então ele se arrependeu de ter morto o pai, a tia e a prima. Certamente, a personalidade dos assassinos em série é resultado da combinação de uma complexa cadeia de fatores que culminam com essa aparente normalidade, para eles (os assassinos), dos seus atos. Ter a consciência que somos capazes de tudo, para o bem e para o mal, talvez nos torne menos normais e mais preparados para lidar com situações como essas.

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Como os golpistas nos tentam enganar


Hoje, pela manhã, quando me dirigia para a aula na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), recebi a seguinte mensagem, no meu celular: "Rede Record, Programa do Gugu informa: sua linha Oi participou do sorteio eletrônico e ganhou uma casa de 80 mil reais. Ligue 0318586690371. Diga 100% Gugu!". Mensagens iguais ou similares a essas chegam diariamente aos celulares de inúmeros brasileiros. Há quem ignore, ou reaja alertando as pessoas, como o faço agora, ou que, além de ligar ainda grita, imediatamente após ser atendido "100% Gugu". Com esse tipo de "promoção", bandidos, geralmente de dentro dos próprios presídios, hábeis em ludibriar as pessoas, conseguem de centenas (às vezes milhares) que reais sejam transferidos em créditos para os celulares que usam, normalmente de dentro da cadeia, para continuarem a comandar e cometer crimes. Várias medidas já foram tentadas para barrar esse tipo de prática: o comando das organizações criminosas de dentro dos presídios. Mas, ao que parece, nada de efetivo ocorreu, uma vez que prêmios como esses são distribuídos há mais de cinco anos. Não se deixar enganar e ignorar esse tipo de premiação, até agora, é a medida mais efetiva para se combater a violência que vem dos presídios, comandada de lá mesmo.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O consumismo que nos transforma em monstros


Desde ontem, após ler os detalhes sobre a tragédia da morte de parte da família Belota, sinto-me um "Quase lixo". Não penas pela crueldade com que se tirou a vida de quatro seres: três humanos e um dito não humano (um cachorro). Mas, principalmente quando se divulgou o mentor da chacina e os possíveis motivos: vingança, por sofrer retaliações pelo fato de ser homossexual, ou "olho gordo" na herança do pai. Para quem não sabe detalhes do crime, um filho é acusado de ter degolado o pai, a prima e um cachorro da família e de ter morto a tia que o abrigou na própria casa durante um ano. A polícia investiga, como mais prováveis, as duas possibilidades aqui levantadas. E todas as duas chocam-me. A primeira por, em pleno Século XXI, um filho ser levado a matar o pai por conta de preconceito em relação a sua homossexualidade (do filho). É estarrecedor que isso ainda ocorra! Embora não pareça ser o caso, ainda existe esse tipo de preconceito. A segunda, de se matar por herança, e com tamanho requinte de crueldade, leva-me a refletir mais profundamente sobre esse regime capitalista que vivemos e a sua mais requinte e cruel faceta: o consumismo. Consumismo que cria monstros. Tão torpes e cruéis quanto o acusado e os que o ajudaram no chacina. O dinheiro não pode ser tudo. Consumir não pode ser o valor máximo que guia nossas atitudes. Somos, cada um de nós, responsáveis por mudar essa realidade. Um crime desses não pode ser mais um. Não pode passar em branco. A morte cruel desses quatro seres tem de, na pior das hipóteses, nos fazer refletir sobre qual o papel que temos para tornar o mundo melhor. Não posso imaginar que meu filho seja capaz de matar a mim, a irmã e a mãe para ficar com os parcos trocados que temos. Seria meu atestado de fracasso como pai. Mas, todos estamos passíveis de que isso aconteça se não consideramos que o mundo existe além dos nossos umbigos e que o outro, qualquer que seja o ser, faz parte desse mundo e temos responsabilidade sobre cada um deles. Enquanto consideramos que o mundo é aquele cantinho gradeado e seguro chamado "lar", tragédias como essas comprovarão o lixo que somos. Ou que tentam nos transformar!

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A adultização da infância e a violência sexual


Algo martela em minha cabeça desde que comentei, neste mesmo espaço, o problema da "Mãe indiciada por facilitar o aborto da filha e 14 anos": como lidar com o fenômeno moderno da "adultização da infância?" Não sei se por influência dos meios de comunicação em geral, mais ainda da Televisão, mas, dos 10 aos 12 anos, as meninas e os meninos já largaram os brinquedos há tempos. Muitos deles (e delas) já se iniciaram em plena vida sexual. E, outro fenômeno para refletirmos juntos: não querem saber de meninos e meninas da mesma idade. Preferem "atiçar" os mais velhos. Será algo relacionado com os velhos e conhecidos complexos de Édipo e de Electra? Talvez seja necessário que se estude com mais profundidade essas mudanças, que são gritantes, embora muitos de nós não façamos questão de perceber. E não com o olhar do saudosismo, mas, com um olhar de modernidade mesmo. Para evitarmos que esse processo de "adultização da infância" seja usado como escudo para atos de violência contra crianças e adolescentes. Não podemos mais fazer de conta que essa mudança de comportamento não existe. Temos de encará-la, estudá-la e encontrar caminhos menos dolorosos, tantos para os pais quanto para os filhos. Todos ficaremos melhores!

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O cúmulo da ousadia: viatura da Polícia roubada


Há quem diga que, em Manaus, quando os bois começarem a levantar voo, ninguém deve se espantar. Pois não é que, no final da tarde de ontem (domingo, dia 20 de janeiro de 2013), uma viatura da 6ª Cicom, do programa Ronda no Bairro, foi roubada, na Cidade Nova, zona Leste! De acordo com as notícias que circularam pela Internet, acompanhadas de comentários hilários, o assaltante se aproveitou da distração dos dois Policiais Militares (PMs) que usavam o veículo para entrar no carro e levá-lo. Como estavam em uma "abordagem", os policiais deixaram as chaves na ignição e as portas destravadas. Certamente, para facilitar a ação policial se tivesse de, agilmente, se deslocar do local. Ironicamente, quem foi perspicaz e lépido foi o assaltante. Talvez por falta de habilidade ao volante, ou por força da reação policial, na perseguição, o assaltante perdeu o controle do veículo e bateu em um muro. A Polícia divulgou a versão de que o condutor morreu em função do acidente. Talvez "tenha sido levado a morrer" como "prêmio" pela ousadia. Como boa voa na cidade, jamais saberemos a versão exatata da morte. Terá sido morte morrida ou matada? Os anjos dirão.

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