Sejamos todos (todas) honestos: o Brasil mudou, e muito, na era Lula. Não dá nem para comparar, até porque não existem termos de comparação, com a era FHC. É preciso se fazer justiça, e, neste ponto, tenho grandes discordâncias em relação ao presidente Lula: não reconhecer o trabalho feito por FHC. Por outro lado, o PSDB não sabe como convencer a sociedade da importância do Governo FHC. Pensemos, juntos, em um casa totalmente endividada, desarrumada. Isso era o Brasil. Em economia, só existe uma forma de se pagar dívidas: o sacrifício de cortar na carne, não aumentar as despesas, muito menos com salários de quaisquer espécies. Isso era o Brasil. Não se pode contratar empregados nem expandir nada, é preciso até demiti-los e cortar, se possível, salários dos que ficam. Isso era o Brasil. Em suma, FHC pegou um Brasil das vacas-magras. Estabilizou a economia e criou as bases essenciais para a prosperidade do Governo Lula. Mérito de Lula: não ter mexido uma vírgula na política econômica e nas bases criadas por FHC. Seria ótimo que Lula também admitisse o mérito do governo FHC. A democracia sairia reforçada. Por isso dou a Lula o que é de Lula e a FCH o que é de FCH. É mais honesto!
Aqui você encontra notícias, comentários, artigos, análises e olhares do professor Gilson Monteiro sobre assuntos e fatos do dia-a-dia com humor, amor e poesia.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
Manaus, 341 anos
O dia começou com chuva. Talvez os pingos de água sejam sinais das bênçãos de Iemanjá. Que Manaus tenha a proteção de todos os santos e de todas as crenças no dia em que completa 341 anos do “sonho feliz de cidade”. Que não se iluda em ser uma Liverpool dos olhos azuis (nem da Zona Azul), mas, que seja uma cidade a se preocupar com os que nela habitam (nascidos aqui ou não). Que seus dirigentes não se preocupem apenas em dar vazão à circulação de veículos, ainda que para isso vidas sejam sacrificadas diariamente no trânsito. É tempo de a cidade crescer planejadamente e não apenas inchar com o faz até agora. Manaus de sonhos e alegrias; tristezas e fantasias: nosso lugar. Adotivo ou de nascimento, mas, nosso lugar. Aqui vivemos, sonhamos nos decepcionamos com a certeza de que o amanhã é sempre melhor que o ontem, porém, só o hoje nos importa. Por ele, o hoje, o presente, é que devemos estar atentos a fim de construirmos um futuro melhor. Parabéns Manaus!
sábado, 23 de outubro de 2010
Chuvas e temporais
Não precisou nem uma chuva muito forte para ontem à noite, pouco após o CIGS, à esquerda, na estrada de São Jorge, metade da pista ficar totalmente alagada. Ao que tudo indica, a “temporada” de chuvas começou. São raios e trovões em proporções pouco vistas em outros lugares do País. A Manaus da Copa de 2014 não tem estrutura para lidar com “pingos” de chuva. E o problema agrava-se a cada ano com períodos de seca intensa seguidos de chuvas torrenciais. Sem contar que pouco se leva em conta a “natureza” nas chamadas obras de infra-estrutura da cidade. Há uma certeza: o ambiente reage às agressões. E essa reação é mais forte a cada ano. Temporais de arrancar cobertura e derrubar casas certamente virão. Só quero ver quando a reação for às agressões sofridas pelo Prosamim.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Porto de Lenha com Zona Azul
O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB) voltou ao poder e quer trazer de volta alguns fantasmas: um deles é a mal-sucedida Zona Azul. Como se já não bastasse a Zona Franca, zona na qual não se paga nada, o Estado doa terrenos e ainda se tem incentivos fiscais, Mendes quer trazer de volta uma experiência que não deu certo: a de taxar os espaços públicos, nas principais vias da cidade, para evitar que as pessoas parem seus automóveis. Na prática, não passa de mais uma forma de a Prefeitura enfiar a mão em uma fatia do bolo dos guardadores de carros, os chamados flanelinhas. O tal “choque de ordem” tão propagado, na prática, transformou a vida das pessoas, principalmente as proprietárias de veículos, em um caos. Manaus é uma Metrópole que não deu certo, pois nunca teve vocação para isso. Com a promessa da Copa de 2014, Mendes, Braga a todos da turma dos 33 anos prometem, em um passe de mágica, e de muita grana, mudar esse quadro. É esperar para não ver!
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Templo do atraso
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) vive um dos momentos mais ímpares de qualquer organização, quer pública, quer particular: o das mudanças. A reitora, Márcia Perales, proclamou o ano de 2010 como “ano da estatuinte”. A Adua-seção sindical tem novo presidente, novos conselheiros dos conselhos superiores foram eleitos e novos diretores das unidades do interior também foram eleitos. No entanto, é preciso estar atento para o viés centralizador e autoritário que se espalha, como um vírus, em cada uma das menores decisões, dos Departamentos à Administração superior. É como se o movimento Tradição, Família e Propriedade (TFP) se apresentasse em cada um dos rostos que nos olham. A TFP materializa-se na perseguição de colegas de departamento, em decisões que levam em conta interesses individuais ou de “panelinhas” e deságuam na sanha por exterminar quaisquer instâncias de decisão coletiva. É preciso estar alerta e combater esse tradicionalismo quase fundamentalista que tenta dominar o espaço da liberdade, do pensamento e da experimentação. Uma universidade que se amarra, inclusive no método, em valores tradicionais não passa de um templo do atraso.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
O que a propaganda não diz
A forma com as mensagens são veiculadas e o que dizem no que não está dito é impressionante. Impressiona, mais ainda, a capacidade de interpretação de uma criança. Minha filha, de apenas 10 anos, ao passar por um carro que portava o adesivo “Serra é do bem. Vote 45!”, disse: “Papai, quer dizer que a Dilma é do mal? Porque quando dizem que o Serra é do bem querem dizer que a Dilma é do mal, é isso?”. Uma menina de 10 anos matou a charada de como a propaganda manipula, direta ou indiretamente, as pessoas. Mais ainda quando se trata de propaganda eleitoral. Oras, é evidente que uma mensagem não se caracteriza apenas pelo que diz, mas, pelo que deixa de dizer, porém, incita a que se imagine. Minha filha entendeu qual, verdadeiramente, é o espírito da propagada de José Serra (PSDB): se apresentar como “do bem”, por oposição à Dilma, que seria “do mal”. Resta saber se os eleitores aceitarão a mensagem. Só o resultado das urnas revelará.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Militância ativa
Bastou um “apertozinho” nas pesquisas para as tropas de choque do PT e do PC do B, principalmente, mostrarem a cara: tiraram a região glútea das cadeiras, certamente com medo de perder a boquinha, e foram à luta. E foi disso que sempre falei desde o início: se a tchurma usar a máquina não tem para ninguém. Não há no País militância melhor que a do PT e do PC do B, isso ninguém pode negar. O problema é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou tanta besteira nos últimos dias que, ao invés de ajudar a candidata do PT, Dilma Rousseff, passou a prejudicá-la. Isso gerou novo problema, agora para o candidato José Serra (PSDB): é que a queda de Dilma e a aproximação dele jogaram lenha na fogueira de quem não queria sair da cadeira porque já comemorava a vitória. Agora não! O que se vê é uma militância ativa todos os minutos do dia. Será difícil agüentar o rolo compressor. Teremos a resposta no dia 31.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Corra dos juros!
Com o perdão do trocadilho, mas, seja inteligente: corra de todo o tipo de juro. Tanto faz ser juro bancário quando o “juro que te amo”. Bem, quanto ao “juro que te amo”, fica para cada um avaliar se o seu uso é abusivo ou não. Serviu, aqui, apenas para descontrair o início desta postagem. Dos juros bancários posso falar de cátedra: vivo no vermelho e nem sou garantido. Garantido nessa história é o lucro dos bancos e, mais ainda, das administradoras de cartões de crédito, que cobram juros mais abusivos que os dos bancos. Pior que os dois juntos são os supermercados e atacadistas que, agora, resolveram, também, atuar como bancos. Nessas empresas os juros são extorsivos. Nesses estabelecimentos, aqui não se pode esquecer das lojas de eletrodomésticos e afins, os juros são cobrados embutidos nas prestações das vendas a prazo. Nelas o consumidor jamais obtém descontos nos pagamentos feitos à vista. Em algumas delas a prática ainda é mais abusiva: cobram para as compras à vista o mesmo valor das compras à prazo, ou seja, o consumidor paga juros antecipadamente. Com a palavra o Procon de cada cidade. Tenha cuidado!
domingo, 17 de outubro de 2010
Balsas encalhadas
Nos supermercados da cidade o leite integral em caixa sumiu das gôndolas. Em alguns deles é possível encontrar apenas leite desnatado a preços estratosféricos. Se é verdade ou não; não pude confirmar, mas a desculpa dada por um dos atendentes, ontem, num dos supermercados da cidade, foi de fazer rir. Ele disse que o leite vinha de Roraima e que as balsas estavam encalhadas. Eu disse a ele, educadamente, que leite Italac e o Tradição eram de Rondônia e que deveria haver algum engano. Ele manteve a versão das balsas encalhadas. Hoje, na feira da Manaus Moderna, a falta de batatas ou o preço nas alturas também foi atribuído às balsas encalhadas. Tenho a impressão, com o perdão do trocadilho, que os supermercados e distribuidoras aproveitam a seca para “desencalhar” os lotes de leite desnatado e, de quebra, ainda ganham milhões pois, compraram a preços módicos, mantiveram em estoques e agora ganham fortunas com a escassez. Talvez as balsas paguem o pato pelo encalhe de boa parte dos alimentos. Mas, em alguns casos, tem gente se aproveitando da seca para regar suas contas.
sábado, 16 de outubro de 2010
Lula e a campanha
Jamais pude imaginar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com índice de popularidade acima de 80%, fosse prejudicar a campanha de Dilma Rousseff(PT). Ao término do primeiro turno, se alguém me perguntasse quais as chances de José Serra (PSDB) virar o jogo, eu não tinha nenhuma dúvida em afirmar que era próxima do zero. O que parecia impossível, a derrota de Dilma, começa a entrar nos campo das possibilidades. E, não duvidem, grande parte da responsabilidade é do presidente Lula. Ele interferiu no discurso, mudou o tom da campanha e o que se vê é uma Dilma atirando para todos os lados, sendo obrigada até a assinar carta-garantia contra o aborto como se estivesse nas cordas. Por outro lado, o que Lula dizia e era aceito cegamente parece não ter mais tanto eco. E, convenhamos, ele aparece com algumas coisas que só tiram votos de Dilma. Esse de dizer que a derrota dos senadores que votaram contra a CPMF é um “castigo divino” foi o fim. Aqui no Amazonas, por exemplo, converso com muitas pessoas e grande parte delas que votaram em Dilma no primeiro turno hoje votam Serra por Arthur Neto. Será que nos outros estados onde Lula aniquilou os oposicionistas não ocorre o mesmo?
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
União civil de homossexuais
José Serra (PSDB), Bento Carneiro, anunciou; Dilma (PT) Chuck, confirmou: são favoráveis à União Civil de Homossexuais. Fico a imaginar uma festa de São João na qual todos dançam Quadrilha. Serra e a Dilma gritando a dança: tudo que um diz o outro repete. Citei a Quadrilha porque em alguns temas, Serra e Dilma parecem participar de uma “brincadeira de criança” ou mesmo de adultos. O assunto é muito mais sério e não envolve apenas questões semânticas. Serra disse que “é a favor para efeito de Direito”. De acordo com Serra, o casamento tem um componente religioso das igrejas e, neste caso, cada uma define a sua posição. Depois da fala de Serra, imediatamente, na internet, eleitores e simpatizantes de Dilma passaram a dizer que ela também é favorável à união civil de homossexuais. Há quem diga, porém, que nos próximos dias Dilma soltará uma carta se comprometendo a vetar o direito ao aborto, o casamento de pessoas do mesmo sexo e a mudança no registro civil para transexuais. É ou não uma brincadeira! Respeitar o outro independentemente das opções sexuais não é apenas uma questão de Direito, mas humanitária. E que as pessoas sejam livres e felizes da maneira que optarem quer Dilma e Serra queiram, ou não.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Mestrinho revisitado
O governador Omar Aziz (PMN), acompanhado da primeira-dama, Nejme Aziz, passaram o Dia das Crianças, segundo os jornais da cidade, distribuindo brinquedos. Lembrei-me da dupla Gilberto Mestrinho e Maria Emília. De alguma forma, na redemocratização do País, Mestrinho voltou ao poder com uma “forcinha” do PC do B. Omar, não se pode negar, sempre esteve à frente da militância do partido. A prática política de Mestrinho talvez o tenha influenciado. Particularmente considero primitivo e provinciano esse modus operandi. No entanto, o resultado das urnas revela que, se não serve para elevar o grau de conscientização de um povo, rende votos aos borbotões.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Educação no trânsito
Sou daqueles que, por convicção, acreditam que a educação é um processo lento, gradual e que gera frutos para a vida inteira. Fui duramente criticado quando, em uma das vezes, elogiei, aqui neste espaço, a mudança de hábito de alguns motoristas no Amazonas. À época, registrei que, na nova Maceió, motoristas paravam voluntariamente para que os pedestres atravessassem a rua. Uma das críticas que recebi era de que eu tinha uma visão romântica, que os motoristas de Manaus eram mal-educados e que podiam até parar, mas ficam muito irritados com os motoristas da frente que demonstravam educação. Por ser um dos poucos que praticavam esse ato de educação no trânsito mas o incentivava sempre que algum pedestre necessitava atravessar as ruas, defendi os colegas motoristas que faziam o mesmo. Quem me criticou deve ser daqueles não suportam a prática. Hoje, pela manhã, em frente à Secretaria de Estado da Fazenda, motoristas demonstraram que a prática se espalha pela cidade numa mudança de hábito das mais salutares: pararam para permitir a travessia das pessoas em ambos os lados da Avenida André Araújo. Fico o registro e os parabéns. Haverá um tempo em que não será tão novidade a prática e não precisarei mais registrá-la.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Dia das crianças
Hoje não é dia de orar, festeja ou simplesmente comemorar. É dia de reflexão, quase de indignação, em nome de cada criança que sofreu algum tipo de violência. Não se pode admitir que a violência contra a Criança e o Adolescente seja vista como algo comum, normal e natural nos lares brasileiros. As estatísticas revelam que a maioria dos crimes contra Crianças e Adolescentes é cometida por pais, padrastos, irmãos ou pessoas próximas. Pense nisso! Reflita sobre o quão importante é o período da infância e da juventude na vida de cada ser. Não trate (nem veja) a PEDOFILIA como algo aceitável. Não comemore, não dê presentes, não encare o dia como apenas mais uma festa. Aproveitemos, todos, não apenas para orar e agradecer a Nossa Senhora Aparecida. Nem para transformar o dia de hoje em mera festa. Que o dia seja, também, de reflexão sobre os sofrimentos diários das Crianças e dos Adolescentes. Só assim esse dia terá mais importância em nossas vidas.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Vá entender!
A política tem mesmo “lances” curiosos, muito mais que nos campos de futebol. Pois não é que o aborto deu o tom do primeiro debate presidencial, com ataques de ambas as partes. Tanto Serra (PSDB) quanto Dilma (PT) agora fingem que são contra o aborto para tentar angariar votos dos evangélicos e dos católicos. É de uma hipocrisia sem tamanho negar as convicções a respeito do assunto. No entanto, não se deve condená-los. Trata-se de um jogo de marketing e ganha quem convencer mais gente. O que me causa curiosidade e me deixa boquiaberto é um tema como o aborto pautar as eleições presidenciais e a PEDOFILIA não poder nem entrar na pauta de discussão local, porque, segundo a interpretação de um juiz, usar a palavra seria associá-la ao governador Omar Aziz (PMN). Todos os dois assuntos envolvem violência contra crianças e adolescentes em maior ou menor grau. O que causa estranheza é a sociedade não querer nem discutir abertamente o aborto e, ao mesmo tempo, também, nem ligar para a PEDOFILIA. Quer dizer que, na visão geral, o aborto é crime, não pode nem ser discutido, mas, entregar uma filha de 9 a 10 anos a algum marmanjo em troca de favores ou grana não deve nem ser discutido? Vá entender!
domingo, 10 de outubro de 2010
Disputa acirrada
Domingo passado, logo após as eleições, ainda no ar, no Programa Encontro com o Povo especial, ao lado de Humberto Amorim e Carlos Santiago, no AmazonSat, afirmei: “o segundo turno será uma disputa acirradíssima”. A primeira pesquisa divulgada ontem pelo Instituto DataFolha, a bem da verdade o único que previu o segundo turno, aponta Dilma com 48% das intenções de votos e José Serra com 41%. A empáfia do presidente Lula e da própria candidata indicavam que essa seria a direção da disputa. Os primeiros dias da campanha eleitoral gratuita confirmam que realmente se trata de outra eleição. O clima do PSDB, em seu programa, é outro: menos sisudo, mais brincalhão, tocando nas feridas do mensalão e José Dirceu. Por outro lado, o PT parece estar nas cordas. Em Manaus, há um número imenso de eleitores que votaram em Dilma no primeiro turno e já migraram para Serra. Talvez seja uma tendência. O que tornará a disputa ainda mais acirrada.
sábado, 9 de outubro de 2010
A moda na academia
Causou estranhamento em algumas pessoas o fato de eu, professor Gilson Monteiro, criar o Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguagens, Mídia e Moda (MIMO) no Programa de Pós-graduação em Sociedade e Cultura (PPGSCA) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). É simples! Meu texto “A metalinguagem das roupas” está na eletrônica Estética, da Universidade de São Paulo (USP), no segundo número de 2009, publicado em janeiro de 2010. O texto, produzido em 1996, portanto, tem 14 anos, foi republicado pela USP, uma das maiores universidades da América Latina, em 2009, 13 anos depois, se mantém tão atual quanto na época em que foi produzido. Sou citado como pensador de moda, em função do texto, ao lado de ninguém menos que Roland Barthes, Umberto Eco, Jean Boudrillard, Michel Mafesoli, Nestor Garcia Canclini e Gilles Lipovetisky, entre outros. Aparecer em obras acadêmicas ao lado de pensadores como esses, deve ser motivo de orgulho não apenas para mim, mas, para a Ufam inteira. Com um artigo de final de disciplina no meu mestrado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), produzido há 14 anos, tornei-me pioneiro em apresentar a moda como linguagem, e transformei-me em referência nacional e internacional na área. Pensei: por que não usar todo esse patrimônio acadêmico em pesquisas que gerem artigos e tragam a moda para o patamar de respeito acadêmico que merece? Sem nenhum tipo de pedantismo, as referências que fiz aqui são apenas para explicar o motivo de eu ter criado um grupo de pesquisa para estudar moda.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Presidência da ALE
O deputado estadual eleito pelo PSB, Marcelo Ramos, já disse a que veio. Lançou o nome do deputado estadual Luiz Castro (PPS) como candidato das oposições à Presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE). Nada melhor para o povo do Amazonas do que ter logo uma ideia de como se comportará a nova safra de deputados. É o momento em que todos devem marcar posição e demonstrar se vão seguir cegamente as regras estabelecidas pelo governador ou se vão representar dignamente o povo que os elegeu. O deputado Luiz Castro é um dos nomes mais honrados da ALE do Amazonas, com posições claras e postura ética sempre que trata de qualquer assunto e mereceria ser eleito. O problema é que, nos bastidores, corre a notícia de que o nome preferido do governador Omar Aziz e Marcos Frota. E se a máquina foi usada sem dó nem piedade para vencer as eleições deste ano, não seria usada para vencer na ALE? Estrear com uma derrota para a presidência da ALE certamente não está nos planos de Omar Aziz.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Pedofilia consentida
Ao que tudo indica, não é apenas no Amazonas que todos sabem que a PEDOFILIA existe mas cada um finge que não é com ele. Ontem, um dos portais da cidade denunciou que as Rodovias Federais brasileiras possuem aproximadamente 2 mil pontos de prostituição infantil. Leitores e leitoras, não é possível que ninguém tenha um pingo sequer de indignação com um quadro desses! Como é pode um País desses se arvorar em promover uma Copa do Mundo e chamá-la de Copa Verde? Deveria ser chamada de Copa da Pedofilia, ou Copa da Vergonha. Aliás, para ser mais preciso, Copa dos Sem-vergonha! Prostituição infantil é PEDOFILIA consentida. A bem da verdade, não apenas consentida, mas, incentivada. A cara de alguém precisa mudar de cor. O óleo de peroba tem de deixar de ser acessório de moda para muitos. A vergonha e a indignação precisam tomar o lugar do cinismo e da cretinice. A Pedofilia é uma chaga não apenas local, mas nacional, que precisa ser combatida diariamente e não incentivada. A prostituição infantil é um tipo de PEDOFILIA das mais torpes porque é às avessas: incentivada pelos pais, na maioria das vezes, ancorados no discurso da miséria. Tenho certeza que um dia a sociedade irá se rebelar e deixar de encarar a PEDOFILIA com tamanha naturalidade como o faz agora. Hoje prego cada vez mais no deserto. Confio, porém, que as águas dos rios Negro e Amazonas fertilizarão corações antes insensíveis a se rebelarem definitivamente contra essa mal que assola o País e o Estado.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Mundo dos sonhos
De repente, Manaus se transformou em um “mundo dos sonhos” para os assaltantes. Primeiro foi o episódio lamentável, humanamente repugnante, da humilhação sofrida por Ismael Benigno Neto e seus amigos em sua própria casa. Depois, os assaltantes humilharam, ontem, clientes do Banco Itaú, agência Djalma Batista, antiga agência do Unibanco. Como prêmio da megassena e a greve dos bancários, as casas lotéricas estão entupidas de gente e dinheiro. Logo, são alvos fáceis para novos assaltos. Resta à população ter muito cuidado ao se dirigir a esses estabelecimentos no dia de hoje. Terminadas das eleições, fica a certeza que o “mundo de sonhos” pintado para o Estado era tudo balela. E fica uma pergunta: será que a Secretaria de Segurança Pública não é capaz de prever que todos estamos em perigo com o cenário da greve e do Prêmio Acumulado da MegaSsena?
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Os voos de Braga
Hoje, após as eleições, e com mais clareza sobre os fatos dos últimos anos, fica evidente uma coisa: os voos que o senador eleito pelo Amazonas, Eduardo Braga, preparou para ele são bem mais altos do que a mente de alguns poderia imaginar. Há quem diga que Braga voltará para ser o prefeito da Copa de 2014. Isso só pode ser coisa de quem subestima a capacidade de ambição e de sonho de Braga. Ontem, matutando cá com meus botões, vislumbrei uma coisa: Braga não quer coisa nenhuma a Prefeitura de Manaus em 2014. Pelo acordo costurado, deve ficar mesmo Amazonino Mendes, candidato à reeleição, com o apoio do governador Omar Aziz. Esse deve ter sido o motivo de Mendes (PTB) não ter concorrido à eleição que daria a mais fácil vitória a ele: a deste ano. Braga vem sim é para o Governo do Estado ao final do mandato de Omar Aziz. Agora, sabem o que vai entrar nas negociações para apoiar Dilma Rousseff? O Ministério das Cidades. E ele vai conseguir, podem ter certeza. Por que Eduardo Braga iria querer gerenciar verbas da Copa de 2014 de Manaus, se pode gerenciar as verbas da Copa de 2014 de todas as cidades do Brasil inteiro? De sobra, a vaga do Senado fica para a sua mulher, Sandra Braga. Só aí vão pelo menos mais 12 anos no poder: 4 de Omar e mais 8 de Braga. Quem estiver sonhando em ocupar um desses dois lugares pode tirar o cavalinho de chuva. E mais, quando decidirem aposentar Amazonino Mendes, Omar vem para a prefeitura com o apoio do governador Eduardo Braga. É a conclusão à qual cheguei. Posso estar errado. Mas, também sou apostador.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Lições das derrotas
Ainda que tenha defeitos, e um deles é que nem sempre os vencedores são as melhores escolhas, vide o exemplo que citei ontem aqui, na disputa de maiores conseqüências para a humanidade, pois entre Barrabás e Jesus Cristo, o povo de Israel preferiu o primeiro, sou mais a democracia. O regime ditatorial não dá a opção de se avaliar, voltar atrás quando as escolhas são equivocadas. A democracia permite que se avalie, permite tirar lições das derrotas, erguer a cabeça, dar a volta por cima e lutar por seus sonhos. Um exemplo disso é o governador Omar Aziz (PMN): há 2 anos saiu de uma disputa pela Prefeitura de Manaus, completamente fragilizado, com meros 17% dos votos e hoje é o governador do Estado, reeleito, com mais de 60% dos votos. Superou as adversidades, costurou alianças e, como ninguém, soube usar o fato de ter a máquina na mão, algo que não aconteceu com Serafim Correia, por exemplo. Só após longos anos (e até hoje) a humanidade arrependeu-se do erro histórico cometido. Que as vitórias e as derrotas mudem os políticos. Só assim se reforça a democracia.
domingo, 3 de outubro de 2010
Eleições pacíficas
Apesar de, durante a campanha, principalmente nos últimos dias, os ânimos terem acirrados, o que se viu hoje, pelo menos durante a manhã, foram eleições pacíficas. Qualquer que seja o resultado, espera-se respeito e cumprimento dos preceitos básicos da democracia. Tenho lá minhas dúvidas e faço sempre questão de deixar muito claro que as escolhas democráticas, às vezes, nem sempre são as mais corretas. Entre Barrabás e Jesus Cristo, o povo de Israel preferiu o primeiro. Ainda assim, em nome dos preceitos da democracia, o resultado teve de ser respeitado. Naquelas eleições, como em quase todas, há sempre componentes imponderáveis e manipulações grosseiras durante o processo. Ainda que tenha restrições, dentre os processos de escolha, o democrático tem a minha simpatia. É fato que nas eleições de hoje a sujeira na cidade beirou o absurdo. Creditemos, porém, à ressaca da democracia e que essa saia fortalecida.
sábado, 2 de outubro de 2010
Exijo respeito!
Cansei! Sou um profissional cuja capacidade de trabalho é reconhecida não apenas no Amazonas. Vivo em um País democrático e jamais irei me curvar ao clima de medo e terror que tentaram me impor desde a semana passada e que culminou com a prisão de um estudante dentro do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), no dia 24 de setembro de 2010. Nesta mesma data, eu e a professora Amazoneida Sá ficamos sitiados na sede da Adua-Secção Sindical acossados pelo receio de sermos presos pela Polícia Federal. Quatro agentes desta corporação, segundo Ives Montefusco, o convidaram ir à sede do Tribunal Regional Eleitora (TRE) presta esclarecimentos sobre os folhetos que ele tinha em mãos. Eram folhetos que convidavam para a marcha “Todos contra pedofilia”, que seria realizada no dia seguinte, sábado. Lidero o movimento dentro da Ufam, e daí? Tenho razões de sobra para fazê-lo pois trabalho jornalisticamente com o tema desde 2006 e, para completar, fui covardemente agredido em 11 de maio de 2009, quando a Ufam foi invadida por dois irmãos do governador Omar Aziz e, um deles, Amin Aziz, agrediu-me com socos e pontapés além de ter descarregado um revólver imaginário sobre mim numa ameaça clara de morte. Cito o lema da campanha “Todos contra a pedofilia”, “quem cala também violenta” para relembrar que não se tem notícia, até hoje, de que a Ufam institucionalmente, tenha tomado qualquer medida relativa ao caso. No mínimo, o senhor Amin Aziz teria de ser denunciado não apenas por mim, mas pela Ufam, por ter invadido o local de trabalho de um profissional e o agredido. Do dia 11 de maio de 2009 ao dia 24 de setembro de 2010 a situação agravou-se! A Ufam foi invadida por Policiais Federais e um estudante foi retirado do Campus: a inviolabilidade do Campus e a Liberdade de Cátedra, mais uma vez, foram jogadas na lata do lixo. Tudo porque alguém se acha no direito de monopolizar a palavra “pedofilia” e um juiz entende que citar tal palavra é associá-la ao governador. Tenham a santa paciência! Estou com perda de 50% da audição como resultado da agressão. Vivo um clima de pânico e terror cada vez que uma motocicleta emparelha com meu carro. Todas as vezes que isso acontece me vem à mente a cena do senhor Amin Aziz descarregando uma arma sobre mim. Chega! Serei obrigado a pedir proteção e asilo político em plena democracia? Será mesmo que aquela invasão da Ufam e agressão por mim sofrida, praticada por Amin Aziz, irmão do governador, foi um ato isolado ou uma tentativa de calar a Ufam e quaisquer de seus professores? Não vivemos na ditadura e, ainda que o fosse, a Ufam, pela sua história democrática, tem a obrigação de se manifestar contra práticas truculentas, autoritárias e ditatoriais em quaisquer centímetros de terra deste Estado, do País e do mundo. A situação beira o absurdo quando a Instituição tem seu Campus invadido por Policiais, um estudante é preso e seus professores são procurados como se fossem bandidos, ameaçados de prisão por exercerem o direito democrático e sagrado da liberdade de expressão e o que sobra de tudo isso é o silêncio. Não sou covarde e não quero ser conivente com a covardia institucional da Ufam. Ontem, dia 1 de outubro de 2010, em ofício dirigido ao diretor do ICHL, professor doutor Nélson Matos de Noronha, solicito “garantias de que poderei exercer minhas funções sem ser importunado por um agente das Polícias Federal ou Militar.”Solicito, ainda, que a Ufam se manifeste oficialmente sobre o problema, tomando providências legais para garantir tanto o exercício das minhas atividades sem a pressão de ser perseguido por policiais Federais ou Militares, quanto que represente judicialmente contra o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e contra a Polícia Federal pela ação não-autorizada realizada dentro da Instituição. Não aceito ter sido procurado como se fosse um criminoso dentro do meu próprio local de trabalho. Não cometi crime, nem em maio de 2009 nem agora. Se há criminoso nessa história, não sou eu. Em outro ofício, dirigido ao novo presidente da Adua-Secção Sindical, professor Antônio Oliveira, solicito que seja feita uma representação jurídica contra a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) por não me ter garantido (e ainda não garantir) cabalmente o exercício da minha função, bem como questionar judicialmente o fato de, até agora, a Ufam não ter tomado a iniciativa de denunciar e representar criminalmente contra o senhor Amin Abdel Aziz por ter invadido o espaço físico da Instituição e agredido e ameaçado de morte um dos seus trabalhadores. Se alguma medida Institucional, foi tomada, além da denúncia por mim protocolizada no Ministério Público Federal (MPF), que todos saibamos em que pé está a situação. Só não vou mais admitir é o silêncio pois a falta de posição oficial da IES desde maio de 2009, simbolicamente, me faz crer que a Instituição corrobora com o ato de violência contra mim cometido. E se isso for verdade, que haja uma manifestação clara da própria Ufam. Conquistei o direito de ser trabalhador por concurso público provas e títulos e exijo respeito.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
A mão (nada) invisível do Estado
No capítulo “A mão invisível do Estado e a concorrência em Manaus” da minha tese “Por um clique: o desafio das empresas jornalísticas tradicionais no mercado da informação – Um estudo sobre o posicionamento das empresas jornalísticas e a prática do jornalismo em redes, em Manaus. 2002. 309p. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação): Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2003”, o então presidente do Sindicato das Empresas de Jornais (Sineja), Guilherme Aluízio de Oliveira Silva, foi enfático: “Eu duvido muito que um jornal que não negocia a sua verdade, sobreviva”. A frase é lapidar e resume quem dita as regras da imprensa em Manaus. Eu já sabia disso há muito tempo, desde quando trabalhei em jornais. Só não tinha uma prova tão cabal como a que apresento na tese defendida na Universidade de São Paulo (USP). Porém, outra coisa eu não sabia: que, em plena democracia, teríamos a volta da repressão desmedida e que o Estado demonstraria a força não apenas da sua “mão invisível”, mas do corpo inteiro. Como um dos líderes da marcha “Todos contra a pedofilia”, enfrentamos manobras, prisão de estudante e uma tentativa clara de nos intimidar (a mim e à professora Arminda Mourão) com o boato de que nossa prisão estaria decretada. Fizemos a caminhada, sábado, dia 25 de setembro de 2010 (para quem não sabe, data do aniversário de Sena Madureira, cidade onde nasci). Em seguida, viajei a serviço do Ministério da Educação (MEC), só retornando a Manaus ontem. Ao navegar pela Internet, descubro que a marcha fora dispersada a pedido do governador. E onde li? No jornal Folha de S. Paulo. Bem, nada mais a comentar ou declarar.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Nobel da Paz
Nem tanto ao céu nem tanto ao mar prega a sabedoria do povo. Essa história de apontar a Internet como candidata ao Prêmio Nobel da Paz mais parece uma demonstração pública da piração total que o vício de ficar em frente a um computador dias e dias pode provocar. Usuários das redes sociais do mundo inteiro saíram com essa de que a Internet é a “mais moderna promotora da paz”. Oras, convenhamos, a Internet não promove nada: nem a paz nem a guerra. Os usuários que se utilizaram desse emaranhado de redes sim, promovem tanto uma quanto a outra. A Internet é o suporte, é a rede física, logo, não tem a menor possibilidade lógica de promover alguma coisa, muito menos a paz. É certo que algumas pessoas utilizam a estrutura da rede para se encontrar, bater-papo, trocar ideias, mas, daí a dizer que é a Internet que atua na promoção desses encontros é tão cândido que beira a inocência. Prefiro acreditar que tudo não passa de mais um desses fakes que circulam pela rede. Não posso crer que pessoas sãs imaginem um premido desses para a rede das redes.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Ilha de Guriri
A vida se nos apresenta surpresas que demonstram o quanto vale a pena viver. Como avaliador do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anysio Teixeira (Inep), fui designado para compor uma equipe de avaliação em São Mateus, município do Espírito Santo localizado a 180km, ano Norte de Vitória. Tudo teria sido muito normal, muito igual, se não tivesse conhecido a Ilha do Guriri, ou simplesmente Guriri, um bairro que fica a 13km de São Mateus. Trata-se de um paraíso, tranqüilo, pouco habitado, praias quase desertas, afora quando é Carnaval, um povo acolhedor e um ar inteiramente a seu dispor. Uma paisagem linda, local ideal para se descansar após um dia duro de trabalho de avaliação. Aos amigos que queriam um toque de tranqüilidade com uma internet banda larga de primeira indico tirar alguns dias de descanso em Guriri (veja as fotos). Depois você pode esticar um pouco mais e ir à Praia do Riacho Doce. É muito pouco provável se arrepender. Mas o conselho de todos do lugar é que, se você quer paz e tranquilidade, não venha no Carnaval. Fica a dica.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Operação inocência
Há pouco mais de um ano a Polícia Federal deflagrou a “Operação Inocência”, no Amapá, e quatro pessoas da elite do estado foram presas por prática de PEDOFILIA, palavra proibida pela justiça eleitoral no Amazonas. Recentemente, há quatro dias, A Polícia Federal gravou telefonema do presidente do Tribunal de Contras do Estado do Amapá (TCE-AP), José Júlio de Miranda Coelho, 63 anos, a uma menina de 14 anos. De acordo com o inquérito da PF, Miranda Coelho fazia pagamentos mensais à mãe da menina. Esse tipo de prática não ocorre apenas no Amapá, é comum no interior do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e muitos outros estados brasileiros e nada é feito para se por um fim a esse tipo de exploração. Essa menina de 14 anos teve a infância roubada pela mãe, pela família e pelo seu violentador. São criminosos a mãe e o presidente do TCE-AP, que se aproveita da miséria da família da menina para trocar dinheiro por favores sexuais. Não é possível que cada um de nós, pais que preservamos a infância e a inocência dos nossos filhos, admitamos tal situação. Será possível que o poder e o dinheiro, que as benesses individuais superem o valor moral de se preservar a inocência e a infância de uma criança? O Inquérito da PF que investiga um esquema de corrupção no governo do Amapá, terminou por revelar que o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AP), José Júlio de Miranda Coelho, 63 anos, teria mantido relações sexuais com menores. A Polícia Federal enviou relatório ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), dando conta que Miranda Coelho mantinha financeiramente uma mulher e duas filhas dela em troca de favores sexuais. Uma FALTA DE VERGONHA SEM precedentes “na história deste País!”
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Oposição envergonhada
O sociólogo Alberto Almeida fez ontem, no programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes, uma das análises mais corretas que já vi (e neste caso vi e ouvi) sobre o momento atual do País. Foi de uma perfeição cirúrgica ao dizer que todos sabemos o que é o Partido dos Trabalhadores (PT): “defende a presença maior do Estado para reduzir as desigualdades. E o PSDB, o que é?” Bem, nem eu nem você, meu leitor, minha leitora, sabemos. E isso ficou muito claro na campanha eleitoral deste ano, principalmente de José Serra. Enquanto há um número quase infinito de pessoas que apóiam o Governo Lula e querem a continuidade, Serra não sabia o que falar. É como disse o mesmo Alberto Almeida: “a estratégia dele era não ter estratégia, ia para um lado e paro o outro ao saber dos acontecimentos. É o que se chama de estratégia folha seca, ou seja, não ter estratégia. Por isso vai perder a eleição”. A manchete de hoje do site UOL revela que o sociólogo acertou na mosca: “Serra muda estratégia e evita o confronto com Dilma”, referindo-se ao debate de ontem na TV Record. Isso é tão evidente que, no início da campanha, sem ter o que dizer e com uma vergonha imensa de defender o Governo Fernando Henrique Cardoso, Serra e seu vice inventaram um factóide sobre as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (FARC). O tiro de misericórdia de Alberto Almeida no PSDB e em Serra ocorreu quando ele questionou: ”Por que não defendem as privatizações da telefonia, por exemplo? Hoje cada brasileiro tem um telefone por causa dela. O mesmo modelo poderia ser proposto para as estradas brasileiras. Mas o PSDB tem vergonha de defender o estado mínimo. O Serra é mais interventor que o Pallocci.” Em seguida, no mesmo programa, o historiador Marco Antônio Villa completou os erros históricos da oposição que permitiram a Lula se recuperar e atingir os níveis de popularidade de hoje que o tornam praticamente imbatível: ”A oposição poupou o presidente Lula na época do mensalão, quando ele estava extremamente fragilizado. Em nome de uma tal governabilidade perderam o momento histórico. Lula recuperou-se durante o segundo mandato e hoje atinge índices de popularidades que o comparavam a Getúlio Vargas. Antes tínhamos o getulismo, hoje temos o lulismo”. Tive uma verdadeira aula de análise de cenário e decidi partilhar com meus leitores e leitoras.
domingo, 26 de setembro de 2010
Analfabetismo político
Impressiona-me o nível do medo e do analfabetismo político dentro da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Em tempos idos (e não muito idos) jamais qualquer tipo de Polícia, nem mesmo a Federal, faria quaisquer tipos de operação dentro da Instituição sem, no mínimo, o dirigente ser avisado. Ainda assim, dificilmente um estudante seria retirado do ambiente da Ufam e “conduzido” (pode-se usar o eufemismo que bem se entender para prisão) ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Sexta-feira o fato ocorreu, foi notório, e, ainda assim, tanto a direção maior da Instituição quanto as entidades sindicais encararam o fato com a maior naturalidade do mundo, como se nada tivesse acontecido. Panfletos do movimento “Todos contra a pedofilia”, que convidavam para a “Grande marcha Todos contra a pedofilia, a exploração do trabalho infantil, o tráfico de mulheres e o Turismo Sexual com Crianças e Adolescentes”, foram apreendidos e um estudante “conduzido” ao TRE por policiais federais. Para completar, na madrugada do dia seguinte, circulavam notícias de que a prisão preventiva de dois professores estaria decretada. Nem assim, diante de tanta repressão e violência, ainda que velada, as pessoas se tocaram para a gravidade do fato e do momento político no Estado e na Instituição. Não é a primeira vez que a Ufam é invadida. Ano passado, fui agredido por pronunciar a palavra-proibida: PEDOFILIA. A viseira política é tamanha que ninguém consegue ver nada de grave nas ameaças constantes ao estado democrático de direito e às liberdades. Oh quantas saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha Ufam querida, que não se calava jamais. Hoje ela vive acuada, escrava de projetos e assessorias. E que se dane o mundo que eu não me chamo Raimundo. E que se dane seja quer for, até por agredir professor. Pois só será crime e castigo, se for comigo.
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sábado, 25 de setembro de 2010
O império do medo
O Brasil, e em especial o Estado do Amazonas, passam por um momento que talvez não se tenha vivido nem nos piores anos-de-chumbo. Hoje, pela manhã, eu, professor Gilson Monteiro, e a professora Arminda Mourão, fomos surpreendidos por um boato de que nossa prisão preventiva teria sido decretada e que os agentes da Polícia Federal iriam à Praça da Saudade para cumprir o mandado. Nossa primeira reação foi reunir as pessoas que nos apoiavam na empreitada e comunicar a alguns dirigentes da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua-Ufam) o que estava ocorrendo. Lá pelas 9h, às voltas com advogados na ponta da linha, políticos e pessoas que nos prestavam solidariedade, percebemos que o objetivo tinha sido atingido: desmobilizar e espalhar o medo. Decidimos: vamos à Praça da Saudade, faremos a caminhada com quem lá estiver (inúmeras pessoas já sabiam do ocorrido e desistiram). O clima era de medo. Em cada olhar, se percebia a tensão. Enfrentamos. Alertamos a sociedade para o problema. Manaus ocupa o primeiro lugar, juntamente com Rio de Janeiro e Fortaleza, nas denúncias de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. São 36 denúncias diárias, o que dá retirando-se os sábados e domingos, 5.400 denúncias a cada 30 dias. “Quem cala também violenta”. Não calarei como não calo desde setembro de 2006, quando, no Caderno de Ciência e Tecnologia revelamos números estarrecedores: dos crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes, 70% são contra meninos ou meninas com idade entre 9 e 12 anos. Não é possível que isso não te toque, não te deixe indignado, meu leitor, minha leitora. Afora isso, tenho motivos pessoais de sobra para nunca mais abandonar este movimento. Quem Não tem memória curta sabe quais. No mais, àqueles que dizem ser oportunismo falar do tema PEDOFILIA agora, fica a pergunta: distribuir rabetas e casas-de-farinha no interior em plena campanha também não seria oportunismo? Esse discurso purista de que PEDOFILIA é a vaca-sagrada do Amazonas pode convencer a muitos, não a mim.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Serenidade e equilíbrio
Na lista da Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Ciências da Comunicação (Compós) a última discussão mais acalorada era se o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo deveria abrir ou não as portas para manifestações contra a imprensa. Ontem, recebemos um e-mail do colega Tomás Barreiros, que é Jornalista, professor universitário, presidente do Instituto Cultural de Jornalistas do Paraná, Diretor Regional Sul do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Especialista em Língua Portuguesa e Mestre em Comunicação e Linguagens. Fiquei encantado com o equilíbrio e a serenidade. Disse a ele que buscaria essas duas coisas como meta para os meus textos e solicitei autorização para publicá-lo. Queria partilhar com os leitores e leitoras do meu Blog tão sábias palavras. Ei-las: “Aprecio acompanhar esse tipo de debate, extremamente democrático, em que se manifestam variadas correntes, dos defensores do socialista radical Plínio Sampaio aos adeptos do neoliberal José Serra. São debates necessários e interessantes, embora sempre me pareça que ninguém convence ninguém - todos já têm suas posições bem firmes (rsrsrs). O que é de espantar, isso sim, é a intolerância de alguns em relação às posições contrárias, assim como as tentativas de depreciar quem pensa diferente, sob qualquer pretexto (um erro ortográfico, por exemplo, que por si só não aponta se a ideia defendida por quem o comete merece ou não consideração - afinal, não falta gente que tem um espetacular domínio da língua e ideias dificilmente sustentáveis). Ora, todos têm o direito de pensar o que quiserem e manifestar livremente seu pensamento. Isso se chama democracia. Senão, corremos o risco de adotar aquela máxima: "Há democracia quando você concorda comigo; autoritarismo acontece quando você discorda...".
O debate levanta para mim diferentes questões - para algumas, tenho minhas respostas, para outras, não. Por exemplo:
1) Será que ainda é sustentável a ideia de que a grande mídia busca realmente a "imparcialidade" e a "isenção"?
2) Alguém conseguiria provar que qualquer veículo da grande mídia é verdadeiramente equilibrado no trato da política?
3) É possível acreditar que a Folha de S. Paulo é um veículo honesto, que tem como princípio norteador o interesse público?
4) Não seria mais honesto um modelo em que cada veículo defendesse abertamente suas posições, sem fingir (e até alardear nas peças publicitárias) uma suposta imparcialidade que não tem?
5) Ainda devemos ficar espantados ao constatar que este ou aquele veículo, de qualquer linha que seja, mesmo alardeando uma falsa imparcialidade, faz tudo que pode para favorecer alguns e prejudicar outros?
6) Pode-se defender que o jornalismo publicista foi realmente superado e vivemos hoje um modelo de "objetividade"? Aliás, ainda há alguém que acredite na possibilidade de "objetividade" na mídia?
7) O poder econômico dos grandes grupos midiáticos está a serviço do interesse público ou dos interesses próprios desses grupos?
É perfeitamente aceitável que um jornalista seja adepto de ideias de esquerda, centro ou direita. O que parece inconcebível, ao contrário, é que um jornalista não pense em como se autodefinir diante das questões políticas e ideológicas. E também que um jornalista não tenha espírito crítico. Se o jornalismo não é crítico, não pode ser bom jornalismo, não é mesmo? E crítico em relação a tudo e todos: governo e oposição, mídia de direita e de esquerda.
Outra questão que me preocupa é a cobertura da mídia em relação ao projeto da "Ficha Limpa". Parece coisa de torcedor e não de jornalista. É claro que é louvável desejar que candidatos a cargos públicos eletivos não possam ter "ficha suja", mas outra coisa é não analisar os aspectos legais e torcer para que a lei vigore a qualquer custo, inclusive com o sacrifício de preceitos basilares do nosso edifício jurídico. O STF talvez julgue a lei inconstitucional, exatamente porque a lei é inconstitucional. Há um princípio consagrado no Direito, absolutamente fundamental: a lei não pode jamais retroagir em desfavor do réu. Se se admite que, por um casuísmo, pressão da mídia ou mesmo a pretexto de um muito bem intencionado desejo de melhorar a política, viole-se um princípio constitucional básico, há o risco de abalarmos a base de nossos edifício jurídico. E como dizia Tomás Morus no filme "O homem que não vendeu sua alma": até ao diabo deve-se dar todos os privilégios da lei, porque se destruirmos o edifício jurídico não teremos depois onde nos abrigar."
OBS: Professor, obrigado pela lição e pela autorização. Que todos sejamos capazes de refletir sobre suas palavras e sejamos mais tolerantes em prol do fortalecimento da democracia.
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Lula, o Senhor de todas as verdades
Extremistas de direita e de esquerda são lixo para a democracia. Ontem, em São Paulo, no Largo do São Francisco, um manifesto em defesa da democracia, da liberdade de imprensa e de expressão, assinado por mais de 380 pessoas, entre elas o jurista Hélio Bicudo, o cardeal arcebispo emérito de São Paulo D. Paulo Evaristo Arns, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso, atores e intelectuais como Ferreira Gullar reagiu contra os ataques virulentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que dentre outras bobagens e baboseiras, diz que a imprensa age como partido político e quem ninguém precisa mais de formadores de opinião neste País. Quer dizer, então, presidente, que o povo só deve acreditar na “TV Lula”, uma cadeia de TV chapa branca criada pelo senhor para se sobrepor às TVs Educativas? Então, todos nós só devemos confiar em um único formador de opinião, o senhor? O senhor é a verdade e a vida, aquele que não o seguir será condenado ao fogo do inferno? Presidente, está na hora de o senhor baixar a bola: a Venezuela não é aqui. Não me faça morrer com o arrependimento eterno de ter votado LULA LÁ nas quatro últimas eleições das quais o senhor participou crente de que eras um dos maiores defensores da democracia e dos direitos individuais neste País. E que tinha esse discurso por convicção. Ultimamente, cada vez que o senhor abre a boca (e são muitas vezes, e todos divulgam, mesmo os que o senhor ataca direitamente: isso é democracia) tenho a sensação de que o seu discurso em favor da democracia e da liberdade era pura conveniência, fazia parte de um plano para chegar ao poder e nada mais. Se o roubo, a sujeira, o tráfico de influência, o mensalão forem de José Roberto Arruda (que era do DEM) e amplamente divulgados pela imprensa não é golpe, mas quando o mensalão, o tráfico de influência e sujeira são do Planalto, é golpe? Presidente, os oito anos de poder contaminaram as suas convicções. As relações quase siamesas com Hugo Chavez também. Tem passado pela sua cabeça tomar todas as emissoras de televisão que não noticiarem coisas favoráveis ao seu Governo? O senhor, em algum momento que se revelam o aparelhamento e o tráfico de influência na Casa Civil pensou em confiscar, fechar ou nunca mais deixar que publiquem uma linha nos jornais que não disserem que do Palácio do Planalto só exalam aromas de rosas? Começo a ficar preocupado e perco, a cada dia, a admiração que cultivava. Tenho a convicção que o senhor é o maior fenômeno de massas deste País, talvez maior até que Getúlio Vargas, mas, por favor, não se deixe inebriar pelos picos de popularidade. Piso no freio do populismo barato que o senhor adora praticar. Porque um Deus, um Senhor de todas as verdades, quando não respeita as opiniões divergentes, transforma-se em um ditadorzinho desprezível.
OBS: Aos reacionários e babacas de Plantão que, ao lerem o meu texto, pensarem “mas quem esse Gilson pensa que é para falar do presidente” um aviso: sou CIDADÃO brasileiro, acreano de Sena Madureira, com muito orgulho. E isso me basta para ter o direito sagrado de opinar. Ponto. Tenho dito!
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Liberdade, liberdade...
São poucas as pessoas que não lembram do grito “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós e que a voz da igualdade, seja sempre a nossa voz”, a ecoar no sambódromo carioca, em 1989, quando entrara na passarela a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense. O refrão do samba de enredo, composição de Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Juarandir, me veio à memória ao ler, no Twitter, o pensamento de Voltaire: “POSSO NÃO CONCORDAR COM NADA DO QUE VOCÊ DIZ, MAS DEFENDEREI ATÉ A MORTE O SEU DIREITO DE DIZÊ-LO”. Não demorou, e no Canal GloboNews, no programa “entre” (entre aspas), o professor de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Eugênio Bucci, dentre outras coisas, soltou a frase: "a liberdade existe para que as pessoas expressem suas diferenças." Quantos de nós, e até eu mesmo, não arrostamos todos os dias que somos democráticos, defendemos a liberdade, mas não aceitamos quando as pessoas expressam suas diferenças? Quem de nós consegue se libertar do preconceito, dos comentários maldosos? É cômodo se dizer libertário e defensor da democracia, mas, por dentro, morrer de ódio quando alguém discorda da sua opinião, ou seja, expressa suas diferenças. O exercício da liberdade é uma conquista diária e só se amplia quando conseguimos nos libertar dos conceitos e preconceitos. Em não sendo assim, o que se vê é um discurso hipócrita, vazio e patrulhador. Fujamos todos dessa prática, pois, ser culto não significa “um ser humano pleno, completo e sem defeitos”. Quem confunde cultura com perfeição, talvez seja mais um patruladorzinho de meia-tijela travestido de adolescente contestador.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Centro fétidico
Depois do debate de ontem para o Governo do Estado, recuso-me a falar de política hoje. Sobre o que falar, era a dúvida. Lembrei-me! Sábado decidi pegar meu filho e dar uma volta no centro de Manaus. Uma experiência inesquecível: me fez lembrar aquela história de que os vereadores de Manaus não ficam no plenário porque estão no banheiro. O centro de Manaus, pelo menos no último sábado, era um banheiro público a céu aberto sem uma única pessoa para fazer a limpeza. E, certamente, ninguém se lembrou de puxar a descarga. Mais próximo do horário do almoço dava ânsia de vômito. Pensei: essa cidade não tem prefeito? Mas, como assumi o compromisso de não falar em política hoje, deixo apenas o registro com um protesto: o centro de Manaus não merece a sujeira em que foi transformado a ponto se de poder compará-lo a um banheiro. Algo preciso ser feito com urgência para mudar esse estado de coisa.
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O discurso das propostas
Fico a me perguntar: a quem interessa essa história de discurso das propostas? A quem está no poder, é claro. De repente, baixa sobre a sociedade um discurso do messianismo na política: todos devem respeitar os adversários e apenas apresentar propostas. Enquanto isso, na grandiosíssima maioria da mídia, como por exemplo, na rádio que espalha por todos os lugares da cidade que “toca a eleição”, no entanto, mais parece “tocar a campanha do Omar”, o pau canta em cima de Alfredo Nascimento. Enquanto o governador-candidato (ou o candidato-governador, aliás farei um post só sobre o assunto), fica soltinho para posar de bom-moço e apresentar suas propostas. Na mídia, se alguém fala algo que possas respingar na administração atual, vem a resposta pronta: “eu queria pega um ônibus pela BR-319”. Se a saúde vai mal e a educação é péssima no Estado a culpa é da BR-319. A segurança também é sofrível porque a BR-319 não foi concluída. Ninguém diz que a BR nunca saiu do papel e talvez nunca saia por uma ação orquestrada de Marina Silva e dos ambientalistas e de gente muito poderosa do Estado que tem mais interesse em estrada-de-ferro e navegação. Não há puros de nenhum dos lados e, por favor, não me venham com essa do discurso das propostas porque a população precisa saber, por exemplo, que Manaus ocupa o primeiro lugar, ao lado do Rio de Janeiro e de Fortaleza, nas denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes. O Conselheiro Tutelar João Furtado revelou dias desses, em um dos jornais de Manaus, que são 36 denúncias por dia. Isso equivale uma média de 180 denúncias a cada cinco dias e a 5.400 denúncias a cada 30 dias. Quer dizer que esses números não devem ser mostrados? Quem quiser votar em Omar (ou em Alfredo) que vote, mas não me venham com essa de bom-mocismo que não aceito!
domingo, 19 de setembro de 2010
Em nome de Deus
O preceito bíblico “não usar o santo nome de Deus em vão” é o mais vilipendiado nesta campanha eleitoral. Pastores, cristãos, protestantes e à-toas encobrem-se com pele de cordeiro, falam em Deus a toda hora como se fossem os mais cândidos e crentes seres da face da terra. Como disse Gilberto Gil, a hipocrisia é intrínseca à vida em sociedade. Na política, então, deve ser a regra basilar. Alguns programas políticos causam asco. É nítido que exploram a boa fé das pessoas para ganhar votos. A religião fica acima da razão e o que se tem é um tipo de cabresto do Senhor. Em nome de Deus grande parte deles faz coisa que deixaria o capeta com o rosto rosado de vergonha. Se acreditassem mesmo em Deus o tanto que pregam, temeriam um castigo pela forma como usam o nome dele em vão.
sábado, 18 de setembro de 2010
Gás na campanha
A aparição de quase 4 minutos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parece ter dado um gás à campanha de Alfredo Nascimento (PR) que ganhou as ruas. Hoje, nas esquinas da cidade militantes pró-Alfredo rivalizavam cabeça-com-cabeça contra os pró-Omar. O discurso “Todos contra a pedofilia” também parece ter encaixado, pois vi adesivos “Todos contra a pedofilia, Alfredo 22”. Muitos carros já circulam com o adesivo abertamente. Ao que tudo indica a ação da Polícia Federal contra o jornalista Braz Silva desencadeou uma onda de revolta da população, pois os argumentos para justificar a tal ação não se sustentaram. A campanha entra na reta final, pega fogo, mas a verdadeira pesquisa só apresenta os resultados no dia 3 de outubro.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Sanha destruidora
Não entendo a sanha destruidora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele mais parece um Hugo Chavez arrependido. É como se, no íntimo, sonhasse em só sair da Presidência quando morrer. E, intimamente, culpa o DEM e o PSDB por não permitirem a transformação deste sonho ditatorial em realidade. Aí, me aparece o José Dirceu, ideólogo do PT, quase o alterego de Lula, com uma frase, publicada em um dos jornais da cidade, de cair o queixo: "O problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa". Convenhamos! O sonho de consumo do PT deve ser uma mídia que não denuncia o mensalão, as relações obscuras do filho do presidente com a Oi e, agora, as traquinagens lobísticas do filho de Erenice Guerra. E sabem quem denunciou: a VEJA, essa “revistona direitona”. Aposto que um dos nossos colegas que adora esse populismo de esquerda do Lula nem divulgaria. Pois sou democrático, adoro oposição e tenho uma admiração profunda pelo Arthur Neto, a despeito de, segundo ele, ter aceito o apelo dolorido de uma mãe no episódio que é uma mancha na sua carreira política, e sinto MUITA RAIVA de quem, desavergonhadamente, usa a força do dinheiro, do poder e do aparelhamento do estado com o único desejo: destruir politicamente o senador. Arthur Neto representa o ponto de equilíbrio da democracia brasileira. Com seus rompantes tão duros a ponto de prometer umas sovas ao presidente, Neto segurou a CPMF, provou que era um dinheiro em excesso e mantém uma oposição saudável para democracia do País. Não quero nem ditadura de direita nem de esquerda no Brasil. Quero liberdade! E não aceito esse discurso e essa prática populista de um presidente que ajudei a eleger. Plínio de Arruda Sampaio, apesar de você ter criado esse mostro chamado PT, não tenha dúvidas: se você tiver apenas um voto no Amazonas, saiba, é meu. Contra a sanha destruidora! Contra o ataque avassalador à liberdade de imprensa, meu voto é teu! Meu voto é a única forma que tenho de, na prática, dar cabo a minha indignação.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O bom pai...
Na Bíblia, quem foi embora da casa do pai, gastou tudo e só restou o pecado fora o filho. Na política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia abandonado o filho pródigo, Alfredo Nascimento (PR), seu ex-ministro dos Transportes, aplicando-lhe o castigo da orfandade por quase a campanha inteira. Aproveitando-se até então do silêncio sepulcral de Lula, a tchurma de Eduardo Braga (PMDB) espalhou para todos os lados que Omar Aziz (PMN) também era o “candidato do Lula”. Já nos descontos, como o foi a vitória do Flamengo ontem contra o Grêmio Prudente, Lula aparece na televisão pedindo votos e declarando oficialmente que o candidato dele é Alfredo Nascimento. Confesso que até eu apostava que Lula não mais faria isso. Quebrei a cara. O episódio revela uma coisa: uma pessoa falava a verdade o tempo inteiro e uma turma, inclusive o candidato à reeleição, mentiu deslavadamente ao povo do Amazonas. É um bom indicador para decidir em quem votar. Que já começa a campanha pela mentira e uma vontade contumaz de enganar o povo fará o quê se governar o Estado. Reflita!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Circuito da fé
Há dois dias estou no município paulista de Cachoeira Paulista a trabalho. Trata-se de um município brasileiro localizado na microrregião de Guaratinguetá. Sua população de aproximadamente 35 mil habitantes triplica em meados de todos os meses de dezembro quando ocorrer um dos maiores eventos da comunidade cristã do País: o Hosana Brasil. Chega a circular pela cidade aproximadamente 200 mil pessoas na época do evento. Elas aproveitam para fazer o chamado “circuito da fé”, composto por uma visita a Aparecida do Norte, a Guaratinguetá, com a peregrinação de Frei Galvão, e à Cachoeira Paulista. É no município que se localiza a Comunidade Canção Nova, criada em 1972 pelo Monsenhor Jonas Abib e amigos. Hoje a Canção Nova é a maior atividade econômica da cidade, a segunda conta dos Correios na distribuição de produtos por encomendas do Brasil e lidera o processo de evangelização via Meios de Comunicação por intermédio da Rede Canção Nova de Televisão e Rádio.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Racionamento de energia
Embora a Amazonas Energia não admita, há muito se pratica em Manaus uma espécie de racionamento não declarado. Lembro-me até já ter tocado no assunto. Volto a ele porque ontem vários bairros da cidade ficaram às escuras. Em não sendo racionamento, ou seja, desligamento programado do sistema, o problema é ainda mais grave: Manaus estaria no limite da capacidade de geração de energia, à beira de um colapso. As autoridades do setor teem o dever de esclarecer a população sobre o grau de gravidade do problema. O prejuízo com a avaria de aparelhos eletrodomésticos é imenso mas pode ser muito maior se ocorrer um apagão.
Fio-da-navalha
O sistema de transporte aéreo no Brasil está por um fio. Não se trata de uma impressão, mas sim, de uma constatação. Ontem, ao viajar de Manaus para São Paulo, houve conexão no Aeroporto de Várzea Grande e Cuiabá. Para um Aeroporto apinhado de gente, o banheiro masculino possuía apenas dois pontos funcionando. A fila era imensa num momento em que as pessoas trocam de aeronave sem que possam passar uma água no rosto e fazer suas necessidades básicas: quem quiser fazer mais do que “verter água” passará por vexame e momentos de intensas “emoções”. Aquele Aeroporto opera acima do limite. Bem, imaginei que outra realidade seria encontrada no Aeroporto Internacional André Franco Montoro, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Ledo engano. Na área de recepção de bagagens apenas uma esteira para dois vôos superlotados: espera mínima de 40 minutos. Banheiros da área com três pontos funcionando. Fila imensa: um caos. Os aeroportos brasileiros estão no limite máximo de uso e novo apagão aéreo não pode ser descartado. Até quando a população aceitará ser tão maltratada?
domingo, 12 de setembro de 2010
Esquinas sombrias
Algumas esquinas de Manaus, durante a madrugada, são sombrias. Travestis, prostitutas bem como crianças e adolescentes são o pano de fundo de um cenário aterrorizante e entristecedor. Isso parece explicar o porquê de a cidade liderar o ranking, juntamente com Rio de Janeiro e Fortaleza, das denúncias de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes do Disque 100. Algo precisa ser feito. Essas pessoas necessitam de acolhimento, de amor, de tratamento para que cada uma delas possa ser incluída no convívio social e parem de usar as madrugadas como a única forma de “ganha-pão” nas esquinas da cidade. Uma política pública de combate a esse tipo de violência só funciona se for pensada com o objetivo da inclusão e não da mera punição. O movimento “Todos contra a pedofilia” não pode se limitar ao período das eleições nem ser associado a este ou aquele candidato. Pedófilos, todos, segundos os especialistas, não respondem ao tratamento: são doentes sem cura. Para eles, portanto, o acompanhamento constante é essencial. É, também, fundamental, que haja combate intenso, para evitar os assédios, pois hoje, cada vez, mais meninas e meninos iniciam-se sexualmente como forma de arrecadar uns trocados a mais para as famílias carentes. Disse se aproveitam os inescrupulosos para explorar a miséria alheia e satisfazer seus instintos bestiais. Quem dos dois candidatos com mais possibilidades de vitória no Amazonas tem uma política pública de combate a essa vergonha que é Manaus liderar o ranking das denúncias de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes? Quem apresentar um Programa consistente sobre o tema leva o meu voto.
Dois neurônios
Dia desses que o juiz eleitoral Carlos Zamith Jr. teria dito não ser preciso usar nem “dois neurônios” para relacionar as camisetas “Todos contra a pedofilia” à tentativa de manchar a imagem do governador Omar Aziz (PMN), candidato à reeleição. Pois não é que ontem, dois delegados da Polícia Federal foram ao apartamento do jornalista Braz Silva averiguar evidências da “compra de votos”. Segundo disseram à diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professora doutora Arminda Mourão, haveria compra de votos usando como moeda a camiseta. Tenham a santa paciência! É preciso sim, usar muitos neurônios para acreditar que alguém venderei seu voto em troca de uma camiseta “Todos contra a pedofilia”. Façam-me o favor de não zombarem na nossa inteligência: nossos Tico e Teco funcionam muito bem!
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