sábado, 13 de junho de 2020

O cotovelo que protege

A grafia correta é “cotovelo”. Maldosamente, as pessoas fecham mais a pronúncia do primeiro “o” para ficar com o som meio de “u”. A questão não é apenas fonética. Em época de pandemia, o “cotovelo”, que só servia para expulsar jogador de futebol em clássicos mais acirrados, passou a ter um valor inestimável. A invés de servir para atacar adversário, passou a nos proteger. Sem contar que o toque de cotovelo superou o aperto de mão e o abraço. O inconveniente são as pessoas que se aproveitam do som para quer tocar um (cu) tovelo no outro. Tente! Que sabe, você consegue!

Antigamente era #foratemer, hojemente é #forabolsonaro!

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Com os mortos

Falo com os mortos
Até sem saber
Mortos não avisam
Quando deixam de viver.
E as mídias sociais
Disso não nos avisam
Pior ficou ainda mais
Em época de COVID.

Antigamente era #foratemer, hojemente é #forabolsonaro!

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A alguém morto pela COVID-19

Acordei em pânico! Ainda não parei de tremer! Ansiedade! Desespero! Aquela sensação de que poderia “estar conversando com os mortos”. Como de costume, ao amanhecer, pego meu telefone e começo a dar uma volta pelas Mídias Digitais, especialmente, as Mídias Sociais. Uma delas, o Facebook, quase sempre não me permite esquecer os aniversários. Recebo elogios rasgados “por não esquecer”, quando todos deveriam se destinar ao Mark Zuckerberg. Hoje, porém, a teia de Zucher me meteu medo. Comecei a mandar “feliz aniversário. Muitos anos de vida” para todo mundo. Aí, lembrei-me da pandemia. “Nosso Deus! Será que estou mandando alguma mensagem para mortos”, fique a ronronar. É tétrico escrever aos mortos. Mas, não sei se o fiz!

Antigamente era #foratemer, hojemente é #forabolsonaro!

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Espirro

Levante as mãos
Ou eu espirro
Nem miro:
Violência ao extremo
Em tempos de pandemia.

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Mãos ao alto ou eu espirro...

Às vezes, quando saio nas ruas de Teixeira de Freitas, em meio à quarentena, imagens do passado, dos livros do Velho Oeste americano desfilam desesperadamente entre a realidade e a fantasia. Sallons invadidos por pistoleiros, bancos assaltados, diligências, caravanas...E aquela turba de gente no meio das ruas da cidade como se o vírus não fizesse mal a ninguém. Entro na agência bancária para fazer a retirada da grana para pagar o tradicional “jogo da loteria”. Eis que me surge, na entrada da agência bancária, um homem com a “máscara do zorro”. Rápido como um meteoro, puxa a máscara do rosto e anuncia: ”mãos ao alto, isto é um assalto. Ninguém se mexe ou eu espirro”. Paralisadas, as pessoas entregam seus pertences de maior valor. O homem, talvez para aterrorizar mais ainda os presentes, cumpre o protocolo e espirra no cotovelo dobrado. Uma senhora de idade avançada desmaia de tanto medo. O homem sai da agência tranquilamente com aquela coriza a escorrer do nariz e se alojar nas dobras dos dois cotovelos.

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quarta-feira, 10 de junho de 2020

Higiênico

É papel
É higiênico
Helênica descoberta
Coisa mais certa.
Máscara de TNT
Pode salvar você
Em uma emergência
Haja mais sofrência.

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E se faltar papel higiênico?

Vinha eu de Caravelas, no final-de-semana, de uma viagem frustrada, pois, fomos impedidos de entrar na cidade. Passamos para Prado e almoçamos uma “quentinha” que, no fundo” era “boia-fria”. Sentados embaixo das árvores, na Praça da cidade de Prado, comemos avidamente. Não sei se a pessoa “foi com a minha cara”, mas, o certo é que meu prato (frio) veio com todos os tipos de iguarias oferecidas separadamente aos demais colegas. Pensei: “sou um homem de sorte. Fui premiado pelo restaurante”. Terminado o almoço, pegamos a estrada e voltamos para Teixeira de Freitas. O “prêmio” começou a fazer efeito na barriga. Era como se o macho e a fêmea do porco-espinho estivessem fazendo amor dentro da minha barriga. Já tínhamos combinado de parar em uma queijaria. Mal tive tempo de parar, fui ao banheiro. Pisando firme para ninguém perceber a situação que eu estava. A cueca mal desceu e a encomenda foi logo entregue. Que alívio! Pela pressa, olhei para tudo o que era lugar e nada de achar o papel higiênico. Meus olhos brilharam quando percebi que estava com uma máscara de TNT, mais macia que papel higiênico. Passei o dedo na orelha direita para tirar a máscara. Como numa iluminação divina, vi o papel lá no cantinho. A máscara foi salva, mas, ficou a certeza de que devo sempre andar com uma ou duas. Elas poderão ser muito úteis!

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terça-feira, 9 de junho de 2020

Salvadora

Eu mascarado
Espirros soltos
Avião decolado
O povo louco.
Quando mais tento
Mais o espirro sai
Aparece um jumento
E o meu corpo cai.
Espirrando sou jogado
Minha máscara é salvadora
Antes do corpo despedaçado
Ela flutua e voa.
Pouso com suavidade
Máscaras na cara e nos dedos
Use a sua criatividade
Mas, nunca revele os segredos.

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As máscara que viraram pára-quedas

Estava eu em um avião de São Paulo para Manaus, com máscara (descartável), daquelas similares ao TNT. Ninguém sentado ao lado de ninguém. Um passageiro a cada duas fileiras. E eu lá, no meu canto, na minha janela. De repente, a renite alérgica começa a se manifestar. Com todos os cuidados, passo a espirrar sem parar: cotovelo direito, cotovelo esquerdo. Olhos esbugalhados me seguiram. Gritaria geral no ar. Um brutamontes se levanta e começar a gritar. De repente, uma revolta. Sem piedade, abrem uma janela e me jogam para fora do avião. Por sorte, a máscara grudou nas orelhas e funcionou como um para-quedas. Ato contínuo, e baseado na primeira descoberta de uso da máscara, peguei outras duas máscaras que estavam nos bolsos e as coloquei nos dedos da mão direita e da mão esquerda. Funcionaram perfeitamente como pára-quedas adicionais. Não fosse isso, meus leitores e leitoras não estariam lendo esta crônica.

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segunda-feira, 8 de junho de 2020

Cadáveres

Espalhados
Lado a lado
Em caixões
Nos torrões
Da Amazônia.
Cadáveres
Escondidos
Perdidos
Em lixões
Das cidades.
Cadáveres
Da Pandemia
Escondê-los
É heresia.

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A predileção por esconder cadáveres

Impressiona-me a predileção da turba verde-amarelo CBF por esconder cadáveres. Inclusive, dos militares brasileiros que dela fizeram parte ou ainda sentem saudades. Os verde-amarelo CBF adoram este tipo de comportamento. Tanto que vão para as ruas pedir a volta da ditadura e dos atos violentos. Sabe-se que durante a ditadura militar, o que mais se fez foi isso: esconder cadáveres. Agora, durante a pandemia do Coronavírus, os militares do governo e do ministério da Saúde optaram por esconder (ou, pelo menos tentar) o número de mortos na pandemia. Mais um indicador que nos coloca em lados opostos: defendemos a transparência. Inclusa, diariamente, a divulgação do número de mortos. É o mínimo que se espera de um governo. Deste que aí está, no entanto, o que se têm combina bem com o objetivo dos que o elegeram.

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domingo, 7 de junho de 2020

Ceifada

Vivemos um vazio total
Espécie de Terra arrasada
Sensação de tristeza
Até diante da beleza.
Estamos assim na pandemia
Parece o fim da alegria
Cidades ficaram fantasmas
Poucas pessoas pasmas.
Com a falta de movimento
Comércio em derrocada
É tanto sofrimento
A cada vida ceifada.

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Como se fosse o fim do mundo

Hoje, pela primeira vez, visitei, durante a pandemia, Caravelas e Prado, cidades próximas de Teixeira de Freitas, onde moro. Todas as três cidades estão localizadas no Extremo Sul da Bahia. Por conta da necessidade de uma colega professora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), a acompanhei na viagem. Em Caravelas, fomos impedidos de entrar na cidade. Esclareço que fizemos a viagem por não saber que a entrada na cidade estava impedida. As pessoas que faziam a barreira nos informaram que a entrada também estava impedida em Alcobaça. Fomos a Padro para almoçar. No único restaurante da cidade que fornecia alimentos, só se pode “pegar a marmita” para se levar. Em todos os lugares, uma sensação: era como se fosse o fim do mundo. Cenas de filmes vinham na cabeça. Realmente, a sensação vivida hoje é de que o mundo está vazio: de pessoas e ideias.

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sábado, 6 de junho de 2020

Punição

Bonner punido
Problema resolvido?
Claro que não!
Vergonha da Nação.
Coisa pequena demais
Para direitista contumaz
Coisa de imenso babaca
Ou, quem sabe, um panaca.
Deixar toda uma Nação
Sem qualquer informação
Sobre número da COVID
Só um imbecil decide.

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A punição de William Bonner

A cada dia, uma nova surpresa surreal neste (des) Governo Federal. Mudar o horário de divulgação dos números oficiais do Ministério da Saúde sobre a COVID-19 no Brasil e ainda assumir, com todas as letras, que foi para “acabar com a pauta do Jornal Nacional” é algo (quase) inacreditável se vivêssemos no mundo real. Vivemos, porém, no mundo de fantasia do “combate ao comunismo” criado pela turba de brasileiros verde-amarelo CBF. E nesta loucura de combate ao comunismo, até a Rede Globo de Televisão “virou comunista”. Punir o Jornal Nacional é dirigir a punição a William Bonner briga de rapazes amuados. Pequeno demais para um presidente. Pequeno demais para a presidência da República. Há, ainda o fundo do poço? Talvez não haja nem poço!

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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Troca

Tira do Bolsa Família
Bota na Comunicação
O tira-bota de um governo
Que é uma aberração.
Aberração talvez o seja
O próprio governo envolvido
Neste ato que enseja
Não se importar com o excluído.
Troca auê pró-governo
Ao tirar ajuda a quem precisa
Por descaso ao enfermo
Dor que não minimiza.

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Para bancar FakeNews

É algo quase surreal você ler que o Governo Federal transferiu R$ mais de 83 milhões do Programa Bolsa Família para a Secretaria de Comunicação Social. É de se perguntar: como o governo tem a “cara de madeira” de fazer isso justamente quando “rola” uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Gabinete do Ódio? Não seria, este movimento, uma tentativa de bancar mais FakeNews para tirar o foco do tal Gabinete do Ódio? Deste Governo, se pode esperar tudo. A mim me parece, em primeira análise, que se trata mesmo de uma zombaria do governo, de um descaso em relação à sociedade e aos demais poderes. Trata-se de um acinte! Não deveria ser aceito!

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quinta-feira, 4 de junho de 2020

Saúde

Contratar terceirizados
E os hospitalizados
Ninguém mais se ilude
Do estado é a saúde.
Acerta o governador
Ao retomar o hospital
Para diminuir a dor
E o sofrimento geral.

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Gol de placa de Wilson Lima

O retorno da administração do Hospital Universitário Francisca Mendes (HUFM) para o Governo do Estado do Amazonas, com a contratação dos terceirizados, é um “gol de placa” do Governador Wilson Lima (PSL). E desfaz um erro histórico, bem como, talvez, possa ser a salvação de apoio Rio Solimões, criada para apoiar ações da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mas, afundada por um “acordo de gestão” que a levou a fundo do poço. Desde a primeira vez que fui candidato a reitor da Ufam, quando me perguntavam qual seria o destino do HUFM, sempre fui claro: o acordo com o Governo do Estado precisa ser desfeito. Era muito simples: os valores repassados mensalmente nunca cobriram as despesas. Sempre foi um péssimo “negócio” para a Ufam. Ao retomar o “controle” do Francisca Mendes, o governador pode até errar do ponto de vista econômica, mas, acerta, do ponto de vista simbólico: sinaliza para a população que a área de saúde poderá sair do caos que se instalou desde o processo de terceirização. A pandemia deixa uma lição: ou o estado controla a área de saúde ou por ela será controlado.

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quarta-feira, 3 de junho de 2020

Ilhéus

Cuidado Ilhéus
Flexibilizar agora
Pode levar muito aos céus.
E nos braços de Jesus
Cada um que carregue
A sua cruz.

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Grupo analise decreto de Ilhéus

Enquanto a Prefeitura Municipal de Teixeira de Freitas, extremo Sul d Bahia, onde moro, decreta o “toque de recolher”; a Prefeitura de Ilhéus, cidade ainda em estado crítico, “flexibiliza” as atividades desde o dia 1 de junho de 2020. Sobre o Decreto da Prefeitura de Ilhéus, o “Grupo de Grupo de Trabalho - GT comVida 46”, formado por várias entidades, dentre elas, a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), analisa o que foi proposto. Eis uma parte da analise: A cidade de Ilhéus tem todos os seus 31 leitos de UTI atualmente ocupados. As projeções para a evolução da doença não apontam para diminuição do número de casos ativos, embora o distanciamento tenha diminuído a velocidade de contágio. Os cálculos do Portal Geocovid-19 (http://portalcovid19.uefs.br/ ) indicam que a manutenção da evolução na mesma taxa atual resultaria em um número máximo de casos ativos simultâneos pouco superior a 1.000, em fins de agosto. Caso retornemos ao nível de isolamento do início da pandemia, quando as atividades estavam em ritmo normal, Ilhéus chegaria ainda em julho a aproximadamente 4.500 casos simultâneos. Ainda que se possa garantir uma taxa de contágio intermediária, com as medidas protetivas dentro dos estabelecimentos, o que é incerto e também desconsidera o comportamento das pessoas nas ruas e nos transportes coletivos, teríamos em 60 dias um número de infectados ativos simultâneos próximo de 3.000 na cidade.” A mim me parece que devemos ter muito mais cuidados antes de flexibilizar qualquer atividade.

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