segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A exclusão social condenada pela Igreja


Grande parte das vezes que participei das celebrações na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Sena Madureira, minha cidade natal, elas foram celebradas pelo Padre Paulino Maria Baldassari. Ontem, diferentemente, que presidiu a celebração foi o Padre Zezinho. Natural de Sena Madureira, “lá do 16”, como dizem os habitantes que conhecem a sua família lá do quilômetro 16 da estrada que liga Sena Madureira a Rio Branco, o padre fez um sermão diferente. Menos centrado nas escrituras, que falavam da passagem no “leproso” no Evangelho de Marcos, e mais em exemplos do dia-a-dia; o padre chamou a atenção para as leis “que criamos”, mas não conseguimos criar condições de pô-las em prática. Citou o exemplo de uma hipotética mãe, com cinco filhos menores, que foi abandonada pelo companheiro. Como ela poderia cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente? Terá de sair para trabalhar, como fazê-lo sem ter com quem deixar os filhos? Esses questionamentos deixados sem respostas, segundo o prazer, são espécies de exclusão social que criamos na vida em sociedade. Ele próprio se incluiu nos exemplos, ao revelar a forma ríspida como tratou uma pessoa que havia sido acolhida na Igreja e de lá não queria mais sair. Muito bom ouvir um padre chamar a atenção, abertamente, no sermão para as fraquezas humanas e as necessidades que temos de tentar superá-las. Qualquer tipo de exclusão não deve ser condenado apenas pela Igreja. Deve ser um exercício diário de respeito ao outro para tornar a sociedade melhor. Antes de ser um desafio coletivo, trata-se de um exercício pessoal permanente.

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