quinta-feira, 18 de junho de 2020

Apagão mata jovem em Teixeira

Uma jovem de 18 anos faleceu hoje, pela manhã, no Hospital de Campanha de Teixeira de Freitas. De acordo com as informações por nós recebida, a jovem estava hospitalizada há dias e seu estado piorou. Precisou ser “entubada” e não havia mais vaga nos cinco leitos de Unidade Intensiva de Tratamento (UTI) do Hospital Geral da cidade. Foi transferida para o Hospital de Campanha e recebeu ventilação mecânica. Pode não ser nem verdade, leitores e leitoras, mas, a informação que recebi foi que faltou energia e o gerador não disparou. Resultado: a morte de uma jovem de 18 anos. Ainda não seja verdadeira esta versão, a morte ocorreu. E, se não foi esta a causa, poderá ocorrer se o tal gerador não funcionar. Fico revoltado só com a possibilidade de que algo com isso tenha ocorrido. Não estou no time dos que acreditam que a pessoa “só morre quando chega a hora”. A morte de uma jovem de 18, se ocorreu nestas condições, não foi natural. E isso muito me revolta! Que haja uma apuração rigorosa sobre as condições de como ocorreu a morte desta jovem. A sociedade precisa saber.

Antigamente era #foratemer, hojemente é #forabolsonaro!

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Em casa

É preciso ter prazer
Até em se sentir dor
Nosso modo de ser
Gera mais amor.
Em casa, mais ainda
Experiência divina
Se você assim agir
Será capaz de sentir.
O quando é bom estar
Em casa, no seu lar
A doce força da luz
Que para a vida conduz.

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O prazer de estar em casa

Há pessoas que não negam o tanto do ódio que sentem de ficar em casa. No mais das vezes, são defensores da “família tradicional brasileira”. Os chamados “cidadãos de bem”. A mim me parece extremamente contraditório uma pessoa defender a família e não gostar de estar em casa. Particularmente, a pandemia me devolveu um dos grandes prazeres que sempre tive: ficar em casa. Espanto-me com a narração do sofrimento profundo de algumas pessoas. Quisera eu “sofrer tanto” com o fato de ficar em casa. E olha que não sou um defensor contumaz da “família tradicional”. Nela, vejo contradições insuperáveis. A maior delas aparece neste momento de pandemia: ó ódio em relação ao próprio lar.

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terça-feira, 16 de junho de 2020

Salada

Pegue umas bananas
Da República dos Bananas
Entregue a um presidente:
Misture cloroquina
Dos EUA vinda.
Esta feita a salada
Que engorda a moçada
Lá da calçada da fama
Encoberta de lama.

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No reino encantado da cloroquina

Lá pelo Reino Encantado de Walt Disney, a indústria farmacêutica não tinha mais como “desovar” o estoque de hidroxicloroquina e cloroquina. “Bom capitalista”, ou seja, o capitalista raiz, encontra oportunidade de negocio sempre: enquanto o mundo se acabava em vírus, conseguiram convencer seu presidente a usar a amizade que tinha construído com outro presidente de uma distante República dos Bananas a usar os medicamentos para combater a pandemia. Como todo bom representante dos Bananas que se preza, o presidente mordeu a isca direitinho: enquanto não encontrou um ministro da saúde que topasse autorizar o uso da cloroquina no combate ao Coronavírus, não sossegou. Meta alcançada, todo o estoque do Reino da Disney foi “candidamente” cedido aos Bananas. Moral da história: a agência de vigilância sanitária proibiu o uso do medicamento lá e os Bananas daqui ajudaram a dar liquidez a um ativo que estava praticamente passivo, ou seja, morto. Bonito para os Bananas!

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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Divididas

Há amores
Amores
Dupla flores
Rosas lilases
Vermelhas orquídeas
Mal-vividas vidas
Sofridas vidas
Divididas.

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Amores e desamores até na pandemia

Fiz um CD denominado “Por toda a vida”, em parceria com Gonzaga Blantez. No CD, o conceito que exploramos, que culmina com a música “Dois amores”, é o de que, na maioria das vezes, não nos casamos com a pessoa que mais amamos na vida. Daí, dois amores, um que a gente ama e nunca esquece e outro que a gente casa. No mais das vezes, terminamos a vida ao lado de uma pessoa que é cúmplice, companheiro (ou companheira), mas, aquele amor de pegar fogo e virar a cabeça é apenas uma linda lembrança. Daí, desde o Dia dos Namorados até ontem, domingo, fiquei a matutar: quantas pessoas passaram o Dia dos Namorados ao lado de uma pessoa, mas, lembrando de outra? Sei lá! E nem quero saber! Quero é que a humanidade ame e seja feliz!

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domingo, 14 de junho de 2020

Dor

Sinta a dor
A dor do outro
Seu sufoco
Com a morte.
Sinta a dor
A dor de si
Com a outra
Morte do outro.
Isso te fará mais humano.

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A dor alheia deve nos incomodar

Ontem fui convidado para um jantar e fiquei com esta tristeza no peito o tempo inteiro. Enquanto as pessoas estavam sorridentes, o alimento “engrossava” na minha boca! Chorei muito por dentro e ao voltar para casa! Senti-me na obrigação de escrever a minha própria dor hoje! Meu colega professor da Universidade Federal da Bahia (UFSB), professor Dirceu Benincá sempre comentava: “Fogos? Para quê fogos? Toda e qualquer comemoração deveria ser suspensa”. Daí, escrevi no meu Facebook e transformei em uma meme: “Quando mais de 40 mil brasileiros, teus “irmãos em Cristo”, perderam a vida e você só se preocupa com a festinha particular, já perdeu a humanidade faz tempo: morto em vida é você!” Espero que ajude alguém que a ler como me ajudou! Que tenhamos um bom domingo, mas, que façamos uma oração, uma reza ou qualquer outra forma de manifestação que demonstre a nossa dor pela perda das outras pessoas (se você não perdeu ninguém). Isso irá me fazer eu me sentir mais humano. Espero que você, leitor, ou leitora, também se sinta!

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sábado, 13 de junho de 2020

Proteção

Usado para agressão
Nos campos de futebol
Hoje virou proteção
Não apenas do sol.
Em tempos de pandemia
Protege com alegria
E serve para cumprimentar
Ao invés de você abraçar.
Tenha cuidado e zelo
Com o seu cotovelo
Ele protege do vírus
E o deixa tranquilo.

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O cotovelo que protege

A grafia correta é “cotovelo”. Maldosamente, as pessoas fecham mais a pronúncia do primeiro “o” para ficar com o som meio de “u”. A questão não é apenas fonética. Em época de pandemia, o “cotovelo”, que só servia para expulsar jogador de futebol em clássicos mais acirrados, passou a ter um valor inestimável. A invés de servir para atacar adversário, passou a nos proteger. Sem contar que o toque de cotovelo superou o aperto de mão e o abraço. O inconveniente são as pessoas que se aproveitam do som para quer tocar um (cu) tovelo no outro. Tente! Que sabe, você consegue!

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sexta-feira, 12 de junho de 2020

Com os mortos

Falo com os mortos
Até sem saber
Mortos não avisam
Quando deixam de viver.
E as mídias sociais
Disso não nos avisam
Pior ficou ainda mais
Em época de COVID.

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A alguém morto pela COVID-19

Acordei em pânico! Ainda não parei de tremer! Ansiedade! Desespero! Aquela sensação de que poderia “estar conversando com os mortos”. Como de costume, ao amanhecer, pego meu telefone e começo a dar uma volta pelas Mídias Digitais, especialmente, as Mídias Sociais. Uma delas, o Facebook, quase sempre não me permite esquecer os aniversários. Recebo elogios rasgados “por não esquecer”, quando todos deveriam se destinar ao Mark Zuckerberg. Hoje, porém, a teia de Zucher me meteu medo. Comecei a mandar “feliz aniversário. Muitos anos de vida” para todo mundo. Aí, lembrei-me da pandemia. “Nosso Deus! Será que estou mandando alguma mensagem para mortos”, fique a ronronar. É tétrico escrever aos mortos. Mas, não sei se o fiz!

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quinta-feira, 11 de junho de 2020

Espirro

Levante as mãos
Ou eu espirro
Nem miro:
Violência ao extremo
Em tempos de pandemia.

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Mãos ao alto ou eu espirro...

Às vezes, quando saio nas ruas de Teixeira de Freitas, em meio à quarentena, imagens do passado, dos livros do Velho Oeste americano desfilam desesperadamente entre a realidade e a fantasia. Sallons invadidos por pistoleiros, bancos assaltados, diligências, caravanas...E aquela turba de gente no meio das ruas da cidade como se o vírus não fizesse mal a ninguém. Entro na agência bancária para fazer a retirada da grana para pagar o tradicional “jogo da loteria”. Eis que me surge, na entrada da agência bancária, um homem com a “máscara do zorro”. Rápido como um meteoro, puxa a máscara do rosto e anuncia: ”mãos ao alto, isto é um assalto. Ninguém se mexe ou eu espirro”. Paralisadas, as pessoas entregam seus pertences de maior valor. O homem, talvez para aterrorizar mais ainda os presentes, cumpre o protocolo e espirra no cotovelo dobrado. Uma senhora de idade avançada desmaia de tanto medo. O homem sai da agência tranquilamente com aquela coriza a escorrer do nariz e se alojar nas dobras dos dois cotovelos.

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quarta-feira, 10 de junho de 2020

Higiênico

É papel
É higiênico
Helênica descoberta
Coisa mais certa.
Máscara de TNT
Pode salvar você
Em uma emergência
Haja mais sofrência.

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E se faltar papel higiênico?

Vinha eu de Caravelas, no final-de-semana, de uma viagem frustrada, pois, fomos impedidos de entrar na cidade. Passamos para Prado e almoçamos uma “quentinha” que, no fundo” era “boia-fria”. Sentados embaixo das árvores, na Praça da cidade de Prado, comemos avidamente. Não sei se a pessoa “foi com a minha cara”, mas, o certo é que meu prato (frio) veio com todos os tipos de iguarias oferecidas separadamente aos demais colegas. Pensei: “sou um homem de sorte. Fui premiado pelo restaurante”. Terminado o almoço, pegamos a estrada e voltamos para Teixeira de Freitas. O “prêmio” começou a fazer efeito na barriga. Era como se o macho e a fêmea do porco-espinho estivessem fazendo amor dentro da minha barriga. Já tínhamos combinado de parar em uma queijaria. Mal tive tempo de parar, fui ao banheiro. Pisando firme para ninguém perceber a situação que eu estava. A cueca mal desceu e a encomenda foi logo entregue. Que alívio! Pela pressa, olhei para tudo o que era lugar e nada de achar o papel higiênico. Meus olhos brilharam quando percebi que estava com uma máscara de TNT, mais macia que papel higiênico. Passei o dedo na orelha direita para tirar a máscara. Como numa iluminação divina, vi o papel lá no cantinho. A máscara foi salva, mas, ficou a certeza de que devo sempre andar com uma ou duas. Elas poderão ser muito úteis!

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terça-feira, 9 de junho de 2020

Salvadora

Eu mascarado
Espirros soltos
Avião decolado
O povo louco.
Quando mais tento
Mais o espirro sai
Aparece um jumento
E o meu corpo cai.
Espirrando sou jogado
Minha máscara é salvadora
Antes do corpo despedaçado
Ela flutua e voa.
Pouso com suavidade
Máscaras na cara e nos dedos
Use a sua criatividade
Mas, nunca revele os segredos.

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As máscara que viraram pára-quedas

Estava eu em um avião de São Paulo para Manaus, com máscara (descartável), daquelas similares ao TNT. Ninguém sentado ao lado de ninguém. Um passageiro a cada duas fileiras. E eu lá, no meu canto, na minha janela. De repente, a renite alérgica começa a se manifestar. Com todos os cuidados, passo a espirrar sem parar: cotovelo direito, cotovelo esquerdo. Olhos esbugalhados me seguiram. Gritaria geral no ar. Um brutamontes se levanta e começar a gritar. De repente, uma revolta. Sem piedade, abrem uma janela e me jogam para fora do avião. Por sorte, a máscara grudou nas orelhas e funcionou como um para-quedas. Ato contínuo, e baseado na primeira descoberta de uso da máscara, peguei outras duas máscaras que estavam nos bolsos e as coloquei nos dedos da mão direita e da mão esquerda. Funcionaram perfeitamente como pára-quedas adicionais. Não fosse isso, meus leitores e leitoras não estariam lendo esta crônica.

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segunda-feira, 8 de junho de 2020

Cadáveres

Espalhados
Lado a lado
Em caixões
Nos torrões
Da Amazônia.
Cadáveres
Escondidos
Perdidos
Em lixões
Das cidades.
Cadáveres
Da Pandemia
Escondê-los
É heresia.

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