Fico a me perguntar: qual a finalidade dos complexos viários e viadutos? Ontem saí da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em direção ao bairro de Parque 10. Logo após às 18h, imaginei: com a inauguração do Complexo Viário Gilberto Mestrinho não demorarei nem 10min. Ledo engano. Demorei aproximadamente 50 minutos para chegar ao Complexo Viário Miguel Arraes. O trânsito não me permitia passar da segunda marcha. Será que vale a pena construir tantos “complexos” a um custo bilionário? Manaus entrou na era dos engarrafamentos quilométricos. Estranhamente, isso acontece depois que todos os complexos viários foram inaugurados. As placas da administração anterior da Prefeitura de Manaus anunciavam ”Manaus vai andar melhor”. Nada mais profético. Do jeito que o trânsito está hoje não há como correr mesmo. No máximo, anda-se!
Aqui você encontra notícias, comentários, artigos, análises e olhares do professor Gilson Monteiro sobre assuntos e fatos do dia-a-dia com humor, amor e poesia.
terça-feira, 9 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Sensibilidade feminina
Ontem falei de emoções. Talvez ainda não tenha superado o estado de gravidez poética no qual “ando tão à flor da pele, qualquer beijo de novela me faz chorar.” Sou de um tempo e de uma cultura machista na qual “homem que é homem não chora e macho que é macho não adora”. Tive imensa dificuldade em beijar meu pai. Também não fazia esse gesto lindo com tanta freqüência em minha mãe. Aos poucos, com o tempo e com o aprendizado contínuo de oito anos como estudante da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), depois mais 17 anos como professor, aprendi. Aprendi que aprender sempre é essencial para se tornar melhor como pessoa, como ser humano. E quando penso em me tornar melhor como ser humano lembro-me dos versos de Benito di Paula na música “Beleza que é você mulher”: “Eu esqueço a tristeza, me perco nessa beleza que é você mulher”. Talvez haja resquício machista neste pensamento. Não nego. Afinal, para quê algo mais machista do que existir “um dia internacional da mulher”. Somos iguais. Seres humanos inteligentes, sensíveis. Quer dizer que dos 365 dias do ano, apenas um é dedicado às mulheres? Associar à mulher a imagem de sensibilidade não seria outro traço machista? O máximo que admito é nós, os machos e machistas, tomarmos o dia de hoje como base para iniciarmos reflexões diárias sobre nossas atitudes. Queremos realmente um mundo igual? Com direitos iguais independentemente do sexo ou até mesmo da opção sexual de cada um? Temos muito a refletir. Que tenhamos todos os dias das mulheres e dos homens sempre. Muito embora, depois de tantas centenas de anos machistas, precisássemos de outros tantos anos só das mulheres. Assim o jogo tenderia ao empate para o lado feminista.
domingo, 7 de março de 2010
À flor da pele
Hoje, ao ouvir Zeca Baleiro e Gal Costa nos versos “ando tão à flor da pele, qualquer beijo de novela me faz chorar. Ando tão à flor da pele que teu olhar “flor na janela” me faz morrer...”, lembrei-me das partidas do time de futebol de salão do Madureira, minha cidade natal, bicampeão acreano. Depois as lembranças se foram, à tarde, ao ver o jogo morno do Vasco contra o Boa Vista, lembrei-me, de novo, das minhas reações, do nervosismo de cada partida do Madureira. Que magia possui o futebol que nos faz esquecer a posição social e profissional ao nos tirar a compostura? Nos jogos do Madureira eu subia no alambrado, xingava o juiz (não sei nem até qual geração), vibrava com os gols, tentava empurrar o time, ficava nitidamente à flor da pele. O Fast Clube, em Manaus, o Juventus, em Rio Branco e o Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, já me deixaram assim. Hoje, por duas ocasiões, só o Madureira me fez passar por emoções tão fortes. Coincidentemente, nos dois títulos acreanos conquistados pelo time da nossa família, eu estava em Sena Madureira. Zeca Baleiro, Sena Madureira, Fast, Vasco, emoções. Doutor também é gente e perde as estribeiras com o futebol. Ainda bem.
sábado, 6 de março de 2010
Duelo de titãs
A posse do novo diretor do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professor Nelson Noronha, foi concorridíssima. Dentre as personalidades presentes, porém, duas chamaram-me a atenção: o deputado federal Francisco Praciano e o secretário estadual de Educação, Gedeão Timóteo Amorim. Ao que tudo indica, a Ufam, quase um gueto da deputada Vanessa Grazziotin, nas eleições deste ano, terá os votos da sua comunidade disputados palmo-a-palmo por Praciano e Gedeão. Será uma espécie de duelo de titãs. Sem o apoio maciço da Ufam, o casal vinte da política amazonense, Eron Bezerra e Vanessa Graziottin, precisará de uma articulação bem-maior da base do PC do B. Dentro da Ufam essa base não é mais quase exclusiva do partido. Com a entrada de um novo personagem, Gedeão Amorim, a disputa pela cesta de votos da Ufam, ganha um novo “player”: o PMDB. Explica-se, dessa forma, porque era fundamental ao PT ganhar, ainda que indiretamente, a reitoria da Ufam e a direção do ICHL. Aos poucos, retorna o cenário no qual era praticamente impossível vencer uma disputa interna na Ufam sem o apoio articulado de uma boa base de partidos políticos. Por seu turno, os partidos (e os candidatos) esperam da comunidade da Ufam o retorno em votos. Nessas idas e vindas, quem parece ter feito um trabalho competentíssimo ao longo dos anos foi o professor Gedeão Amorim. Do trio, tem todas as chances de ser o mais votado dentro da Ufam, com folga. Quando outubro chega, veremos!
sexta-feira, 5 de março de 2010
Conceitos e preconceitos
O que chama a atenção nas reações raivosas contra o preconceito (as reações devem mesmo existir) é o grau de preconceito que elas (as reações) carregam. O autor de novelas, Aguinaldo Silva, assumidamente homossexual, saiu das tamancas contra as declarações (quase sempre) desastrosas do Big Brother Marcelo Dourado. Ele não nega a ninguém que detesta homossexual. E chegou ao limite de afirmar que somente os homossexuais contaminam-se com o vírus HIV. Na visão absurdamente preconceituosa (e desinformada) de Dourado, só os gays pegam AIDS. Grosseiro, mal-educado, machão e machista, Dourado, paradoxalmente, parece ter caído na graça da maioria dos brasileiros (e brasileiras). Tanto que bate no paredão e volta. Incomodado com a postura de Dourado, Aguinaldo Silva, em seu twitter, dia 4 deste mês, tascou: “"Esse Dourado do BBB não passa de um paraibazinho muito do chinfrim". Silva tenta ferir de morte Dourado com o “paraibazinho”, ou seja, um Paraíba no diminutivo (que é para diminuir mesmo). Não contente, ainda acrescenta o “chinfrim”. Paraíba, principalmente no Rio de Janeiro, representa a forma mais preconceituosa que existe em relação a todos os nordestinos. Sai o preconceito sexual de Dourado e entra o preconceito de localidade arraigado em Silva. Às vezes nossas reações são mais preconceituosas que o próprio preconceito. Reflitamos!
quinta-feira, 4 de março de 2010
Miopia eleiçoeira
Será que o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) não aprende nunca a lidar com o povo brasileiro? Há uma máxima na psicologia social que prega:”o povo gosta de ser ouvido”. Oras, não precisa ser um cientista político social brilhante para vislumbrar que, por mais que cometa erros na administração, o Partido dos Trabalhadores (PT), ainda que às vezes o faça apenas “de mentirinha”, tem uma máquina azeitada para ouvir suas bases e tirar delas o empenho incondicional no candidato escolhido. O PSDB, não, torna-se antipático até mesmo pela forma de escolha. Não se pode pensar em “prática democrática” sem que prévias sejam realizadas. Subjugar um quadro como Aécio Neves e, agora, no sufoco, tentar trazê-lo para compor uma chapa como vice-presidente é uma violência. Na frente em todas as pesquisas, o PSDB, mais uma vez, entregará, de bandeja, uma eleição ao PT. Com esse tipo de prática fechada nos gabinetes e distante do povo, os tucanos não voltam ao poder tão cedo. E correm o risco de perder lideranças brilhantes no cenário nacional, como é o caso de Arthur Neto, por pura incompetência e miopia.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Péssimo hábito
No bairro do Vieira Alves, diferentemente do que acontece todos os dias desde que o trecho da nova Maceió foi inaugurado: motoristas param sempre nas faixas e respeitam os pedestres, há abusos vergonhosos. Novos ricos, representantes da classe média alta, apresentam comportamento de pessoas medianas: não respeitam nem o fluxo do trânsito. Trafegam na contramão como se as ruas fossem uma extensão do quintal das vossas casas. Na rua Rio Jutaí, por exemplo, no trecho entre o Manaus Park e a Avenida Rio Branco, trafegar na mão é uma exceção. A grande maioria faz o percurso na contramão e provoca calafrios constantes nos motoristas e caronas. No bairro, não sei se uma campanha de conscientização funcionaria. Talvez seja necessária uma ação constante dos azulzinhos com multas constantes até que o tráfego das ruas seja respeitado conforme a sinalização.
terça-feira, 2 de março de 2010
Mudança de hábito
Há uma mudança no trânsito de Manaus que merece elogios. Já se percebe o caso de alguns motoristas que param antes das faixas de pedestres, sinalizam para os outros e seguram o trânsito, mesmo sem sinais ou azulzinhos, para dar preferência aos pedestres. Essa mudança de hábito é uma questão de cidadania e uma mudança cultural e tanto para os moldes da sociedade manauense que, num tempo não muito distante, não dava a mínima para quem não trafegasse em um automóvel. Espera-se que o hábito se espalhe por Manaus e ultrapasse os limites até da região metropolitana. É fundamental, também, que os mais favorecidos não se utilizem do velho “bordão” sabem com que estás falando para não burlarem uma regra social que se amplia a cada dia. Bela mudança de hábito a que se configura nas ruas. Que se eternize!
segunda-feira, 1 de março de 2010
Companhia Metropolitana
Li com um ar de preocupação a notícia de que o Governo do Amazonas quer criar duas empresas de capital misto: a Companhia Amazonense de Transportes Metropolitanos e uma empresa para administrar as obras da Copa do Mundo de 2014. A primeira dúvida que me veio à cabeça foi: e essas empresas serão vendidas para quem? Essas empresas correm o risco de tomarem o mesmo rumo da Cigás, cujo capital majoritário é 51% da iniciativa privada. Nada contra a parceria da iniciativa privada com o Estado, desde que as regras sejam claras e todo o processo tenha plena transparência. Sem isso, ficará sempre a desconfiança no procedimento dos governantes. Pior que isso, porém, é o descaso desses governantes que, embora haja desconfiança, não se preocupam, em nenhum momento, em dar transparência aos atos administrativos. Uma lástima!
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Janela para a vida
Foi com muita emoção que vi no Canal Esportivo ESPN uma material especial sobre o “Brasil da Copa do Brasil” que falava sobre o time de futebol Votoraty. Pela proposta do programa seriam mostradas “curiosidades” das cidades que possuem times na Copa do Brasil. A “curiosidade” de Votorantim, cidade do interior de São Paulo, é um programa de Tv denominado “TV Cela”, produzido e apresentado por reenducandas da Cadeira Pública Feminina da cidade. O brilho no olhar da apresentadora, da responsável e pelas gravações é uma lição de vida. Em cada rosto se percebe a vontade de ser reeducada e aceita novamente para convívio social. O que mais emociona é sentir que a Comunicação verdadeiramente social é capaz de promover a inclusão de pessoas. O projeto é da Associação Cultura Votorantim (http://www.culturavotorantim.com.br/). Conta com o apoio da Delegacia Seccional de Sorocaba por intermédio do delegado José Augusto Pupin e das Faculdades de Comunicação do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), que edita as imagens. Para conhecer o projeto visite http://projetotvcela.blogspot.com/.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Voo de águia
O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB) não mudou uma vírgula na forma de fazer política. Ao que tudo indica, alça um voo de águia e fica a observar o cenário político local para dar o bote na hora exata. Cifradamente nas ações e nos discursos, já não deixa clara a certeza de que não é candidato ao governo do Estado. Nos bastidores, as perspectivas de vôos mais altos parecem se confirmar. A compra de 2.000 horas de voo em uma Companhia Aérea regional indicam que o prefeito de Manaus visitará muitos colegas ainda este ano. Será que fará tantas viagens ao interior do Estado apenas como líder supremo e conselheiro ou como candidato? Até o meio do ano o mistério será mantido. Enquanto isso, Mendes mantém seus voos cada vez mais longos. Com o balaio de intenções de votos que possui, dificilmente o prefeito de Manaus ficará de fora da disputa.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Esquina da (má) sorte
Seria cômico se não fosse uma tragédia dos tempos modernos. Mas, essa de a funcionária de uma loteria de Novo Hamburgo ter esquecido de registrar os jogos de um dos bolões, justamente o premiado, mais parece tragédia grega. E com requintes de crueldade, pois, segundo dizem, o pai da funcionária era um dos apostadores do bolão. Para completar, o nome da casa lotérica é Esquina da Sorte. De hoje em diante o proprietário, se for julgado inocente, pode até manter o negócio mas ficará esquisito demais chamar a casa loteria de Esquina da Sorte. Na melhor das hipóteses, o nome deveria mudar para Esquina da má sorte. Porque esquecer de registrar um jogo é algo que até se pode aceitar, mas, esse jogo ser premiado e um dos sorteados ser o próprio pai é de lascar. É uma má-sorte que não tem mais tamanho.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Aposentadoria compulsória
Na mais recente reunião, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aplicou pena máxima a vários juízes no País inteiro, inclusive no Amazonas. Sabem qual é a pena máxima, meus caros leitores e leitores? Não sabem? Mas devem imaginar algo de extremo rigor. Qual nada. A pena máxima da Justiça brasileira para magistrados pegos “fazendo traquinagem” é a aposentadoria compulsória. Pasmem! Aposentadoria compulsória com salários tranquilamente pagos. Não tive outro jeito: fiquei a matutar qual a lógica de uma pena “tão grave” aplicada a um juiz. Encontrei uma: é bem provável que seja um viés econômico. Oras, se um juiz ou magistrado é acostumado a praticar “traquinagens” e engordar os proventos, vem a punição. Com aposentadoria, o magistrado é obrigado a viver apenas com os ganhos da aposentadoria. Tirar a possibilidade de quaisquer outros tipos de “traquinagens” é uma pena considerada terrível. Ah! Sim! Deve ser isso mesmo. Agora entendi a gravidade da pena e o porquê de ela ser tão dura.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Engarrafamento óbvio
Não era preciso ser nenhum engenheiro de tráfego para prever que haveria engarrafamento na saída do Complexo Viário Gilberto Mestrinho, sentido Japiim. Nem precisou o retorno das aulas na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) para, por volta das 7h da manhã, o motorista que vai, no sentido do Distrito Industrial, passar por maus momentos. Dia desses, um acidente em frente à Ufam transformou em inferno a vida dos motoristas. Sem contar que os pedestres não possuem nenhuma área segura para atravessar nas proximidades do Complexo Viário. A partir do dia 15 de março, quando as aulas retornarem na Ufam haverá sempre um caos na hora da entrada e saída de estudantes. Independentemente disso, há um gargalo que precisa ser solucionado urgentemente, no Japiim, em frente à feira, nos dois sentidos. Será que a prefeitura concluirá que só um novo Complexo Viário, no Japiim, solucionará o problema? Como se prega em São Paulo, um viaduto é sempre um modo de encurtar a distância entre um engarrafamento e outro. Aqui a máxima começa a valer.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Turrão assumido
Podem acusar o ex-prefeito de Manaus, Serafim Correa (PSB) de tudo, inclusive de ter perdido meio mandato para eleger o filho, Marcelo Serafim, deputado estadual, mas ninguém pode subestimá-lo nas suas análises de cenário. Quando ganhou a prefeitura de Manaus, bateu o pé, não aceitou aliança com a deputada federal Vanessa Grazziotin e foi para a história como o único a derrotar Amazonino Mendes em uma disputa majoritária. Agora, ao que parece, Corrêa não mordeu a isca do PT. Para ele, com as candidaturas de Omar Aziz (PMN), Alfredo Nascimento (PR), Amazonino Mendes (PTB) e a dele próprio, é claro, haverá segundo turno. Serafim Corrêa é economista, sabe usar bem a calculadora e aposta que Mendes não ficará quieto nessa disputa. Os movimentos do prefeito de Manaus indicam que Mendes, mais uma vez, blefa e será candidato. Essa história de que Lula decide tudo, que farão o que Lula mandar é pura enganação. O mesmo grupo político está em guerra e, com todos os erros (há acertos também) só se configura como candidatura de oposição o ex-prefeito Serafim Corrêa. Sem contar que é da personalidade dele ser teimoso, um turrão assumido. Logo, ao que tudo indica, não haverá aclamação no Amazonas mas sim uma disputa acirradíssima.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Partido Único
Essa história de Palanque Único (PU) é pura balela. O que o Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu nas entrelinhas das suas estratégias paras as eleições deste ano foi que se transformará em Partido Único (PU) em poucos anos. E para atingir tal objetivo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usa toda a estrutura de poder para minar, queimar, liquidar ou qualquer outro verbo que tenha o sentido de “exterminar” seus adversários atuais e possíveis adversários e ainda finge estar ao lado deles, como ocorreu em Brasília. Lula, o bom-samaritano, também deve se posicionar favoravelmente ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Lula o ecumênico, Lula o sensível é sempre a melhor pessoa, o melhor ser humano do País. Nunca, na história do País, nasceu um homem tão bom. A humanidade só teve uma pessoa que chegou próximo de Lula: Jesus Cristo. A estratégia de trazer Serafim Corrêa (PSB) para o palanque de Alfredo Nascimento (PR) não é apenas uma fórmula para dar palanque único à Dilma Rousseff. É, também, uma tacada para liquidar a oposição no Amazonas. Já imaginaram se Nascimento sai com o apoio de Braga e Mendes? Quem seria o candidato de oposição? E se ficam como a segunda via, com Omaz Aziz (PMN) como candidato? Lula terá a certeza que Braga e Omar são traidores. A dama-de-ferro, então eleita presidente, se encarrega de liquidar os dois. Em pouco tempo o PT, talvez já com o nome de PU, chega ao poder no Amazonas. Não duvidem, o caminho para o PU está aberto.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Decisão radical
Encontrei recentemente o professor Renan Freitas Pinto, um dos maiores intelectuais vivos deste Estado, e lamentei profundamente o fato de ele ter pedido afastamento do Programa de Pós-graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ele disse-me que se afastou do Mestrado e do Doutorado e que não retorna mais para nenhum programa de Pós-graduação até se aposentar. Renan completou: “descobri que estudava mais que os alunos. Eles chegavam em sala de aula sem um texto lido.” Despediu-se de mim e fiquei a refletir sobre a decisão dele. Confesso. Em alguns momentos pensei em tomar a mesma decisão de Renan Freitas Pinto pelos mesmos motivos. Há, claramente, certo descompromisso dos próprios estudantes com os programas de Pós. Talvez reflita o próprio descompromisso institucional: muitos programas funcionam sem as mínimas condições estruturais. Um afastamento voluntário como esse do professor Renan Freitas Pinto deve provocar reflexão profunda na Ufam como um todo e nos programas de Pós, em particular.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Posições desconfortáveis
Pesquisa divulgada esta semana pelo Ibope apresenta o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) em primeiro lugar na corrida presidencial com uma variação de 36% a 41% das intenções de votos. A pesquisa paga pela Associação Comercial de São Paulo, aponta Dilma Rousseff (PT), em segundo lugar com 25% e Ciro Gomes (PSB) com 11%. O curioso é que não há posição confortável nem para José Serra, nem para Dilma Rousseff. Tanto a candidata do PT pode subir quanto o candidato do PSB. Gomes já foi favorito à disputa mas depois permaneceu no limbo por um bom tempo. Hoje, ao que parece, a briga para ocupar o Palácio do Planalto parece ter sido polarizada entre o PT e o PSDB. Não se engane, porém, se acontecer algo que provoque uma virada e uma mudança drástica no cenário. Por enquanto as posições apresentadas nas pesquisas não são confortáveis para ninguém.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Toma lá, dá cá
De programa humorístico da televisão brasileira, o “toma lá, dá cá” transformou-se em prática generalizada na política brasileira. Antes recebeu outro nome: “é dando que se recebe”, numa alusão torta à Oração de São Francisco. Era o chamado período franciscano da política brasileira, quando até um presidente foi obrigado a renunciar. Quando se imaginava que Brasília estaria imune, aparece o mensalão do DEM, que, em seguida, virou o mensalão do Arruda. Surpreendentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decretou a prisão do governador José Roberto Arruda sem a autorização da Câmara Distrital e, mais surpreendente ainda (não tanto em se tratando de Marco Aurélio de Mello) o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a prisão. O pior de tudo isso é que Joaquim Roriz, que tem histórico de corrupção em Brasília, pode ressurgir das cinzas e voltar. Pelo andar da carruagem, seria eleito, com folga, em outubro deste ano. Toma lá, Brasília!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Complexo Boto Tucuxi
Sinceramente, depois do resultado das escolas de samba de Manaus, quando a reino Unido da Liberdade ficou em segundo lugar com a homenagem a Gilberto Mestrinho, passei a refletir sobre a profusão de obras públicas com o nome do ex-governador. É o PAM da Getúlio Vargas, é o Complexo do Coroado, é o Grêmio Recreativo Escola de Samba Reino da Liberdade. Será que esqueci alguma coisa? Certamente surgirão mais homenagens. Algumas merecidas, outras duvidosas. O que incomoda mesmo a proporção que essas homenagens chegaram. Talvez fosse interessante modificar um pouco e usar nomes que o próprio Gilberto abominava no início, mas, depois resolvi incorporar. Por exemplo, vocês não acham que seria interessante o Complexo Viário ser chamado de Boto Tucuxi? O PAM da Getúlio Vargas não ficaria mais simpático se fosse Boto Navegador? E o novo Vivaldão? Ao invés de Paneirão, que tal se fosse Timão? Evitaria essa ideia de puxa-sacaquismo exacerbado.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Encontros e despedidas
Milton Nascimento e Fernando Brant compuseram uma jóia chamada “Encontros e Despedidas”, gravada por Milton Nascimento, em 1985, em LP. Simone também gravou, mas a música foi responsável pelo primeiro sucesso nacional da cantora Maria Rita Mariano, filha de Elis Regina e do arranjador César Camargo Mariano. Alguns críticos musicais dizem que trata-se de uma letra em homenagem a Chico Xavier. Não sei se há alguma referência às visitas psicografadas de Xavier ao mundo de cá. O que sei é que essa letra (e a música também) sempre me inspira e hoje a escuto na voz de Maria Rita. Se há uma das festas populares que mais trazem em si a ideia de encontros e despedidas, o Carnaval é a maior delas. Como sempre, tudo termina na quarta-feira, dita de cinzas. Como nem só de bebidas e fantasias vive um ser humano, o mundo retoma seu ritmo a partir de hoje. Encontros, despedidas e muitas contas vencidas do feriadão. Haja fila!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Aconselhamento espiritual
O Ministério Público do Estado (MPE), em alguns casos, demonstra uma atuação perfeita e uma lucidez elogiável. Ao recomendar à Polícia Militar (PM) que não realize o programa Rede Educativa demonstrou compreender perfeitamente que o Estado é laico e não deve privilegiar determinada religião. O comandante da PM, Dan Câmara, é pastor da igreja Assembleia de Deus e acredita que aconselhamento espiritual é capaz de “melhorar as pessoas”. O programa chamado Rede Educativa destinava-se a promover aconselhamento espiritual para as pessoas que praticassem agressão física, exagerassem na bebida alcoólica ou perturbassem a ordem pública. Teoricamente os aconselhamentos seriam feitos em barracas da própria Polícia Militar por voluntários de igrejas e organizações não-governamentais (ONGs). É bem-possível que o MPE tenha desconfiado que os voluntários e as ONGS fossem todas ligadas à igreja Assembleia de Deus.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Cinzas carnavalescas
A sede com que José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) buscam os holofotes neste carnaval impressiona. Com o perdão do trocadilho, onde há Luz, Dilma está. E desta vez foi na Marquês de Sapucaí, no primeiro dia de desfiles das escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Madonna, Jesus Luz, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho e quem? Isso mesmo Dilma Rousseff. José Serra também não perde uma chance. Os dois, Rousseff e Serra esquentaram os tamborins em Olinda e Recife. Estiveram no Galo da Madrugada e não perdem qualquer chance de, digamos, “brilhar”. Em ano de Copa do Mundo e Carnaval, águas vão rolar embaixo de muitas pontes (sejam obras do PAC ou não). O que se espera é que essa proximidade do povo de ambos não termine na quarta-feira de cinzas. Uma certeza existe: um dos dois, certamente, verá os votos que pensam ter transformarem-se em cinzas.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Subserviência irrestrita
Reportagem do jornal Diário do Amazonas deste domingo aponta um histórico de rasteiras e traições dos políticos do Estado. De acordo com o jornal, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB) lidera a lista de rasteiras, seguido pelo vice-governador, Omar Aziz (PMN). Há certo exagero do jornal em tratar o assunto como rasteira ou traição. Na verdade, trata-se de uma estratégia política baseada na subserviência irrestrita de alguns políticos e partidos, como o PT e o PC do B. A troca de apoio de um político aqui outro acolá não passa de mexidas no xadrez da política local para não perderem o poder. Tanto o é que até hoje o grupo comanda o estado sem nenhuma chance para os antigos partidos ditos de oposição. Enquanto no Acre, o PT cresceu juntamente com o PC do B, aqui, mal conseguem vereadores e deputados. Tiverem que se curvar ao poder de um grupo de direita liderado por alguém com uma visão um pouco menos torta que a de Amazonino Mendes. Eduardo Braga soube controlar perfeitamente os arroubos de Omar Aziz, que não esquece seu passado do PC do B, bem como todo o PT do Estado. Além disso, Braga tem o apoio incondicional das igrejas evangélicas. Ao que parece, não há nada de traição e tudo de subserviência.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Uísque e bacalhau
Não vejo nada de anormal em o governador Eduardo Braga (PMDB) e seu vice, Omar Aziz (PMN) servirem bacalhau e uísque na inauguração de uma escola de tempo integral na Cidade Nova. Que eu saiba Braga nunca foi comunista, mas Aziz é um neocomunista convertido. Logo, não vai querer distribuir a miséria com o povo, mas sim a riqueza. Um dos ditos prediletos da minha safra é: “comunista que bebe uísque 22 anos nunca mais consome cachaça.” Pode-se acusar Braga e Aziz de tudo, menos de não manter a coerência. Merecem elogios por dividir com os mais humildes a prática do dia-a-dia. Os mais radicais vão dizer que eles deveriam regionalizar o cardápio e servir tambaqui ou pirarucu. Mas, no lugar do uísque, serviriam o quê? Açaí? Açaí é típico do Pará. Pirarucu ao leite da castanha. Putz! Castanha também é do Pará. Ah! Mas nosso governador é paraense. Se fosse eu, preferiria mesmo uísque e bacalhau. Que parem de dar pão e circo ao povo. Uísque e bacalhau são bem melhores. Viva o povo amazonense! Eu tenho orgulho!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Prisão de Arruda
A prisão do governador de Brasília, José Roberto Arruda (Sem partido), veio tarde. A atuação do governador e seus asseclas, mesmo depois de descoberto todo o esquema do mensalão, se não era escárnio, chegava muito próximo. O que a justiça fez foi minimizar a sensação de impunidade e falta de vergonha que imperava no Distrito Federal. A máquina administrativa está corroída que não se percebe mais nenhum vestígio de ética. A cena de deputados orando (ou rezando, isso depende da crença) foi de um cinismo a toda prova. O mais chocante é que Arruda apenas aperfeiçoou uma prática que começou com o PSDB em Minas e profissionalizou-se com o PT no Governo Federal. Escravos dos próprios erros, os partidos tornaram-se reféns de si mesmos. Que atire a primeira pedra aquele que não tem mensalão na sua história. Talvez sobre o PSOL e PV. Mas, como para ter mensalão basta chegar ao poder, mais dia, menos dia, todos terão uma historinha para se divertir. Fica a pergunta: será que depois de Arruda outros mensaleiros dormem pelo menos uma noite em uma cela?
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Só enganação
Na propaganda oficial, o Estado do Amazonas é um dos mais seguros do País. Não é bom duvidar que o governador Eduardo Braga, em pouco tempo, seja um dos garotos-propaganda e apareça parafraseando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a dizer que “não existe, na história deste Estado, registros de tamanha segurança quanto agora”. Dará, certamente, uma boa peça na sua campanha rumo ao Senado Federal. Ë bem provável até que muitas pessoas acreditem. Mas, o presidente do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Amazonas (Sinpol-AM), José Ailson Andrade, disse que esse país das maravilhas pintado na propaganda oficial não passa de “enganação”. Ele declarou a um dos jornais de Manaus que as delegacias e os investigadores estão desaparelhados e que uma nova greve ocorrerá após o Carnaval. Ainda não houve resposta oficial do Governo do Estado, mas, certamente, será a que todos já conhecem: alegar que se trata apenas de uso do político do sindicato para obter vantagens pessoais. O problema é que a sensação de falta de segurança continua.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Itaú engole Unibanco
O Itaú deve concluir uma espécie de consolidação das marcas no máximo em março deste ano. As contas empresariais que eram do Unibanco já estão apenas no Itaú. Até março os correntistas do Unibanco passam a ser, também, apenas do Itaú. Então, a marca Unibanco morre ou, no máximo, aparece no nome de fantasia “UnibancoItaú”. Aquela história inicial que todos contam, inclusive para acalmar os funcionários, que eles modernamente chamam de colaboradores, era tudo balela: “não o Itaú não comprou o Unibanco, foi uma fusão”. Fusão uma ova, o Itaú comprou sim o Unibanco e vai matar a marca Unibanco aos poucos. O mesmo aconteceu com a Varig. Encontrar uma aeronave da Varig é uma raridade. Eles ainda falam em GolVarig e o farão por algum tempo. Mas, ao fim, adeus Varig. Essa é a lógica empresarial. Uma fusão entre um forte e um menos forte sempre resulta na morte do último. Aos antigos correntistas do Unibanco que tinham tratamento especial um alerta: a partir de maio terão o atendimento padrão Itaú, ou seja, serão apenas mais um. Quem quiser atendimento preferencial terá de mudar de banco ou passar a ser um correntista Itaú-Personalité. É a vida!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Missão espinhosa
A missão que, segundo dizem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dado ao governador do Amazonas, Eduardo Braga, de costurar a “unidade da situação” no Estado é das mais espinhosas. Primeiro porque já correm suspeitas, segundo as más-línguas, de que o próprio Braga estaria disposto a bandear-se para o lado de José Serra, candidato do PSDB. Depois, surgiu a conversa de que o vice-governador, Omar Aziz (PMN) teria uma conversa com o candidato do PSDB. Agora, o boato é de que Aziz irá pedir a benção de Lula para a sua candidatura, uma vez que o PMDB nacional quer vê-lo fora da disputa. Desde sempre, principalmente por ter sido o esteio da reeleição de Lula, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), se diz o candidato do presidente no Amazonas. Por fim, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDT), que nega peremptoriamente que disputará as eleições deste ano, aparece como possível apoiador de Serra numa articulação de Egberto Miranda Batista, responsável direto pela derrota de Lula para Fernando Collor de Mello. Caso a articulação de Batista obtenha êxito, o PDT sai da base aliada e vai com Serra para a disputa. Mendes, então seria a melhor opção de palanque para o Governador de São Paulo. Braga terá de usar de muita habilidade para manter a união da situação. Será mais fácil ter um candidato para cada um dos dois mais fortes concorrentes à presidência.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Toque de recolher
O toque de recolher para crianças e adolescentes decretado por alguns juízes de comarcas do interior do Estado do Amazonas deveria ser imitado também na capital. Por mais que se trate de uma medida de força, e o é, em alguns casos, o processo de convencimento não funciona. E quando à venda de bebidas alcoólicas e o envolvimento com as drogas, quando mais tarde da noite, melhor para a ação dos traficantes. Comprovadamente, festinhas e noitadas em bares, principalmente nos bairros mais humildes, são ambientes propícios à violência. Não significa que nos bairros mais abastados também não haja violência. O problema, em todas as classes sociais, é a fala de limites para crianças e adolescentes. E se os pais ou a família não conseguem impor limites, só resta à justiça tomar providências. O toque de recolher em Manaus certamente reduziria em muito a violência. E teria o caráter didático de mostrar às crianças e adolescentes que é salutar conviver com limites. Loas aos juízes do interior que decretaram o toque de recolher.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Revolução forçada
O resultado do uso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), quando a maioria dos estudantes que ingressariam nos cursos mais concorridos foi de fora do Amazonas só revela uma coisa: o ensino fundamental e, principalmente o ensino médio, precisam passar por uma revolução de qualidade nunca vista na história deste Estado. Cabe aos governos criarem políticas públicas capazes de reduzir as desigualdades. E, se ao Ministério da Educação (MEC) só restou tomar uma medida de força para que os governos estaduais se tocassem, não devemos criticar a Ufam. Por linhas tortas, o resultado da Ufam indica um puxão de orelhas no Governo do Estado. A estrutura do ensino médio é frágil, pedagogicamente sem qualidade (o resultado Enem revela isso). Portanto, cabe à reitora da Ufam, professora Márcia Perales, com a sensibilidade que tem demonstrado, não assumir para si o ônus do resultado. Tem de mostrar claramente que, se todos os estudantes que ingressaram na instituição são de fora, a culpa não é da Ufam, mas de um ensino médio de péssima qualidade. A nós, na Ufam, cabe receber os melhores e, com isso, cumprir a política pública nacional de melhoria da qualidade do ensino. Se parece injusto hoje, com o tempo veremos que haverá uma melhoria (forçada, é claro) geral.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Chapa puro sangue
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, já admite ser candidato a vice na chapa do Governador de São Paulo, José Serra, à Presidência da República. Seria uma chapa puro sangue do PSDB com o apoio do DEM, do PPS e de parte do PMDB. Este último, como sempre, não quer ficar fora do poder de jeito nenhum. Seu presidente, Michel Temer, caso Serra seja eleito, será visto, com certeza, lado a lado com o Presidente, jurando fidelidade absoluta. O problema é que o convicto Aécio Neves já admite ser vice porque, nem bem começou o ano e a candidato José Serra começa a fazer água literalmente. Não apenas pela questão das chuvas em São Paulo, mas pelo crescimento de Dilma Rousseff. A dama-de-ferro do Governo Lula tem todas as chances de se tornar a primeira mulher a dirigir o País. E isso tem tirado o sono dos tucanos que ficaram esses oito anos com uma oposição pífica e agora não sabem como encaixar o discurso para conter o crescimento de Rousseff. E quando o discurso de gênero começar a pegar, aí é que as intenções de voto em torno de Serra mudarão mais ainda. Pelo jeito, nem cavalo puro sangue dá jeito a essa candidatura de José Serra.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Combate à exploração
O anúncio de que órgãos da Prefeitura Municipal e Governo do Estado, em conjunto, farão uma campanha de combate à exploração sexual de Crianças e Adolescentes durante o período do Carnaval é de importância ímpar. A campanha será lançada no dia 11, às 16h, no Largo de São Sebastião. O que não se pode esquecer é que o combate à violência contra Crianças e Adolescentes não deve ser motivo de trabalhos em conjunto da Prefeitura e do Governo do Estado apenas em período de festas. Só se vence essa guerra contra a pedofilia e a exploração sexual com ações constantes de combate e conscientização. Combater a pedofilia e a violência contra Crianças e Adolescentes é dever do Estado em todos os níveis e, há muito tempo, deveria existir um posicionamento claro dos dois governos e uma política pública agressiva de combate a esses males. Começar no Carnaval, no entanto, é melhor do que não se fazer nada.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Corredor da Ephigênio Sales
O corredor da Ephig6enio Sales realmente mudou a vida dos motoristas de Manaus. O percurso ao longo do correndo ficou fácil de ser feito. No entanto, aposto que o fim de todos os retornos ao longo da avenida, de um viaduto a outro, dificilmente dura muito tempo. Quando os amigos dos que ocupam o poder começarem a rosnar, o Instituto Municipal de Transportes e Trânsito (IMTT) muda tudo. Há muitos poderosos de um lado e do outro da avenida que não se contentarão de forma nenhum com a falta de retorno. Perderão muito tempo para chegar em casa e terão de mudar completamente os hábitos de direção. Há outro problema que deve se mostrar grave: como a avenida é muito estreita, qualquer acidente ao longo do percurso paralisará completamente o trânsito. A volta às aulas da Ufam será o teste de fogo do complexo viário.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Trânsito lento
O problema do trânsito de Manaus, ao que tudo indica, não foi solucionado com a construção de passagens de nível e viadutos. O acesso ao crédito e o alongamento dos prazos deixaram as prestações dos veículos novos menores. Com isso, mais pessoas compraram carros em Manaus. Com mais carros e o mesmo número de ruas, não adiantaram as construções recentes. O que houve, em verdade, e ninguém pode negar, foi uma minimização dos problemas. No entanto, os engarrafamentos continuam na cidade, inclusive nas proximidades dos viadutos e passagens de nível. E tendem a piorar quando houve o retorno das aulas. Talvez as obras previstas para a cidade até a Copa do Mundo resolvam o problema de Manaus. Quem sabe a ponte e o deslocamento urbano para a área do Iranduba e Manacapuru deixem a metrópole menos problemática. Se isso acontecer, a história se encarregará de tecer loas a Eduardo Braga, governador que apostou na ponte que muitos diziam ligar o nada para lugar nenhum.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Rascunhos obscuros
Quando se pensa que os políticos profissionais do Amazonas fizeram desenhos de carvão do que será a sucessão estadual deste ano, eles se nos apresentam, no máximo, rascunhos obscuros. As especulações, agora, são que Pauderney Avellino (DEM), possível candidato a deputado federal, costura uma acordo entre o vice-governador Omar Aziz e o presidenciável do PSDB, governador de São Paulo, José Serra. Há interessa na cúpula do PSDB em lançar até Amazonino Mendes (PTB) ao governo do Estado a fim de garantir palanque mais forte para Serra no Amazonas. Depois da inauguração do Complexo Viário Gilberto Mestrinho, conhecido popularmente como Viaduto do Coroado, quando o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB), o governador Eduardo Braga (PMDB), o vice-governador Omar Aziz (PMN), e o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), trocaram juras de amor, tudo é possível na política do Amazonas. Inclusive, e ninguém duvide disso, um dos membros do grupo apoiar José Serra para o grupo ficar bem nos dois lados. E nessa história de estar de um lado para fazer número e depois voltar para o outro, o grupo tem o mestre. Alguém sabe dizer quem é?
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Desenhos de carvão
Enquanto crianças produzem desenhos de giz, políticos profissionais grafitam com pedaços de carvão. E foi o que fizeram o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB), o governador Eduardo Braga (PMDB), o vice-governador Omar Aziz (PMN), e o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), na inauguração do Complexo Viário Gilberto Mestrinho, aliás, o mentor de todos eles. Quem ficou chupando o dedo, embora tenha iniciado as obras, foi o ex-prefeito o ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB). Se alguém tinha dúvidas de que a base aliada do Governo Lula caminhará unidinha no Amazonas, essa dúvida foi desfeita na inauguração da obra. O grupo político que domina o Amazonas há mais de 20 anos não quer correr nenhum risco de perder o poder exatamente quando jorrarão bilhões de dólares para as obras da Copa do Mundo de 2014. Não quer dar a menor chance a Serafim Corrêa na disputa para o governo do Estado. Isso só acontece se todos centrarem forças em torno de um candidato. E esse candidato está mais do que claro: é o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Restará a Omar Aziz cumprir o papel que sempre exerceu no grupo com competência: o de vice. Alfredo Governador, Omar vice: a chapa já está formada. Alguém duvida?
domingo, 31 de janeiro de 2010
Todos na base
A declaração do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB) de que é “carta fora do baralho” na sucessão estadual não modifica um quadro que já se desenha desde a derrota de Serafim Corrêa (PSB) para a prefeitura de Manaus: todos os possíveis candidatos com chances de vitória ao Governo do Amazonas são da chamada “base aliada” do Governo Lula. Sem Mendes na disputa (e nunca se pode apostar em uma declaração inicial de político profissional: às vezes declaram exatamente o contrário do que pretendem) a disputa ao Governo do Amazonas ficaria entre o vice-governador Omar Aziz (PMN), o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR) e o ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB). Quem fica em posição delicada é o presidente Lula. Sábio com ele só, é bem possível que não apareça no palanque de nenhum dos três e garanta espaço para a ministra Dilma Rouseff em todos os principais palanques em Manaus. O candidato natural de Lula seria o ministro Alfredo Nascimento. Mas como há muitas águas a rolarem por baixo das pontes no Amazonas, até o retorno de Amazonino Mendes à disputa pode ser esperado.
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Caldo e prudência
Diz a sabedoria popular que prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. O dito popular deve ser levado em conta principalmente pelos motoristas manauenses após a inauguração hoje, às 21h do Complexo Viário Gilberto Mestrinho, antiga Bola do Coroado. Ao sair do viaduto para descer a Avenida General Rodrigo Octávio Jordão Ramos, no sentido Distrito Industrial, o motorista precisa manter a concentração e o cuidado. O asfalto da avenida não foi modificado, continua escorregadio e, naturalmente, o automóvel virá “embalado” da saída do viaduto. Pressa nenhuma justifica o uso da velocidade em excesso. Além do quê, a imprudência pode resultar em morte, não apenas do condutor do veículo, mas de outras pessoas. Não gostaria que esta nota se transforme em nenhum vaticínio. Só faço o alerta no sentido que vidas não sejam ceifadas. Seria interessante que o Instituto Municipal de Transportes e Trânsito (IMTT) tomasse logo alguma medida no sentido de evitar o excesso de velocidade da descida do viaduto até em frente da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Alerta feito, missão cumprida, consciência tranqüila.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Enem sob suspeita
Quando tudo começa errado, sempre há a possibilidade de dar errado. Não deu outra com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Apresentado como a panaceia para os problemas das universidades brasileiras que tinham os vestibulares anulados constantemente, como era o caso da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), foi anulado uma vez por vazamento das provas e agora o Ministério Público Federal em Santa Catarina (MPF/SC) quer a suspensão do mesmo. No entendimento do MPF/SC, o "o procedimento adotado pela entidade organizadora da prova não atende o princípio da impessoalidade". Há uma ação civil pública contra a União, o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) que tem por objetivo suspender o concurso e evitar a divulgação das notas dos candidatos, prevista para o próximo dia 5 de fevereiro, e sua posterior homologação. Se isso acontecer, as universidades que aderiram ao Enem se uma discussão mais aprofundada, como é o caso da Ufam, terão sérios problemas com o ingresso dos estudantes este ano. O MPF/SC quer evitar "prejuízos irreparáveis aos candidatos".
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Cheiro de podridão
Exala um cheiro de podridão essa compra do prédio da Nilton Lins, no Distrito Industrial 2, para a criação de um Campus e um Hospital Universitário da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A sonegação de informações públicas por parte da reitoria é que faz gerar esse mau-hálito. Um dos jornais da cidade de Manaus noticiou que o reitor em exercício da UEA, professor Carlos Eduardo Gonçalves, teria negado um pedido feito pelo presidente do Sindicato dos Professores da UEA (Sind-UEA), Ricardo Serudo, por ele não ter anexado comprovantes de que é presidente do sindicado. De acordo com o reitor em exercício, em não comprovando ser presidente, Serudo não teria legitimidade para requer informações. A verdade é que um elefante branco de uma universidade particular foi comprado por R$ 17,5 milhões por uma universidade pública, com recursos públicos, portanto, e a administração superior da instituição se nega a prestar informações sobre o negócio. A alegação é que se trata de “uma decisão de governo”. Quando gestores públicos se negam a informar ao público sobre os gastos com recursos públicos sempre exala um mau cheiro no ar.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Sã Paulo alagada
A invasão do rio Tietê à ruas marginais de São Paulo mostra apenas uma reação da natureza aos desmandos cometidos pelos humanos. Muito embora a dragagem do rio tenha sido feita, o que ocorrer é que o volume de água é bem maior que a capacidade de escoamento das mesmas. São Paulo paga hoje o preço por ter invadido o leito do reino e realizado obras de contenção. Em Manaus, o Prosamin, cuja beleza das obras é inegável, pode levar a cidade a passar por problemas bem maiores. Não se deve esquecer que a vazão das águas em São Paulo é bem menor do que aqui. As chuvas aqui são bem mais torrenciais e o volume de água superior ao de São Paulo. Ver as imagens de São Paulo alagada talvez sirva de exemplo e reflexão para o que se faz em Manaus. As margens dos igarapés da cidade foram invadidas por Shoppings e construções das mais diversas. Estejamos preparados para quando a natureza mandar a fatura.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Racionamento admitido
Mais grave do que admitir publicamente que a casa do Governador do Estado, Eduardo Braga, fora privilegiada no fornecimento de energia no ano de 2007, é a Amazonas Energia (antiga Manaus Energia), às claras, dizer que houve racionamento de energia. Isso mesmo, leitores e leitoras, o que todo mundo suspeitava ocorreu e ainda deve ocorrer. Fiscais da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) identificaram que em 2007, além do tratamento prioritário à casa do governador do Estado, a Amazonas energia promoveu “cortes para alívio de carga em diferentes épocas do ano e por diferentes razões”. Quem não percebe que mal as árvores começam a balançar e o vento a soprar a energia deixa de ser fornecida? Ainda hoje, com menos freqüência, é claro, se percebe: basta formar um tempo de chuva para a “luz ir embora”. Espera-se que, detectado o problema, a Aneel tome providências em benefício dos consumidores.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Humberto ou Umberto?
Em nota recente alertamos os motoristas para o radar localizado em frente ao Manaura Shopping que mudou de velocidade: a máxima que era 60km/h baixou para 30km/h. E, para sermos mais exatos, falamos que o radar localiza-se à Avenida Umberto Calderado Filho. Pois bem, aos que não sabem, o primeiro nome do jornalista Umberto Calderaro Filho era grafado com “u” e não com “h” como determinam as regras da Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Digo era, porque, também, de acordo com a Gramática, depois que a pessoa morre, ainda que durante toda a vida tenha o nome grafado como no registro de nascimento (e este era o caso de Umberto Calderaro), passa-se a grafá-lo corretamente, ou seja, agora, a grafia correta seria Humberto Calderaro Filho. Nas placas, o nome que consta é Umberto. Em alguns documentos oficiais, já li a grafia Humberto. Rigorosamente, os documentos oficiais que circulam com a grafia Humberto é que estão corretos. Umberto ou Humberto? Linguisticamente o que importa é o processo de comunicação. O mais importante, talvez, seja as pessoas lembrarem quem era o homenageado. Por falar nisso, você sabe quem foi Humberto Calderaro Filho?
domingo, 24 de janeiro de 2010
Kit lasque
Bom seria se o neoliberalismo e a concorrência plena pudessem ocorrer em todos os setores da vida. Já imaginaram se o Ministério Público Eleitoral (MPE) do Amazonas pudesse recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Acre, por exemplo, que fica “bem ali”, como dizem os caboclos. Lá, o prefeito de Sena Madureira, município localizado a 144 quilômetros da Capital, Rio Branco, Nilson Areal, foi condenado por compra de votos e haverá nova eleição. A condenação foi tão tácita que o recurso ao Tribunal Superior Eleitora (TSE) promovido pelos advogados do prefeito cassado, dizem os analistas políticos acreanos, dificilmente vinga. Agora, o ex-prefeito de Rodrigues Alves, Francisco Vagner de Santana Amorim, foi condenado por propaganda antecipada no Twitter. Enquanto isso, no Amazonas, a despeito de ser ano eleitoral, o Governo do Estado aumentará a distribuição do “kit trabalho”, composto pelo “kit pescador”, “kit agricultor” e o “kit seringueiro” para ficar só em alguns nomes atribuídos à distribuição e brindes. Somando tudo dá o que denominei aqui de “kit vote em mim ou em que eu indicar”. Com o perdão do trocadilho, até a sociedade que critica a propaganda eleitoral antecipada feita anualmente durante os quatro anos de Governo ganha um kit: o “kit lasque”.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Motoristas em alerta
Motoristas que costumam descer a Avenida Umberto Calderaro Filho, antiga Paraíba, devem ficar em estado de alerta. O redutor eletrônico de velocidade existente em frente ao Manauara Shopping, cuja velocidade máxima permitida era 60km/h teve a velocidade reduzida pela metade pelo Instituto Municipal de Transportes e Trânsito (IMTT). Assim, agora, o motorista só pode passar pelo local a 30km/h. O IMTT não divulgou se as multas serão cobradas imediatamente ou haverá um período educativo. Para os novos equipamentos existe um período de carência para que os motoristas se adaptem. No caso de mudança de velocidade de uma aparelho existente, pela lógica, também seria importante um período de adaptação. De qualquer forma, fica o alerta aos motoristas para a nova velocidade exigida pelo equipamento. Todo cuidado é pouco porque essas máquinas não perdoam e ainda fotografam a velocidade dos infrantores.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Chuvas e desabamentos
As fortes chuvas e os desabamentos ocorridos em São Paulo devem servir de alerta para as autoridades da defesa civil de Manaus. Vive-se um período de chuvas na cidade e não se tem um trabalho sério de coleta de lixo nem de conscientização por parte do poder público. É fundamental uma campanha de preservação dos igarapés e córregos da cidade. Sem isso, todas as vezes que as chuvas caírem haverá riscos de alagamentos. Não se deve esquecer que em épocas recentes o igarapé do Mindu transbordou na Vila Amazonas e muitas famílias ficaram desabrigadas. A se levar em conta que a Vila Amazonas fica nas imediações do Conjunto Manauense e do Viera Alves, áreas nobres da cidade, fica-se a imaginar o que não acontece em bairros de “menor nível de nobreza”. Seria importante a Defesa Civil mapear locais de possíveis alagações e desabamentos a fim de evitar uma tragédia maior.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Armadilha do crédito
Aposentados, pensionistas e funcionários públicos devem, a cada dia, ficar mais atentos às armadilhas do crédito fácil. A todo hora aparece um agente financeiro (geralmente eles contratam moças bonitas para “pegar” velhinhos desavisados) oferecendo crédito com todas as facilidades do mundo. Como prega o dito popular que de toda esmola polpuda o cego deve desconfiar, na questão do crédito vale a mesma máxima aliada a uma máxima da economia: não existe jantar grátis. Isso significa que sempre alguém paga a conta. E esse alguém que paga a conta é o consumidor. Portanto, no caso do dinheiro fácil demais, há, com certeza, algum tipo de armadilha ludibriando os incautos. Em economia ainda vale a velha fórmula dos nossos pais e avós: junte dinheiro, compre à vista e exija descontos. E se alguém aparecer oferecendo uma galinha dos ovos de outro de graça ou com preço ínfimo, desconfie: pode ser um mico, que não é leão e muito menos dourado. E se assim o fosse você ainda correria o risco de ser pego por fiscais do Ibama.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Manoel Ribeiro, o retorno
A nomeação do ex-prefeito Manoel Ribeiro para o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) pode até não ser a maior surpresa dos últimos anos na política do Amazonas, mas, que é a maior incoerência, disso ninguém duvida. Quando governador do Estado, em julho de 1988, Mendes decretou intervenção na Prefeitura, afastou Manoel Ribeiro e nomeou Alfredo Nascimento. Como interventor, Nascimento detectou desvios de dinheiro público, irregularidades no pagamento da coleta de lixo e uso excessivo de passagens. Hoje, Manoel Ribeiro volta com uma frase lapidar:”Em política não há amigo que não possa brigar nem inimigo que não possa se unir. Quem vive de passado é museu”. A última parte da frase é chavão, mas a primeira, também já virou chavão faz tempo. O que fica do episódio é a lição de que se precisar ter muita cara-de-pau para se tornar um político exitoso.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Coincidências positivas
No mesmo dia que falamos aqui da necessidade de um trabalho conjunto de combate à pedofilia, o Conselho Tutelar da Zona Norte, acompanhado da Polícia Ambiental e da Polícia Militar fez blitz em 20 estabelecimentos da Zona Norte (bairros Novo Israel, Nova Cidade, Manoa, Vale do Sinai e Santa Etelvina e flagraram mais de 50 crianças e adolescentes desacompanhados em bares e casas de sows de pequeno e médio porte. O exemplo deveria ser seguido pelos Conselhos Tutelares das demais zonas da cidade. Por mais que se reconheça o direito de ir e vir das crianças e adolescentes, se a família e o Estado não tomarem providências, teremos uma infância e uma juventude perdidas em pouco tempo. Em nome do direito à liberdade não se pode descambar para a omissão, todos temos nossa parcela de responsabilidade no combate à violência contra crianças e adolescentes bem como no combate à pedofilia.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Negócio de bilhões
A pedofilia na Internet não é apenas uma questão de saúde pública nem de polícia, é um negócio de aproximadamente 8 bilhões de dólares. Além disso, em todos os lugares do mundo, é uma indústria que envolve figurões de várias classes sociais, principalmente as classes dominantes. Por se tratar de uma indústria com ramificações em vários pontos do mundo e movimentar milhões e milhões de dólares, o combate torna-se mais complexo. Em Manaus, a Polícia Federal (PF) registra uma média de pelos menos duas denúncias de pedofilia ao mês. Certamente, pelo menos ocorrem dez vezes mais casos que não são denunciados. O combate à pedofilia requer um trabalho constante de conscientização e políticas públicas eficazes de proteção às crianças e adolescentes. É preciso que seja uma decisão de Governo, e do Governo Federal. Caso contrário, as estatísticas vão chocar mas os casos continuarão a acontecer impunementes.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Cantilena
Começo a dar razão a ex-prefeito de Manaus, Serafim Correia (PSB). Ele diz que o atual prefeito, Amazonino Mendes (PTB), pesa a mão nas críticas à antiga administração para não mostrar serviço. Mendes vive criticando todo mundo, até a imprensa, mas não trata de reconstruir a Manaus que ele diz ter pego acabada. Para ser bem-sincero, boa parte das obras que se vê pela cidade ou são da Cigás ou do Governo do Estado. As ruas dos bairros estão completamente esburacadas e nada é feito. Seria de bom tom que o prefeito parasse de falar e agisse. Se Manaus está mesmo acabada (e, para sermos justos, o prefeito tem dose de razão), que precisa administrar a cidade agora é ele. Afinal, pelo que sabemos, Mendes candidatou-se para ser prefeito da cidade e não comentarista da administração anterior. Logo, prefeito, faça o que tem de ser feito e pare de reclamar.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Excelência na música brasileira
Aos poucos, o sucesso e o reconhecimento chegam para Zeca Baleiro e Vander Lee. Os dois representam o que se poderia chamar de nova safra. São criativos e começam a ser interpretados por cantores de todos os matizes. Baleiro é refinado e tem um humor profundo. Não será sucesso estrondoso de público porque seus versos são complexos. Mas, dessa complexidade nasce um humor dos mais criativos e refinados da música brasileira atual. Vander Lee foi apresentado ao mundo do Samba por Alcione, com a música “Nosso amor”. Depois “Aquela estrela”, com Eliana Printes e, recentemente, Tom Cleber dá um show à parte em “Esperando aviões”. Lee é um romântico que explora a malemolência do regae em sambas e baladas de extrema criatividade. Não tem o refinamento e a qualidade de Baleiro, mas demonstra que, com o tempo, atingirá o mesmo nível. Os poemas dos dois são instigantes e provam que a poesia está em todos os lugares mas poucos conseguem construir poemas com a qualidade de Baleiro e Lee.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Alfredo governador
O ministro dos transportes, Alfredo Nascimento, ser o candidato a governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é nenhuma novidade. Somente os tolos poderiam imaginar que o homem forte de Lula, responsável pela Operação tapa-buracos, sem licitação, que rendeu bons dividendos para a reeleição de Lula, poderia ser preterido pelo presidente em prol de outra candidatura. Isso sem contar que para as bases do Partido dos Trabalhadores (PT) do Amazonas, uma aliança com Alfredo Nascimento é bem mais deglutível que com o vice-governador Omar Aziz. É bem-verdade que o grupo do PT que está no Governo Braga tem uma relação para lá de amigável com o vice-governador. No entanto, quando se trata de PODER, o PT como partido esquece as relações amistosas e segue com quem tem mais chances de vitória. Logo, se for mesmo candidato de Lula no Amazonas, é pule 10 que Alfredo Nascimento é o novo governador do Amazonas.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Dinheiro público, empresas privadas
A pedra havia sido cantada bem antes de as cidades ganharem a disputa pela realização da Copa do Mundo de 2014: o dinheiro para os investimentos, cujas promessas eram de ser privado, terminariam sendo público. Não deu outra. Serão liberados R$ 7 bilhões para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Mobilidade e Transporte Urbano. As 12 cidades-sede da Copa receberão para vários programas. Manaus, por exemplo, receberá os primeiros R$ 2 bilhões iniciais do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Na prática, quem vai pagar a conta é mesmo o trabalhador brasileiro e diretamente com recursos do FGTS. Oras, quando as cidades se candidataram não sabiam que era preciso um montante vultoso de recursos? Não prometeram que captariam esses recursos na iniciativa privada? A verdade é que o capitalismo brasileiro sempre foi de nenhum risco. E os governos sempre permitiram que assim o fosse pois incentivam práticas como essas.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Arapucas promocionais
Os planos e promoções das empresas telefônicas, casados com o preço ínfimo de aparelhos celulares, em grande parte dos casos não passam de uma arapuca dos vendedores para pegar compradores incautos. A empresa Claro, por exemplo, possui um plano por meio do qual o cliente ganha até 900 minutos por mês, mas, para ter direito a esses bônus, de Claro para Claro (é Claro, com o perdão do trocadilho), mais 10% para telefones fixos, precisa fazer pelo menos uma ligação tarifada de um minuto por dia. De acordo com a promotora da empresa de uma das lojas aqui de Manaus, o aparelho sai da loja com R$ 1 real em créditos para qualquer ligação e mais R$ reais de bônus para ligações de Claro para Claro. Os chips também estariam cadastrados na tal promoção. Tudo balela! A compra do aparelho dá direito a dois Chips (não cadastrados na promoção) e é preciso, no mínimo, uma regar de R$ 12,00 por mês para se participar da promoção. Como com este valor não se consegue fazer uma ligação tarifada diária de um minuto, para se conseguir chegar aos 900 minutos, se precisa gastar, pelo menos, R$ 30,00. No fundo, os planos das operadoras de celulares que parecem “galinha morta” são arapucas que nos criam problemas enormes em longo prazo. Estar atentos e resistir é o melhor remédio.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Palmas ou vaias?
É louvável e merece todas as loas a atitude do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, em antecipar a saída de todos os possíveis candidatos em 2010. Ele determinou que secretário, subsecretários e presidentes de autarquias municipais que desejarem se candidatar em 2010 afastem-se dos cargos até o dia 18 de janeiro deste ano. Na perspectiva positiva do olhar, isso garantirá mais lisura ao pleito e evitará que os ocupantes de cargos públicos municipais usem a máquina em benefício próprio. Palmas, muitas palmas, para o prefeito! Mas como toda perspectiva do olhar tem o outro lado, e se essa for uma tentativa de controlar com mão-de-ferro todas as secretarias, subsecretarias e autarquias antes de ele mesmo, o prefeito, se afastar em abril, para ser candidato ao governo do Estado? Vaias, muitas vaias para o prefeito! O mais provável é que o movimento administrativo de Amazonino Mendes indique que ele não será o candidato da base aliada, logo, resta sim, com muita força o nome do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, apoiado por Mendes. Com o afastamento dos possíveis candidatos logo agora, o prefeito monta uma equipe que possa controlar com mão-de-ferro e ainda tem tempo de promover mudanças antes do período estipulado pela lei. Mendes não dá ponto sem nó!
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Perigo de matança em Sena
O genocídio de indígenas denunciado pelo Conselho Indigenista Missionário não ocorre somente no Amazonas. No Acre, mais precisamente em Sena Madureira, município localizado a 174 quilômetros da capital, índios das tribos kulina, jaminawa e kaxinawa perambulam pelas ruas colhendo restos de comida das lixeiras, moram em canoas na beira do rio, praticam pequenos furtos e entregam-se às drogas lícitas, principalmente ao álcool. Há um constante perigo de derramamento de sangue entre a Polícia Militar e os indígenas por conta das arruaças que eles aprontam impelidos pelo álcool e pelas próprias questões culturais. Entre os moradores e comerciantes é visível o clima de hostilidade em relação aos indígenas. Um índio jaminawa que, bêbado, cortava os dedos de outra pessoa por vingança, foi abordado por um policial e foi morto. O padre Paolino Baldassari, pároco da cidade, diz que a base cultural dos jaminawa é a vingança e teme mais mortes no município. Ele disse uma frase lapidar a um dos jornais de Rio Branco: “A Funai é a funerária dos índios”. O clima é de medo na cidade.
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domingo, 10 de janeiro de 2010
Tempos horripilantes
Sou de um tempo em que avós, de quaisquer das linhagens, eram as figuras mais queridas e respeitadas das famílias. Quando os filhos eram deixados com o avô ou com a avó, tinha-se a plena certeza de que os filhos seriam bem-cuidados. É bem-verdade que algumas avós, como a minha paterna, são capazes de alguns “atos terroristas”. A minha, por exemplo, adorava, quando a gente ia passando, esticar a perna e nos ver se espatifar no chão. Ria a valer. Certamente, não se tratava apenas de um ato de humor, muito menos de amor. Mas, quando abro os jornais de hoje e leio que a violência sexual de avós contra netos aumentou 46% (quarenta e seis por cento) em 2009, penso: como era doce a minha vovozinha. Pensar que não se pode mais confiar nem nos avós significa que irmãos e primos são menos confiáveis ainda. E ainda falam em desagregação da família. Oras, se não se pode confiar em ninguém dentro dessa própria célula, a desagregação já existe faz tempo. E tempos horripilantes, tanto agora quanto antes.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Dois irmãos
A propaganda do PSOL, que ironiza a polarização entre PSDB e PT na disputa presidencial deste ano é inteligente. E toca em um ponto que chamo atenção há tempos; PT e PSDM são irmãos siameses. Um é o alter ego do outro. Tudo o que o PSDB criou neste País o PT aperfeiçoou, inclusive a corrupção. Com um detalhe, “jamais na história deste País”, um partido foi tão competente para fazer um discurso público contra as elites enquanto faz cafuné na cabeça dos empresários de todos os setores. Alguém é capaz de me dizer em qual período da história do Brasil os bancos ganharam mais dinheiro? O que muda entre um irmão e outro é a perspectiva do olhar: enquanto o PSDB defende, com unhas e dentes, os interesses das classes média e alta, o PT, faz de conta que defende as classes média e baixa, mas sabe afagar como ninguém o ego das elites. E isso fará uma diferença enorme em prol do PT nas eleições deste ano. Esperem!
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Cachorro-quente
Que é quase regra o envolvimento de figurões da sociedade acreana com crianças e adolescentes, as paredes sabem. O inusitado na condenação do advogado João Batista Guimarães, 62 (condenado a cinco anos de prisão pelo envolvimento com uma adolescente de 13 anos), foi a defesa apresentada pelo réu. Ele alegou que entrara no motel para comprar um sanduíche, certamente um cachorro-quente. Fico a imaginar se o argumento tivesse vingado e virasse moda alimentar crianças e adolescentes nos motéis. Quanta boa-ação não seria praticada, principalmente nos rincões do Norte do País. Com todos os perdões que são necessários se pedir pelos trocadilhos, é muita vontade de comer! E como uma fome dessas, haja cachorro-quente!
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Índios nas ruas
A questão dos índios das tribos kulina, jaminawa e kaxinawa que vivem praticamente como mendigos nas ruas de Sena Madureira, município localizado a 144 quilômetros de distância de Rio Branco, a capital do Estado do Acre, é gravíssima. A Fundação Nacional do Índio (Funai) não toma providências, a prefeitura municipal menos ainda e os indígenas das três tribos perambulam pelas ruas sem destino. Álcool, drogas e prostituição marcam a prática até das crianças das três tribos e nada é feito. Vergonhosamente se vê, dia-a-dia, meninos e meninas atacando as lixeiras para retirar restos de alimentos. O mínimo que o poder público deveria fazer era conseguir abrigo para as crianças e os adultos desses povos uma vez que o Estado é o tutor dos índios.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Morte na cela
A Secretaria de Estado da Justiça e Direitos Humanos do Acre vai investigar a morte do preso provisório Magaiver Batista de Souza, de 23 anos. Ele foi encontrado morto no dia 31 de dezembro de 2009 em uma cela na Unidade Penitenciária Antônio Amaro Alves. “Magaiver”, como é conhecido em Sena Madureira, município localizado a 144 quilômetros de distância d Rio Branco, a capital do Estado do Acre, é acusado de ter estuprado e morto a enteada de dois anos no Natal de 2009, exatamente no dia 25. Desde aquele dia, Magaiver era hostilizado e ameaçado pelos presos de Sena Madureira. Foi transferido às pressas no dia 31 de dezembro de 2009 para a Penitenciária de Rio Branco e fora encontrado morto. Ativistas dos Direitos Humanos do Acre suspeitam que o preso foi executado. O laudo do instituto médico legal apontou traumatismo craniano, mas ele foi encontrado preso às grades da cela por um lençol, numa cena aparente de suicídio. Tragédias contra crianças e adolescentes terminam sempre assim: gerando novas tragédias em série.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
A mulher de César
Não discuto se o presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT), José Raphael Siqueira Filho, tinha ou não direito à bolada de R$ 2,2 milhões, recebida da Prefeitura Municipal de Manaus (PMM) a título de indenização. O que impressiona é a falta de sensibilidade do prefeito da cidade, Amazonino Mendes, em fazer um acordo extrajudicial com Siqueirinha, como é conhecido, e posteriormente nomeá-lo para o IMTT. Sem contar que os jornais divulgaram que o acordo ocorreu em função da amizade pessoal entre Mendes e Siqueira. Minha nossa! Em que mundo estamos? Até a mulher de César sabia que não deveria ser apenas honesta, mas parecer honesta. Se não se trata de mais um escárnio contra a sociedade como o foi a tal taxa do lixo, Mendes desaprendeu a regra básica de um homem público (coisa que ele aparentemente nunca gostou de pôr em prática) ou os anos de Governo e Prefeitura o transformaram em um tremendo cara-de-pau.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Big Brother Baré
As 232 câmeras do Centro Integrado de Operação de Segurança (Ciops) da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) são, na verdade, uma espécie de Big Brother Baré. É bem-verdade que inibem a prática da violência. Mas, tornam-se preocupantes quando as imagens monitoradas 24h por dia, por exemplo, vão parar nas emissoras de televisão ou servem para ilustrar matérias jornalísticas sem a permissão tácita e explícita dos envolvidos. Exigir privacidade em locais públicos é algo muito complicado. No entanto, não se pode transferir ao Estado, ainda que em nome do combate à violência, o direito de nos vigiar segundo a segundo. A sociedade inteira adora olhar os movimentos da vida privada pelo buraco da fechadura. Não fosse assim, o programa homônimo ao título aqui usado, da Rede Globo de Televisão, não faria tanto sucesso por tão longo tempo. Incomoda-me, porém, deixar nas mãos do Estado o direito de me filmar e selecionar o que será ou não divulgado.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Bois sempre dormem
Aquela coisa de “conversa para boi dormir” deveria ser mudada para “os bois sempre dormem”. Se não, vejamos! Até bem poucos dias, o governador Eduardo Braga e o vice-governador Omar Aziz percorrem o máximo de municípios que podiam visitar distribuindo o “Kit vote em nós”. Tinha de mamadeira, passando por fraldas, a motor de rabeta. Os dois, e mais toda a assessoria de comunicação deles, juravam que não se tratava de propaganda eleitoral antecipada. Aí, vem a Legislação Eleitoral e proíbe, desde o dia 1 de janeiro de 2010 até a data das eleições, a distribuição de quaisquer tipos de bens (certamente fraldas e motores entram nessa lista), por se caracterizar como propaganda antecipada ou compra de votos. Ou a conversa dos assessores de Braga e Aziz era para boi dormir ou os bois dormem neste País (e em especial no Amazonas, cuja pecuária é ínfima) faz tempo!
sábado, 2 de janeiro de 2010
Microfone aberto
Não é a primeira vez que uma personalidade de destaque é traída por microfones abertos. Certa vez, o então ministro da Fazenda, Rúbens Ricúpero, disse, sem saber que os microfones estavam abertos, que o que é ruim a gente esconde e o que é bom a gente mostra. A frase rendeu-lhe o cargo, por mais que todos saibam que essa é a regra em publicidade, marketing, relações públicas enfim, em quase todas as área da Comunicação dita Social. Agora, ao ser traído pelos microfones abertos, o âncora do Jornal da Band, Bóris Casoy, pediu desculpas aos garis e aos telespectadores do jornal. É pouco. Parafraseando o próprio Casoy, “isso é uma vergonha!”. Mas que sirva de alerta a todos os que trabalham na área. Imagem é tudo, tanto na vida pública quanto na vida privada. Mas, microfones abertos podem vazar e mandar pelos ares reputações construídas há anos. No dia 31 de dezembro de 2009, após as felicitações de dois garis no jornal que apresentava, Casoy tascou: ”Que merda! Dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras. Dois lixeiros... os mais baixos da escala do trabalho”. Além de infeliz, a frase reforça o preconceito em relação a quem trabalha com o lixo. Será que, ao contrário do que pensa Casoy, o trabalho com o lixo não é o mais nobre para a sobrevivência da humanidade?
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Infância violada
Outro tema que me entristece, e é duro começar o ano falando de tristezas, mas, a realidade é para ser enfrentada, é o aumento da violência contra crianças e adolescentes em Manaus. Só nos dez primeiros meses de 2009 foram registrados 135 casos de estupros contra crianças e adolescentes. Some-se a esses números absurdos a violência mais chocante que já vivenciei: a morte de uma menina de 2 anos estuprada pelo padrasto, que, no dia 31 de dezembro de 2009 matou-se. É triste, violento demais, porém, deve servir como estímulo para lutarmos por mudar essa realidade em 2010. Que não seja apenas um ano de Carnaval, Copa do Mundo e Eleições Presidenciais. Mas, que 2010 seja um ano em que a sociedade une-se para combater a violência contra as crianças e os adolescentes. Esse tema precisa ganhar as ruas, as casas, os bares, todos os espaços públicos possíveis para que a infância brasileira não seja mais tão violada quanto vem ocorrendo.
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